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Saúde

9 sinais de que uma pessoa não está bem e o que você pode fazer para ajudar

Especialistas explicam o que observar, como conversar sem julgamentos e quando é indicado buscar ajuda profissional


Imagem de rawpixel.com no Magnific

Nem sempre uma pessoa que está passando por sofrimento emocional demonstra tristeza ou fala abertamente sobre o que está sentindo. Em alguns casos, os sinais aparecem na mudança da rotina, no comportamento e na forma como ela passa a se relacionar com familiares, amigos e colegas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. Para cada morte, há provavelmente mais de 20 tentativas.

No Brasil, uma estimativa do Ministério da Saúde aponta prevalência de depressão ao longo da vida de cerca de 15,5% das pessoas. No Espírito Santo, o Anuário Estadual da Segurança Pública registrou 786 ocorrências de suicídio em 2024.

Observar as alterações de comportamento pode ser importante para oferecer ajuda no momento certo e evitar que números como estes cresçam. Por isso, no Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida, o Folha Vitória perguntou a especialistas o que fazer quando perceber que uma pessoa precisa de ajuda. Confira!

O isolamento é um dos sinais que, segundo a psicóloga Marília Zanette, da Bluzz Saúde, pode acabar sendo subestimado.

A pessoa que sempre gostou de encontrar amigos, conversar com familiares ou participar de atividades pode começar a se afastar. Passa a recusar convites, evita contato e prefere ficar sozinha.

O psiquiatra Marcello Pirama Baptista, cooperado da Unimed Sul Capixaba, explica que muitas vezes esse comportamento é interpretado como uma fase ou simplesmente como uma característica da personalidade.

Algumas mudanças merecem atenção, principalmente quando são persistentes e diferentes do comportamento habitual da pessoa.

Psiquiatra Marcello Pirama Baptista, cooperado da Unimed Sul Capixaba

2. Perda de interesse por atividades

Outro sinal é deixar de fazer aquilo que antes despertava interesse, como abandonar um esporte, um hobby, encontros com amigos ou outras atividades que faziam parte da rotina.

Para Marília, a perda de interesse é especialmente relevante quando aparece junto com outras mudanças.

Isso não significa que deixar de gostar temporariamente de uma atividade seja, por si só, um sinal de transtorno. O que importa é perceber se houve uma mudança significativa e persistente.

3. Queda no trabalho, nos estudos ou na rotina

Dificuldade para se concentrar, queda no rendimento, faltas frequentes e abandono de compromissos podem ser manifestações de sofrimento emocional. O sinal fica mais relevante quando existe uma diferença clara em relação ao comportamento anterior.

Marília explica que é preciso observar três aspectos para entender quando uma situação merece avaliação profissional: intensidade, duração e prejuízo funcional.

Quando o sofrimento persiste, é intenso ou interfere significativamente na rotina, nos relacionamentos, no trabalho, nos estudos ou no autocuidado, é indicado buscar avaliação profissional.

Marília Zanette, psicóloga da Bluzz Saúde

4. Irritabilidade e agitação

Nem todo sofrimento emocional aparece como tristeza. Algumas pessoas podem ficar mais irritadas, impacientes, agitadas ou agressivas.

Nem todo sofrimento aparece como tristeza. Algumas pessoas ficam mais irritadas, agitadas, agressivas ou passam a se ocupar excessivamente para não entrar em contato com aquilo que estão sentindo. Outras simplesmente se fecham.

Psiquiatra Marcello Pirama Baptista, cooperado da Unimed Sul Capixaba

Marília também aponta a irritabilidade e a apatia entre as mudanças que merecem atenção.

Por isso, uma alteração significativa no temperamento pode ser um sinal de que é hora de se aproximar e tentar entender o que está acontecendo.

5. Mudanças no apetite e no autocuidado

Marcello explica que também é preciso observar quando a pessoa deixa de cuidar de si ou passa a ter dificuldades para manter atividades básicas do dia a dia.

Comer muito mais ou muito menos, abandonar hábitos de higiene, deixar de cuidar da própria aparência ou não conseguir manter tarefas básicas também são sinais que podem acompanhar um quadro de sofrimento.

6. Mudanças importantes no sono

Dormir muito mais ou muito menos do que o habitual também pode indicar que alguma coisa não vai bem. A insônia ou o excesso de sono podem aparecer junto com alterações no apetite, dificuldade de concentração e perda de disposição para realizar atividades cotidianas.

“Essas mudanças podem ser sinais de sofrimento emocional, especialmente quando acontecem de forma persistente e sem uma explicação clara”, afirma Marcello.

