O avanço dos canais digitais transformou a jornada de compra no varejo. Um estudo do SPC Brasil e da CNDL aponta que 95% dos consumidores compram em sites e aplicativos, mas a loja física continua relevante: 82% ainda valorizam o varejo presencial.
No mercado de móveis, em que o consumidor costuma avaliar tamanho, acabamento, conforto e qualidade antes da decisão, essa combinação entre os ambientes digital e físico ganha ainda mais importância.
Para Mateus Bassini, diretor comercial da Danúbio Móveis, esse novo comportamento exige que as empresas acompanhem de perto as mudanças nas necessidades dos consumidores e ofereçam uma experiência de compra cada vez mais integrada.
Segundo ele, a estratégia passa por unir tecnologia, atendimento personalizado e a experiência presencial, sem abrir mão da credibilidade construída pela marca ao longo de mais de 50 anos no mercado capixaba.
Confira a entrevista completa com Mateus Bassini, Diretor Comercial daDanúbioMóveis:
Quais são hoje os principais desafios para uma empresa se manter relevante em um setor que acompanha mudanças tão rápidas no comportamento do consumidor?
Um dos principais desafios é estar sempre atento às mudanças do mercado e às necessidades reais dos nossos clientes. Para isso, acreditamos muito em investir em capital humano, capacitação e também em estar presentes em feiras e eventos do setor, mantendo contato próximo com fabricantes e fornecedores para buscar novas soluções.
Também temos trabalhado para oferecer uma experiência de compra cada vez mais integrada. Hoje, por exemplo, temos vendedores que iniciam o atendimento de forma remota e podem continuar essa jornada presencialmente na loja, de maneira personalizada e individualizada.
Além disso, contamos com lojas bem localizadas e um mix bastante variado de produtos. Estamos sempre buscando melhorias para continuar agregando valor à jornada do consumidor e fazer com que nossos móveis cumpram bem o seu papel na vida de cada família.
O consumidor está mais informado, pesquisa preços, acompanha tendências e busca praticidade. Como isso impacta a forma de vender móveis atualmente?
Hoje o consumidor chega muito mais informado à loja. Ele pesquisa preços, modelos, tendências e muitas vezes já tem uma ideia bastante clara do que procura.
Para nós, isso reforça a importância de uma equipe bem preparada para fazer uma venda consultiva. Entendemos que o vendedor precisa entender a necessidade daquele cliente e ajudá-lo a encontrar a melhor solução.
Acreditamos que esse acesso maior à informação é positivo, porque contribui para uma compra mais consciente e alinhada às necessidades de cada pessoa.
As tendências de decoração e design mudam com rapidez. Como a empresa equilibra a oferta de produtos atemporais com as novidades que surgem no mercado?
Nosso mix de produtos é atualizado constantemente, acompanhando as tendências do mercado e o comportamento do consumidor. Para isso, estamos sempre presentes nos principais eventos do setor, buscando referências, novidades e fornecedores que consigam oferecer a qualidade e a variedade que nossos clientes procuram.
Ao mesmo tempo, buscamos manter produtos que tenham uma boa aceitação e que continuem fazendo sentido para diferentes perfis de consumidores. O nosso papel é justamente equilibrar novidade, variedade e produtos que tenham boa relação entre qualidade, design e preço.
A tecnologia também transformou o varejo. Qual é o papel dos canais digitais e da experiência omnichannel para uma loja de móveis hoje?
Mas também entendemos que, no nosso segmento, o atendimento humanizado continua sendo muito importante. Por isso, temos vendedores que fazem o atendimento online e podem iniciar a jornada pelo WhatsApp, dando continuidade ao atendimento presencialmente na loja.
É uma experiência híbrida, que une a praticidade do digital com a segurança e a proximidade do atendimento presencial.
Em um cenário de maior concorrência, o que faz diferença para conquistar e fidelizar clientes além do preço?
A Danúbio tem um ativo muito importante, que é a credibilidade construída ao longo de mais de 50 anos de mercado. Durante esse período, fizemos parte da história de muitas casas e famílias no Espírito Santo.
Além disso, temos um mix bastante variado, preços competitivos e facilidade de pagamento, seja no cartão ou no carnê. Outro ponto importante é a nossa equipe. Temos uma baixa rotatividade de colaboradores, o que ajuda a preservar a nossa cultura e manter um padrão de atendimento qualificado ao longo do tempo.
No fim, o cliente não leva apenas um móvel. Ele leva também a confiança de estar comprando de uma empresa que conhece e que está presente no mercado há décadas.
