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Economia

A longevidade redesenha o morar e transforma o mercado imobiliário

Com mais brasileiros vivendo além dos 60 anos, projetos imobiliários passam a valorizar autonomia, bem-estar e tecnologia


Foto: Canva

*Artigo escrito por Cecília Zon, CEO da Invite Inc.

Durante muito tempo, pensar a casa para uma vida longa significou falar de adaptações. Hoje, a conversa é outra. Uma geração que chega aos 60, 70 e 80 anos ativa, conectada e dona das próprias escolhas está provocando uma revisão muito mais ampla sobre o morar. E o mercado imobiliário já percebeu essa mudança.

Os números dão a dimensão dessa transformação. O Brasil já tem mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo o Censo 2022 do IBGE, e a projeção da FGV EAESP é de que esse contingente alcance 66,5 milhões em 2050.

Além de uma mudança demográfica, estamos falando de pessoas que trabalham, viajam, consomem, recebem amigos, cultivam interesses e fazem planos para as próximas décadas, conciliando a proximidade da família com independência, privacidade e liberdade.

Em mercados onde esse movimento começou mais cedo, as transformações já chegaram ao imobiliário.

Nos Estados Unidos, novos modelos residenciais voltados a esse público apresentam altos índices de ocupação, enquanto o seniors housing movimentou US$ 24 bilhões em transações em 2025, o maior volume em uma década, segundo a JLL.

É um sinal de que a longevidade começa a influenciar também a forma de pensar e desenvolver novos produtos imobiliários.

Mas é na concepção dos projetos que essa mudança fica especialmente interessante. A imagem de residenciais marcados pela idade e pela dependência vem dando lugar a propostas que falam de estilo de vida.

Comunidades Active Adult privilegiam autonomia e vida social. Modelos de Independent Living acrescentam conveniência e serviços.

Outros projetos se aproximam da hotelaria e incorporam wellness, gastronomia, tecnologia, atividade física, espaços de encontro e serviços personalizados.

Até o cuidado assume outro lugar. Em vez de definir o ambiente, pode estar disponível de maneira discreta e gradual, acompanhando as necessidades de cada morador.

A arquitetura também responde a esse olhar: circulação confortável, desenho universal, tecnologia intuitiva e soluções de segurança passam a integrar o projeto sem lhe conferir uma estética associada ao envelhecimento.

O Brasil começa a absorver esse repertório à sua maneira. Nossa relação com a família, com a casa, com os serviços e com a própria cidade é particular e certamente produzirá outras respostas.

É justamente aí que reside a riqueza dessa tendência: ela não apresenta uma fórmula pronta, mas introduz novos critérios para pensar o valor e a permanência de um imóvel.

Para quem projeta e desenvolve, longevidade passa a fazer parte da leitura de comportamento. Um bom projeto precisa compreender o presente de quem irá habitá-lo, mas também permitir que escolhas, rotinas e necessidades evoluam sem que a casa rapidamente deixe de fazer sentido.

Esse olhar tem especial afinidade com o trabalho de uma incorporadora boutique, onde cada decisão de arquitetura, design e serviço nasce de uma compreensão mais cuidadosa de quem vai viver aquele espaço. Antecipar comportamentos também é parte de projetar.

A longevidade já redesenha o morar porque mudou uma premissa essencial: temos mais vida pela frente. E, quando o tempo se amplia, cresce também o valor de uma casa que preserve independência, acolha mudanças e nos permita continuar escolhendo como queremos viver.

Folha Vitoria

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