A Fucape Pesquisa e Ensino S.A. pediu à Justiça sua exclusão da tutela cautelar que protege a Apex Partners e outras 177 empresas contra cobranças, bloqueios e execuções. A instituição apresentou a manifestação nesta segunda-feira (24) dentro do processo que tramita na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória. Ou seja, não se trata de uma nova ação na Justiça, mas de um pedido apresentado no processo aberto pela própria Apex.
Na petição, a Fucape afirma que entrou no polo ativo da ação como se Marcelo Brumana Murad, atual presidente interino da Apex, tivesse poderes para representá-la. A instituição sustenta, porém, que a procuração anexada ao processo não partiu de uma pessoa autorizada a falar em seu nome. Segundo os advogados, “inexiste manifestação válida de vontade” da Fucape para participar da tutela cautelar.
A escola de negócios também afirma que não convocou assembleia geral para discutir o ingresso na ação. Tampouco teria submetido o assunto aos acionistas. A defesa aponta “ausência de deliberação societária” e pede “sua exclusão do polo ativo”. Como consequência, a instituição quer que o juiz retire “todos os efeitos processuais e materiais” da medida sobre a companhia.
Pedido pode ampliar revisão sobre empresas
A manifestação abre um novo capítulo no caso Apex. A tutela cautelar, no processo nº 5036987-68.2026.8.08.0024, reúne 178 sociedades e protege temporariamente seus patrimônios contra medidas individuais dos credores. O juiz Marcos Pereira Sanches concedeu a proteção após a Apex apresentar passivo líquido consolidado de R$ 975 milhões e endividamento bruto preliminar de R$ 985,6 milhões. A medida antecede um possível pedido de recuperação judicial.
A Fucape mantém uma relação societária com o ecossistema da Apex. Em 2025, o fundo ABMPar, ligado ao grupo financeiro, comprou as ações que pertenciam a Aridelmo Teixeira, um dos fundadores da instituição. Mesmo assim, a Fucape quer separar sua atividade educacional da crise financeira da Apex e sustenta que não autorizou sua inclusão entre as empresas que solicitaram proteção judicial.
Até o fechamento desta coluna, o juiz ainda não havia decidido sobre o pedido. Caso reconheça o problema de representação, a Justiça poderá retirar apenas a Fucape da tutela. A manifestação, no entanto, também pode levar à conferência das procurações e autorizações societárias das demais empresas. O processo precisará esclarecer quem aprovou a inclusão de cada companhia e se a Apex possuía poderes válidos para representar todas as 178 sociedades.
A Apex foi acionada para responder sobre o caso. A assessoria de imprensa da companhia afirmou que não enviaria resposta. A coluna segue aberta a esclarecimentos da empresa.
Folha Vitoria