A expansão da saúde para o interior do Espírito Santo vem sendo acompanhada por iniciativas voltadas à qualificação da assistência. Em Colatina, por exemplo, o São Bernardo Apart Hospital manteve a Acreditação ONA Nível 1, após passar pela primeira avaliação de manutenção desde a conquista da certificação, em 2025. O processo reforça a importância de padrões de segurança e qualidade à medida que novos polos de atendimento se consolidam fora da Grande Vitória.
O movimento acompanha uma transformação no mapa da assistência e do mercado de trabalho em saúde no Estado. Conforme mostrou recente levantamento do Caged Saúde, no primeiro semestre de 2026, o setor abriu 1.855 novos postos de trabalho formais no Espírito Santo, sendo que municípios como Linhares, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim vêm ganhando espaço na geração de empregos e na consolidação de polos regionais de atendimento.
Mas regionalizar a assistência não significa apenas ampliar o número de serviços disponíveis. À medida que novos polos se consolidam, também cresce a importância de processos capazes de garantir atendimento seguro, organizado e baseado em padrões de qualidade.
Qualidade como parte da expansão
Em Colatina, um exemplo desse movimento está no São Bernardo Apart Hospital, que manteve a Acreditação ONA Nível 1 após concluir a primeira avaliação de manutenção desde a conquista da certificação, em 2025.
A avaliação verifica a continuidade dos padrões estabelecidos pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), considerando aspectos relacionados à segurança do paciente, gestão de riscos, organização dos processos e qualidade da assistência.
Na prática, a manutenção da acreditação significa que os procedimentos e protocolos avaliados no processo inicial precisam continuar incorporados à rotina da instituição. A análise considera evidências da aplicação desses processos nas áreas assistenciais, administrativas e de apoio.
Para Cleber Maia Filho, diretor técnico do São Bernardo Apart Hospital, a manutenção da certificação está relacionada à continuidade do trabalho das equipes.
“Manter a acreditação ONA demonstra que estamos evoluindo de forma consistente, com processos voltados à segurança e à qualidade da assistência. É uma conquista construída diariamente por todos os profissionais do hospital e, principalmente, um compromisso permanente com nossos pacientes”.
Acreditação vai além do selo
A Acreditação ONA utiliza padrões nacionais para avaliar instituições de saúde e estimular a adoção de práticas voltadas à segurança e à melhoria dos processos. No Nível 1, a avaliação tem como foco o atendimento aos critérios de segurança previstos no Manual Brasileiro de Acreditação.
Mais do que representar uma certificação, o processo estabelece uma rotina de acompanhamento. Depois da conquista inicial, as instituições passam por avaliações periódicas para verificar se os requisitos continuam sendo cumpridos e se os processos seguem incorporados ao funcionamento da unidade.
É justamente essa continuidade que ganha relevância quando observada dentro do processo de interiorização da saúde. A ampliação da assistência em cidades como Colatina, Linhares e Cachoeiro pode aproximar serviços da população, mas a descentralização também precisa vir acompanhada de estruturas preparadas, profissionais qualificados e processos assistenciais seguros.
Um novo desafio para os polos regionais
A consolidação de polos de saúde no interior pode representar uma mudança importante para pacientes que hoje precisam se deslocar para a Grande Vitória em busca de determinados atendimentos. Quanto maior a capacidade instalada e a oferta de serviços especializados nas cidades do interior, maior pode ser a possibilidade de resolver demandas mais próximas do local onde as pessoas vivem.
Além disso, nesse cenário, qualidade e segurança deixam de ser apenas atributos de uma instituição e passam a fazer parte do próprio processo de regionalização da assistência.
O avanço dos empregos e dos serviços de saúde mostra que o interior capixaba está ganhando espaço nesse novo mapa. O próximo passo é garantir que esse crescimento seja acompanhado pela maturidade dos processos, pela qualificação das equipes e por uma assistência cada vez mais segura.
Portanto, a expansão, não se resume a levar mais saúde para o interior. É também fazer com que a população encontre, mais perto de casa, um atendimento que combine acesso, qualidade e segurança.
Folha Vitória