Crianças de até 12 anos com diabetes tipo 1 terão direito a receber gratuitamente sensores para monitoramento contínuo da glicose no Espírito Santo. A medida está prevista na Lei nº 12.927, que foi publicada no Diário Oficial na sexta-feira (21).
O dispositivo permite acompanhar os níveis de glicose sem a necessidade de realizar sucessivas medições com a tradicional picada no dedo. O sensor é colocado na parte posterior do braço e transmite informações que ajudam a identificar se a glicose está subindo ou caindo.
Pela nova legislação, o Estado terá 120 dias para realizar a aquisição dos equipamentos e iniciar o fornecimento. A distribuição será feita conforme protocolo estabelecido pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e dependerá de prescrição médica de especialista.
A estimativa é que a medida beneficie cerca de 900 crianças capixabas, com um impacto calculado em aproximadamente R$ 7 milhões por ano.
Como funciona o sensor de glicose?
O sensor de monitoramento contínuo da glicose é um pequeno dispositivo aplicado na parte posterior do braço. Ele acompanha os níveis de glicose no organismo de forma contínua e permite que o paciente visualize as variações ao longo do dia.
Para crianças com diabetes tipo 1, a tecnologia pode facilitar o acompanhamento da doença, já que o controle da glicose precisa ser feito diversas vezes ao longo do dia.
No diabetes tipo 1, o organismo deixa de produzir insulina, hormônio responsável por ajudar a glicose a entrar nas células e ser utilizada como fonte de energia. Por isso, pessoas com a doença precisam fazer reposição de insulina e acompanhar os níveis de glicose regularmente.
Quando o sensor começa a ser distribuído?
A lei estabelece o prazo de 120 dias para que o Estado faça as compras e comece a disponibilizar os sensores.
O fornecimento será realizado pelas Farmácias Cidadãs da Sesa, seguindo os critérios definidos em protocolo e mediante prescrição de médico especialista.
A nova regra é resultado de uma mobilização iniciada em 2023, quando o projeto que deu origem à lei foi apresentado na Assembleia Legislativa. Após a aprovação do texto, houve ainda a análise de um veto, posteriormente derrubado pelos deputados estaduais.
Brasil tem 92,3 mil crianças e adolescentes com diabetes tipo 1
Segundo dados do Atlas da Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil tem cerca de 92,3 mil crianças e adolescentes vivendo com diabetes tipo 1.
O país ocupa a terceira posição mundial em número de casos de DM1 nessa faixa etária, atrás apenas da Índia, com 229,4 mil casos, e dos Estados Unidos, com 157,9 mil.
Folha Vitória