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Economia

Fórum nacional debate gargalos logísticos e futuro dos portos do Brasil

Evento promovido pela RECORD Litoral e Vale reuniu autoridades e representantes do setor para discutir o Custo Brasil, investimentos e alternativas para ampliar a capacidade logística


(Foto: Reprodução/Record

A força do agronegócio e da indústria brasileira não depende apenas da capacidade de produzir. Para que uma safra recorde ou uma grande produção industrial consiga chegar aos mercados nacionais e internacionais, é preciso superar um dos principais desafios do país: a logística.

Estradas, ferrovias, portos e a integração entre diferentes modais de transporte são fundamentais para reduzir custos, aumentar a eficiência e garantir que o Brasil consiga acompanhar o crescimento da demanda.

Foi justamente esse cenário que esteve no centro do 5º Fórum Conexão Porto & Indústria, promovido pela Record Litoral e Vale, em parceria com a Record News.

O encontro reuniu autoridades, empresários e representantes de diferentes segmentos ligados à cadeia de exportação para discutir o chamado Custo Brasil e os desafios de infraestrutura que ainda limitam a competitividade brasileira.

Um dos principais pontos levantados durante o evento foi a dificuldade enfrentada por produtores que estão distantes dos grandes centros portuários.

No caso da soja, um dos principais produtos brasileiros destinados ao mercado internacional, a distância entre as áreas de produção e os portos representa um peso significativo no custo final da operação.

O custo rodoviário hoje, para nós que estamos lá no centro do país, praticamente ali na linha do Equador, então para todo lado que nós saímos, a distância é muito longa e o custo fica muito alto.

Diogo Balistieri, vice-presidente da Aprosoja-MT

A declaração resume um dos principais desafios do agronegócio brasileiro: produzir em regiões cada vez mais distantes dos portos e, ao mesmo tempo, conseguir transportar grandes volumes de mercadorias de maneira rápida, segura e competitiva.

Porto de Santos concentra grande movimentação

Nesse cenário, o Porto de Santos ocupa uma posição estratégica. A Rodovia Anchieta é uma das principais ligações utilizadas para o transporte de cargas até o complexo portuário, que concentra uma parcela expressiva da movimentação de mercadorias do país.

Somente nos primeiros sete meses deste ano, quase 110 milhões de toneladas de mercadorias entraram ou saíram do Brasil pelo Porto de Santos. O volume supera a soma da movimentação de outros sete grandes portos brasileiros.

E a tendência é de crescimento. Um estudo elaborado por operadores portuários aponta que, até 2035, a movimentação média anual de cargas no Porto de Santos poderá crescer cerca de 60%.

O aumento previsto coloca pressão sobre toda a estrutura de transporte que abastece o porto. Não basta ampliar os terminais portuários se caminhões e trens não tiverem capacidade para transportar a carga até o destino com eficiência.

Para Ricardo Molitzas, diretor-executivo do Sopesp, a discussão sobre os investimentos necessários para acompanhar esse crescimento precisa começar imediatamente.

A gente precisa começar a discutir agora os próximos passos de investimentos no ambiente rodoviário que a gente vai precisar para suportar esse crescimento com eficiência

Ricardo Molitzas, diretor-executivo do Sopesp

Durante o fórum, representantes do setor também defenderam uma maior integração entre os diferentes meios de transporte. A combinação entre ferrovias e rodovias aparece como uma alternativa para reduzir custos e aumentar a capacidade de movimentação.

Para Luciano Johnsson, CEO da Brada Logística, o desafio está justamente em encontrar a melhor utilização de cada modal ao longo do percurso.

Nosso grande desafio é combinar o melhor do trem na longa distância, que traz segurança e capacidade de transporte, com o caminhão na origem e no destino na entrega final.

Luciano Johnsson, CEO da Brada Logística

A estratégia conhecida como integração multimodal permite utilizar o caminhão em trechos nos quais ele é mais eficiente e concentrar o transporte ferroviário em grandes distâncias, onde a capacidade de carga pode representar uma vantagem importante.

A necessidade de preparar a infraestrutura para o aumento da movimentação também foi destacada pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, que participou da abertura do fórum.

Durante o evento, o ministro anunciou a criação de um grupo de trabalho voltado ao acompanhamento da capacidade dos portos brasileiros e dos possíveis pontos de saturação do sistema.

Segundo Tomé França, a proposta é identificar de forma mais precisa a demanda existente, a capacidade instalada e a qualidade do serviço oferecido em cada complexo portuário.

Nosso grande desafio é combinar o melhor do trem na longa distância, que traz segurança e capacidade de transporte, com o caminhão na origem e no destino na entrega final.

Tomé França, ministro de Portos e Aeroportos

A iniciativa busca antecipar problemas diante do crescimento esperado da movimentação de cargas. Com a expansão das exportações brasileiras, a preocupação é evitar que a falta de infraestrutura se transforme em um obstáculo para o desenvolvimento econômico.

Conexão para fortalecer o Brasil

As grandes obras necessárias para preparar o sistema logístico para os próximos anos também fizeram parte dos debates. Entre os projetos discutidos está a construção do túnel entre Santos e Guarujá, além da implantação de novas alternativas rodoviárias para o transporte de caminhões.

Outro assunto foi o leilão de um novo mega terminal no Porto de Santos, dentro de um cenário de ampliação da estrutura portuária.

O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, destacou o volume de recursos destinado à modernização do complexo.

O Porto fará um investimento histórico que já começou há três anos atrás. Investimento de 12,5 bilhões.

Anderson Pomini, presidente da APS

Os investimentos têm como objetivo ampliar a capacidade do porto e preparar a estrutura para uma movimentação cada vez maior de cargas. A expectativa é que as obras e projetos de expansão contribuam para reduzir gargalos e melhorar a eficiência das operações.

Além de discutir obras, infraestrutura e investimentos, o fórum também teve como objetivo aproximar diferentes setores envolvidos no desenvolvimento econômico do país.

Para André Dias, superintendente da Rede Record, essa integração é fundamental para transformar os debates em ações capazes de gerar resultados para a economia brasileira. A atuação da emissora também passa por acompanhar e dar visibilidade a essas conexões entre empresas, autoridades e diferentes setores da economia.

A conexão é o caminho mais eficiente para o sucesso, não importa qual seja o segmento. A Record acompanha essas conexões de perto, exatamente para informar à população o Brasil que dá certo, aonde que a economia está forte, aonde que o empresariado está investindo. Isso fortalece muito a imagem do Brasil, não só dentro, como também fora.

André Dias, superintendente da Rede Record

Diálogo entre setor público e iniciativa privada

O fórum também reforçou a importância do diálogo entre empresas, operadores portuários, terminais, setor produtivo e poder público na busca por soluções para os gargalos existentes.

A proposta é encontrar medidas que possam melhorar a eficiência no curto prazo, mas também planejar grandes obras capazes de atender às necessidades futuras.

A programação foi dividida em painéis voltados tanto para soluções operacionais imediatas quanto para os investimentos estruturais necessários nos próximos anos. O objetivo foi discutir caminhos para que o sistema portuário brasileiro consiga acompanhar o crescimento da produção e das exportações.

Folha Vitoria

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