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Economia

Vitória vive alta no mercado imobiliário de luxo e atrai novos investidores

Vitória chegou a R$ 15.448 no preço médio do metro quadrado e mantém forte valorização imobiliária


Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

Em dezembro de 2025, o preço médio do metro quadrado residencial, em Vitória , chegou a R$ 14.108. O valor colocou a capital capixaba a frente de cidades tradicionalmente associadas a um mercado imobiliário mais caro.

A cidade manteve o ritmo de valorização em 2026. Em julho, o preço médio chegou a R$ 15.448 por metro quadrado.

Em uma cidade com território limitado, poucos terrenos disponíveis e novos empreendimentos voltados, em grande parte, ao médio e alto padrão, a procura por imóveis tem pressionado os preços e mudado o perfil do mercado imobiliário da capital.

Para quem acompanha essa valorização de perto, o movimento também influencia decisões de investimento. A fisioterapeuta dermatofacial Taísa Ávilla, por exemplo, decidiu comprar, com a família, um estúdio em Vitória. A escolha foi motivada pela versatilidade do imóvel e pelo potencial de locação por temporada.

Eu achei essa oportunidade bem bacana. O estúdio é um imóvel versátil, pelo tamanho e por ser mais fácil de alugar por temporada. É uma região de fácil acesso e um bairro que está crescendo e se sustentando.

Taísa Ávilla, fisioterapeuta dermatofacial

Mesmo antes da entrega do empreendimento, Taísa afirma que já percebeu a valorização do imóvel.

“Hoje eu já tenho conhecimento de que ele valorizou bastante, mesmo ainda estando em construção. A gente procurou saber de pessoas que compraram depois e o valor já subiu bastante”, afirma.

Os números ajudam a explicar o entusiasmo de quem, assim como ela, investiu na capital. Segundo o Índice FipeZAP, os imóveis residenciais, em Vitória, acumularam valorização de 15,13%, em 2025.

O resultado ficou muito acima da média nacional, que foi de 6,52%, e também superou a inflação do período, de cerca de 4,18%.

Alto potencial, mas pouco espaço para crescer

Mas como Vitória conseguiu superar capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis no preço médio dos imóveis? Para o gestor comercial da Grand Construtora, Eduardo Gasperazzo, uma das principais explicações está na própria geografia da cidade.

Um dos fatores é a restrição em relação aos terrenos disponíveis. A gente mora em uma ilha. Em algum momento, essa ilha vai ter dificuldade de ter terrenos para desenvolver novos projetos.

Eduardo Gasperazzo, gestor comercial da Grand Construtora

A lógica é direta: quando há menos áreas disponíveis para novos empreendimentos e a demanda permanece elevada, o preço tende a ser pressionado.

Além da escassez de terrenos, outro fator tem influenciado o mercado. Nos últimos anos, uma parcela significativa dos lançamentos na capital tem sido direcionada ao médio e alto padrão.

“Na maioria dos lançamentos que tivemos nos últimos anos, na capital, os empreendimentos são de médio e alto padrão. Isso também pressiona o preço dos imóveis”, explica Gasperazzo.

Qualidade de vida coloca Vitória no radar

Outro fator apontado pelo setor é a procura crescente por Vitória como lugar para morar e investir.

Gasperazzo afirma que a cidade tem atraído pessoas de outras regiões do Brasil por características como qualidade de vida, facilidade de deslocamento e concentração de serviços.

“Vitória está sendo descoberta de forma geral pelo Brasil. As pessoas estão vindo para cá pela qualidade de vida e pela facilidade de locomoção. Existem vários fatores contribuindo para essa valorização dos imóveis.”

Segundo ele, entre os compradores de empreendimentos de alto padrão estão empresários que buscam trocar de imóvel e melhorar a estrutura onde vivem, além de investidores atentos ao potencial de valorização.

“Esse cliente observa os fatores que pressionam o preço e consegue enxergar esse panorama. Ele busca aproveitar essa valorização”, afirma.

Uma prova dessa procura é o Una Residence, no bairro bairro Bento Ferreira. O empreendimento da Grand Construtora, com vista para a baía de Vitória e localização estratégica, teve quase todos os 124 apartamentos de luxo vendidos antes mesmo do lançamento.

O que esperar do mercado de Vitória?

Vitória tem uma característica que diferencia seu mercado de outras cidades: o espaço para expansão horizontal é limitado. Com poucos terrenos disponíveis, novos projetos dependem cada vez mais da substituição de imóveis antigos, da requalificação de áreas já ocupadas e de empreendimentos com maior valor agregado.

Isso ajuda a explicar por que a capital capixaba vem mantendo uma trajetória de valorização consistente. Em cinco anos, Vitória saiu da quinta posição para a liderança entre as capitais com maior preço médio do metro quadrado.

Para quem já investiu, como Taísa, os números reforçam uma escolha feita olhando para longo prazo. Para quem ainda pretende entrar no mercado, o cenário exige uma análise mais cuidadosa: em uma cidade onde o espaço é limitado e os preços avançam acima da média nacional, localização, perfil do imóvel e objetivo da compra fazem cada vez mais diferença.

O imóvel é um patrimônio mais concreto. Você está vendo o imóvel, vendo que ele está valorizando. Para a gente, é um investimento mais conservador porque temos um pouco de receio de investimentos com risco maior.

Taísa Ávilla, fisioterapeuta dermatofacial

Folha Vitoria

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