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Saúde

Ninguém deveria precisar chegar ao limite para ser ouvido

Setembro Amarelo reforça a importância de ouvir sem julgamento


Imagem: Magnific

Quando uma pessoa diz que não está bem, você consegue simplesmente ouvi-la ou tenta logo mostrar que ela precisa reagir?

É comum responder ao sofrimento do outro com frases como “você tem tudo”, “pense positivo”, “isso vai passar” ou “tem gente vivendo coisas muito piores”. Geralmente, essas palavras são ditas com a intenção de ajudar.

Para quem está emocionalmente fragilizado, porém, elas podem aumentar a sensação de que ninguém compreende o que está acontecendo.

Nem sempre o sofrimento aparece por fora

Uma pessoa em sofrimento emocional nem sempre pede ajuda de forma clara. Algumas continuam trabalhando, cuidando dos filhos, encontrando amigos e até sorrindo. Por fora, parecem estar dando conta de tudo. Por dentro, podem estar enfrentando dificuldades diariamente.

Também não existe uma única maneira de manifestar sofrimento intenso ou pensamentos suicidas. Por isso, mudanças importantes de comportamento precisam ser levadas a sério, especialmente quando aparecem juntas ou se intensificam.

Entre os sinais de alerta estão:

Afastamento de familiares e amigos;

Perda de interesse por atividades antes prazerosas;

Falas sobre desaparecer ou não ter mais motivos para viver;

Mudanças bruscas de comportamento;

Sensação de ser um peso para os outros.

Falas sobre suicídio precisam ser levadas a sério

Quando alguém diz que está cansado de viver ou que seria melhor desaparecer, a fala não deve ser tratada como brincadeira, exagero ou tentativa de chamar atenção.

Mesmo quando existe um pedido de atenção, a questão central deve ser outra: por que essa pessoa precisou chegar a esse ponto para ser ouvida?

Escutar com seriedade não significa concordar com tudo nem ter respostas prontas. Significa reconhecer que aquela dor merece cuidado.

Acolher é ouvir sem julgamento

Na tentativa de tirar alguém do sofrimento, podemos começar a dar conselhos, fazer comparações ou listar tudo de bom que a pessoa tem. Mas, muitas vezes, ela precisa primeiro sentir que pode falar sem ser julgada.

Algumas frases podem ajudar nesse momento:

“Eu estou aqui com você.”

“Quero entender o que você está sentindo.”

“Você não precisa enfrentar isso sozinho.”

“Vamos procurar ajuda juntos.”

“O que posso fazer para ajudar agora?”

O mais importante é demonstrar interesse verdadeiro, evitar interromper e não mudar de assunto diante de uma fala difícil.

Família e amigos não precisam resolver tudo sozinhos

O acolhimento de pessoas próximas é importante, mas não substitui o acompanhamento profissional. O sofrimento emocional intenso precisa ser avaliado por profissionais de saúde, que podem orientar o cuidado adequado.

Quando houver risco imediato de suicídio, a pessoa não deve ficar sozinha. É necessário buscar atendimento de emergência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, pelo número 192. O Centro de Valorização da Vida também oferece apoio emocional pelo telefone 188.

Cuidado com a saúde mental deve acontecer o ano inteiro

O Setembro Amarelo amplia a conscientização sobre a prevenção ao suicídio, mas o cuidado com a saúde mental não deve se limitar a um mês do ano.

É necessário aprender a perceber mudanças no comportamento, abrir espaço para conversas e compreender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, falta de fé, ingratidão ou incapacidade de lidar com a própria vida.

Nenhuma dor precisa se tornar insuportável para merecer cuidado. Nem sempre será possível retirar o sofrimento de alguém, mas podemos ajudar essa pessoa a não atravessar o momento sozinha.

Folha Vitória

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