No meu artigo da semana passada, em abordagem prospectiva, busquei avaliar possíveis cenários para o município de Aracruz e seu entorno mais imediato tendo como pano de fundo investimentos em curso e em perspectivas, especialmente com foco no complexo portuário.
Para tanto recorri a um método bem simples, que denominei de espelhamento. A escolha, por razões então expostas, recaiu sobre Itajaí, em Santa Catarina. É justamente nesse ponto que o espelhamento se torna mais interessante.
E aqui valem comparações de trajetórias evolutivas que tendem a convergências, naturalmente observados estágios em temporalidades diferentes. Itajaí num estágio avançado de consolidação, de diversificação e sofisticação econômica, e de oferta de externalidades que o torna atraente a investimentos.
Aracruz, por outro lado, encontra-se num estágio de grandes investimentos, sobretudo em infraestrutura portuária, que se somam a investimentos industriais e logísticos, dentre os quais o da montadora GWM, todos com alto potencial de impacto local e regional.
Afinal, estão previstos para lá cerca de R$ 19 bilhões em investimentos, com maior aporte em infraestrutura.
Estágio, que para Itajaí se tornou passado. No espelhamento a expectativa é de que o que aconteceu lá possa acontecer aqui, naturalmente atentando-se para cercas especificidades locais e contextos diferenciados das economias estaduais.
Em grandes agregados, por exemplo, a população, que segue a dinâmica econômica, em Itajaí cresceu 84,3% entre 2005 e 2025 – média anual de 2,71% –, e 24% somente nos últimos 5 anos – 3,26% anual. Itajaí tem hoje uma população de 300 mil.
Trajetória bem diversa de Aracruz, que teve sua população acrescida em 41% entre 2005 e 2025 – taxa anual de 1,83%. E com evolução de 1,43% anuais nos últimos 5 anos. Em 2025 a população de Aracruz registrou 103.363.
Já na dinâmica econômica, espelhada no PIB, as diferenças nas trajetórias dos dois municípios são ainda mais significativas. Enquanto a participação do PIB de Itajaí no PIB total do estado de Santa Catarina passou de 4% em 2002 para 10% em 2023, no caso de Aracruz esses indicadores saíram de 5,2% para 3,7%.
Essas diferenças nas dinâmicas do PIB se refletiram nos respectivos PIB per capita. No caso de Itajaí, passou de R$ 26,4 mil nominais em 2002 para R$ 175,9 mil em 2023. Já o PIB per capita de Aracruz passou de R$ 31,0 mil para R$ 77,8 mil no mesmo período.
Observados os estágios atuais do indicador de complexidade econômica, medido pelo Sebrae através do Observatório Setorial Territorial, que de certa forma mede a capacidade de competir dos dois municípios, vamos também encontrar diferença significativa.
O ICE – Índice de Complexidade Econômica de Itajaí foi estimado em 2,65, enquanto para Aracruz em 1,55. Quanto maior significa mais competitivo.
O que podemos extrair desses números é que, olhando para um horizonte temporal mais longo, Aracruz poderá, em certa medida, passar por processo semelhante ao ocorrido em Itajaí.
Folha Vitoria