Segundo o psiquiatra, é preciso observar também o impacto dessas alterações. Dormir mal ocasionalmente, por exemplo, não significa necessariamente que exista um problema de saúde mental.

7. Aumento do consumo de álcool ou outras drogas

O uso de álcool ou outras substâncias também pode mudar quando uma pessoa está enfrentando sofrimento emocional. O mesmo vale para comportamentos compulsivos.

O alerta aumenta quando esse consumo representa uma mudança brusca ou passa a ser utilizado como uma forma de lidar com aquilo que a pessoa está sentindo.

8. Desesperança e sensação de que não há saída

Algumas falas podem revelar um sofrimento que nem sempre é percebido por quem está ao redor. “Falas de desesperança, inutilidade ou de que a vida perdeu o sentido também devem ser consideradas sinais de alerta”, afirma Marília.

Marcello chama atenção para frases que podem parecer passageiras, como “queria desaparecer”, “não aguento mais” ou “seria melhor não estar aqui”.

“Qualquer fala relacionada à morte, ao desejo de desaparecer ou de não estar mais aqui deve ser acolhida e levada a sério, mesmo quando não sabemos exatamente o que a pessoa quis dizer”, explica.

9. Comportamentos impulsivos ou mudanças bruscas

Alterações repentinas na maneira de agir também precisam ser observadas. A pessoa pode se tornar mais impulsiva, assumir riscos que não costumava assumir, abandonar atividades importantes ou se afastar de pessoas próximas.

Marcello acrescenta que uma pessoa pode passar por um período de sofrimento intenso e, depois, apresentar uma mudança repentina para um estado de aparente tranquilidade.

Os sinais não significam, sozinhos, um diagnóstico

É importante não transformar uma lista de comportamentos em uma ferramenta para diagnosticar alguém.

Isolamento, irritabilidade, alteração no sono, perda de interesse ou queda no rendimento podem acontecer por diferentes motivos. Sozinhos, não permitem afirmar que uma pessoa tenha depressão, ansiedade ou outro transtorno.

Essas alterações podem ser manifestações de sofrimento emocional. Isoladamente, não permitem estabelecer um diagnóstico, mas quando são persistentes ou acompanhadas de outras mudanças comportamentais, merecem atenção.

Marília Zanette, psicóloga da Bluzz Saúde

Para a psicóloga, a análise deve considerar a intensidade das mudanças, quanto tempo elas permanecem e o prejuízo que provocam na vida da pessoa.

“”A tristeza faz parte da vida e pode acontecer diante de perdas, frustrações e outras situações difíceis. O que chama atenção é quando o sofrimento é muito intenso, persiste por um período prolongado, interfere na rotina ou faz com que a pessoa deixe de conseguir realizar atividades básicas”, afirma Marcello.

Como abordar alguém que apresenta esses sinais?

Perceber uma mudança é apenas o primeiro passo. A forma de abordar a pessoa também pode fazer diferença.

A orientação dos especialistas é evitar julgamentos e começar a conversa demonstrando preocupação genuína. O mais importante é ouvir, em vez de tentar imediatamente apresentar soluções.

“A abordagem deve ser acolhedora, direta e sem julgamentos. É importante demonstrar preocupação, ouvir e incentivar a busca por ajuda”, orienta Marília.

Segundo Marcello, críticas, comparações e cobranças podem fazer com que a pessoa se sinta ainda mais incompreendida. Frases como “isso é falta de força”, “você precisa reagir”, “pense positivo” ou “tem gente passando por coisas piores” devem ser evitadas.

Quando existem sinais de alerta, uma das dúvidas mais comuns é se perguntar diretamente sobre suicídio pode piorar a situação. A resposta é não.

“Perguntar de forma direta e acolhedora não provoca o comportamento suicida. Pelo contrário, pode abrir uma oportunidade para a pessoa falar sobre algo que talvez estivesse guardando sozinha”, afirma o psiquiatra.

Quando procurar ajuda profissional?

Quando o sofrimento começa a interferir nos relacionamentos, no trabalho, nos estudos, na rotina ou na capacidade de cuidar de si, já é indicado procurar ajuda. Marcello reforça que o atendimento pode ser procurado antes de uma situação chegar a um nível grave.

Não é preciso esperar uma crise para procurar ajuda. Quando o sofrimento começa a interferir na rotina, nos relacionamentos ou na capacidade de cuidar de si, já é um bom momento para buscar avaliação.

Psiquiatra Marcello Pirama Baptista, cooperado da Unimed Sul Capixaba

Centro de Valorização da Vida (CVV): telefone 188, funcionamento 24 horas por dia e sem custo de ligação.

Em situação de risco imediato: procure um serviço de urgência e emergência e não deixe a pessoa sozinha.

Folha Vitória

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