*Artigo escrito por Samir Nemer, advogado tributarista e empresarial, mestre em Direito Tributário e sócio do escritório FurtadoNemer Advogados
O mapa dos investimentos internacionais está mudando, e o Espírito Santo aparece cada vez mais próximo do centro dessa transformação. Se, no passado, os grandes fundos do Oriente Médio eram associados principalmente ao petróleo e à energia, hoje suas estratégias alcançam setores como infraestrutura, saneamento, saúde, educação, logística, mineração e tecnologia.
Para o Estado, essa mudança representa a possibilidade de inserir empresas e ativos capixabas em uma agenda global de investimentos de longo prazo.
Os movimentos recentes ajudam a dimensionar esse interesse. O fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi, comprou a Universidade Vila Velha (UVV), por meio da Clariens Educação, operação aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A TAQA, também dos Emirados Árabes, passou a controlar mais de R$ 10 bilhões em ativos de saneamento da GS Inima no Espírito Santo.
No setor de saúde, o fundo soberano de Singapura Temasek detém 15% da MedSênior, participação que contribuiu para a expansão da empresa capixaba para outros mercados brasileiros.
Os fundos soberanos e grandes grupos empresariais do Oriente Médio têm ampliado sua presença internacional como parte de uma estratégia de diversificação econômica.
Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar passaram a direcionar recursos para ativos produtivos em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os investimentos desses fundos já ultrapassaram US$ 14 bilhões, com aportes em setores como energia renovável, infraestrutura, alimentos, mineração e biocombustíveis.
O país apresenta características que dialogam diretamente com essa estratégia: um dos maiores mercados consumidores do mundo, abundância de recursos naturais, produção de alimentos em larga escala, minerais estratégicos, matriz elétrica predominantemente renovável e potencial para novas fontes de energia.
O Espírito Santo acrescenta a esse conjunto localização estratégica, estrutura portuária, vocação para o comércio exterior e experiência em concessões.
Setores capixabas como logística, petróleo e gás, energia, infraestrutura, saúde e agronegócio apresentam oportunidades alinhadas ao perfil dos investidores do Oriente Médio e também da Ásia.
Tenho acompanhado esse movimento em contatos institucionais e acredito que o Espírito Santo reúne condições para captar uma parcela cada vez maior desse fluxo de capital, especialmente se continuar ampliando sua promoção internacional e a aproximação com investidores estrangeiros.
Para as empresas capixabas, o recado é: o interesse estrangeiro pode abrir portas, mas estar preparado para atravessá-las é responsabilidade de cada negócio.
Investidores árabes não procuram apenas empresas rentáveis, procuram parceiros capazes de sustentar relações de longo prazo.
Diante do crescente interesse do capital árabe pelo Brasil, essa confiança pode ser o diferencial que permitirá ao Espírito Santo transformar oportunidades internacionais em investimentos, expansão empresarial e desenvolvimento econômico.
Folha Vitoria