Sustentabilidade, funcionalidade e personalização ganharam espaço nas decisões de compra. Essas demandas já influenciam a escolha dos produtos e dos fornecedores?
Estamos atentos a essas mudanças de comportamento. O consumidor está mais interessado em entender a matéria-prima utilizada nos móveis, busca produtos mais funcionais e também soluções que se adaptem melhor à sua realidade.
Nesse sentido, trabalhamos também com produtos certificados que utilizam madeira de reflorestamento, buscando oferecer opções mais alinhadas a essa preocupação do consumidor com a origem dos materiais.
A funcionalidade também é muito importante. Temos produtos em diferentes tamanhos, que atendem desde ambientes maiores até espaços mais compactos, permitindo soluções para diferentes cômodos e necessidades da casa.
Além disso, conseguimos atender algumas demandas de personalização, como diferentes tonalidades e tipos de tecidos. Temos também cozinhas moduladas, que podem ser adaptadas de acordo com o espaço disponível, além de produtos multifuncionais, especialmente interessantes para apartamentos menores ou ambientes que precisam ter mais de uma função.
Então, cada vez mais, nosso olhar está voltado não apenas para a estética do móvel, mas para a forma como ele será utilizado na rotina do cliente, buscando unir qualidade, funcionalidade, variedade e as novas demandas de consumo.
Como fatores econômicos, como juros, inflação e acesso ao crédito, interferem no desempenho do setor moveleiro e nas decisões de compra dos consumidores?
O cenário econômico interfere diretamente no poder de compra das famílias. Quando temos inflação, juros mais altos ou algum período de maior instabilidade, o consumidor naturalmente passa a pesquisar mais e, muitas vezes, adia algumas decisões de compra.
Nesse cenário, buscamos alternativas para facilitar o acesso aos nossos produtos, principalmente por meio de parceiros de crédito e diferentes condições de pagamento.
Nosso objetivo é encontrar formas de tornar a compra mais acessível para que o cliente consiga completar sua casa e melhorar seu conforto, mesmo diante de um cenário econômico mais desafiador.
Quais tendências você acredita que devem ganhar força nos próximos anos no mercado de móveis e decoração?
Acredito que a funcionalidade deve ganhar cada vez mais espaço. Os imóveis estão passando por mudanças, os espaços estão mais compactos e o consumidor busca móveis que sejam bonitos, mas que também resolvam necessidades do dia a dia.
Também vejo uma busca maior por personalização, por ambientes que tenham a identidade de quem mora naquela casa, além da continuidade da influência das redes sociais e dos conteúdos de decoração nas decisões de compra.
Outra tendência é justamente essa integração entre o digital e o físico. O consumidor vai continuar pesquisando e se inspirando online, mas, principalmente no nosso segmento, acredito que a experiência presencial continuará tendo bastante relevância.
Em um setor tão competitivo, como a empresa consegue inovar sem perder sua identidade e a confiança construída com os clientes ao longo dos anos?
Acreditamos que inovar não significa deixar de lado aquilo que construímos ao longo da nossa história. Buscamos manter a qualidade do atendimento, a variedade de produtos e a proximidade com o cliente, ao mesmo tempo em que acompanhamos as novas tendências e formas de consumo.
Também procuramos consolidar cada vez mais nossas parcerias com fornecedores e estar próximos do mercado para identificar novidades e oportunidades.
A nossa identidade está justamente nessa combinação entre experiência e evolução: manter aquilo que funciona e, ao mesmo tempo, estar aberto a melhorar.
O mercado capixaba tem características próprias em relação ao perfil do consumidor e às preferências de compra? E, olhando para os próximos anos, quais são as expectativas para a marca e para o mercado de móveis no Espírito Santo?
O consumidor capixaba ainda valoriza bastante a experiência presencial. No nosso segmento, é importante poder ver o móvel, sentir o material, conferir a qualidade e conversar com um vendedor antes de tomar uma decisão.
Além disso, existe uma valorização muito grande da segurança de um bom atendimento e da confiança na empresa. E isso tem bastante relação com a nossa história no Espírito Santo.
Para os próximos anos, nossa expectativa é continuar expandindo a marca e acompanhando as necessidades dos nossos clientes. Queremos tornar o modelo de compra cada vez melhor, integrando nossos canais, aprimorando o atendimento e mantendo a Danúbio como uma marca relevante e próxima do consumidor capixaba.
Folha Vitoria