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Foto, idade, estado civil: o que realmente precisa aparecer no currículo?

Especialistas em RH explicam se foto, idade, estado civil e outros dados pessoais devem aparecer no currículo e o que priorizar


Foto: Canva

Na hora de montar um currículo, muitas dúvidas surgem entre os candidatos. É preciso colocar foto? Informar idade? Estado civil? Número de filhos? Embora essas informações tenham sido comuns durante muitos anos, especialistas em Recursos Humanos afirmam que o mercado de trabalho tem caminhado para currículos mais objetivos e focados nas competências profissionais.

Segundo a especialista e CEO da Center RH Eliana Machado, a regra geral é simples: quanto mais o currículo estiver concentrado na trajetória profissional do candidato, melhor.

“O ideal é manter o currículo essencialmente profissional, focado em competências, experiências e qualificações“, explicou.

O que realmente é necessário?

Para a identificação e o contato inicial, poucas informações são indispensáveis. Nome completo, telefone, e-mail e cidade onde o candidato reside costumam ser suficientes. Dependendo da vaga, também pode ser interessante incluir o perfil no LinkedIn ou um portfólio profissional.

Por outro lado, dados como idade, estado civil, número de filhos, CPF, RG e endereço completo deixaram de ser considerados relevantes na maioria dos processos seletivos.

Além de não contribuírem para a avaliação da capacidade profissional, essas informações podem aumentar a exposição do candidato a preconceitos e vieses durante a seleção.

Quanto mais informações pessoais que não possuem relação com a capacidade de exercer aquela função forem incluídas, maior pode ser a exposição a vieses conscientes ou inconscientes.

Eliana Machado, especialista em RH

A foto talvez seja um dos itens que mais geram dúvidas. Para Eliana, ela não deve ser encarada como uma informação obrigatória.

“Para a grande maioria das vagas, a foto não é necessária e eu não considero que deva ser uma informação padrão no currículo”, afirma.

A especialista explica que existem funções específicas em que a própria natureza da atividade pode justificar a solicitação de uma imagem, mas esses casos são exceções.

Quando o candidato decide incluir uma foto por iniciativa própria, alguns cuidados são fundamentais. A imagem deve ser recente, profissional, bem iluminada e com um fundo adequado.

O problema é que uma foto inadequada pode acabar prejudicando a candidatura.

“Selfies, fotos recortadas de festas, imagens com outras pessoas, filtros excessivos ou baixa qualidade podem transmitir falta de cuidado”, afirmou.

Por isso, segundo a especialista, se a foto não acrescenta nada relevante ao processo seletivo, muitas vezes a melhor decisão é deixá-la de fora.

O currículo deve destacar o que importa

Para Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach RH, muitos candidatos ainda cometem o erro de preencher o currículo com informações que pouco ajudam o recrutador a entender seu perfil profissional.

Segundo ele, currículos muito longos, com excesso de informações ou experiências sem relação com a vaga acabam perdendo força. O documento precisa ser capaz de mostrar rapidamente quem é aquele profissional e o que ele pode entregar para a empresa.

O currículo não deve contar toda a história profissional da pessoa, mas também não pode ser tão genérico que poderia pertencer a qualquer candidato.

Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach RH

Na avaliação do especialista, o foco deve estar na formação acadêmica, experiências relevantes, responsabilidades exercidas, resultados alcançados, conhecimentos técnicos e competências relacionadas à oportunidade desejada.

Erros de português, informações desatualizadas e problemas de formatação também podem comprometer a primeira impressão.

“O currículo é, muitas vezes, o primeiro contato profissional entre candidato e empresa. Se ele demonstra pouco cuidado, inevitavelmente isso interfere na primeira impressão”, destaca.

Menos informações pessoais, mais resultados

A orientação dos especialistas aponta para uma tendência cada vez mais forte nos processos seletivos: reduzir informações pessoais e ampliar o espaço para aquilo que realmente ajuda a avaliar um profissional.

Experiências, qualificações, cursos, projetos, competências e resultados costumam ter muito mais peso do que dados como idade, estado civil ou fotografia.

No fim das contas, um bom currículo não é aquele que traz mais informações, mas sim aquele que apresenta, de forma clara e objetiva, os motivos pelos quais o candidato é adequado para a vaga.

Folha Vitória

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