A obra As seis lições, de Ludwig von Mises, foi baseada em uma série de palestras que Mises realizou na Argentina em 1959. O livro é composto pela transcrição de seis palestras, apresentando uma linguagem acessível e a explicação de conceitos econômicos complexos esclarecendo os benefícios do pensamento econômico liberal dentro de uma sociedade. A obra supracitada foi dividida em capítulos que abordam tópicos fundamentais da economia: capitalismo, o socialismo, o intervencionismo, a inflação, o investimento estrangeiro e a relação da política com as ideias.
Capitalismo: progresso e liberdade
No primeiro capítulo, referente à primeira palestra, Mises destaca o capitalismo como o sistema econômico mais adequado para a sociedade. Esse sistema surge a partir de uma crítica situação social ocorrida na Inglaterra no século XVII. Nessa época, o país, com cerca de seis a sete milhões de habitantes, possuía entre um até dois milhões de pessoas em situação de miséria que ameaçavam o sistema social vigente. Foi dessa parcela da população, formada por indivíduos sem ocupação, que surgiu a economia capitalista moderna, por meio da criação de pequenos negócios voltados à produção de artigos baratos que pudessem atender às necessidades de toda a população, e não somente da elite.
Baseando-se na divisão do trabalho e na cooperação entre os indivíduos, foi por meio do capitalismo que a população alcançou um padrão de vida mais elevado, pois o sistema atende às necessidades da crescente população os anseios sociais por meio da produção em massa. Antes do capitalismo e da produção em massa, o status social de um homem permanecia inalterado, pois era herdado de família, dessa forma o pobre continuaria pobre até o final da sua vida. Para Mises, o capitalismo é sinônimo de progresso.
Críticas ao socialismo e intervencionismo
A segunda lição trazida pelo autor é o socialismo. Mises inicia o capítulo esclarecendo que socialismo e liberdade econômica são conceitos que não coexistem, já que o poder das pessoas de escolherem seu modo de vida é corrompido pelo sistema.
Nesse sistema, todas as determinações são geridas pelo governo. Quando o poder é concentrado nas mãos do Estado, ocorre a violação dos direitos individuais. Mises destaca que, quando há economia de mercado, os indivíduos têm a liberdade de escolher a carreira que deseja seguir. No sistema socialista, por sua vez, as carreiras são decididas por decreto do governo.
No terceiro capítulo, Mises aborda o intervencionismo estatal na economia. Essa política tenta assimilar elementos do capitalismo e do socialismo. O autor inicia o capítulo destacando que “o melhor governa é aquele que menos governa”. Mises defende a existência de um governo, mas ressalta que deve limitar-se às funções legitimas, como a proteção dos cidadãos e da livre sociedade.
Nesta lição, o economista aborda sobre as empresas geridas pelo governo, que se financiam por meio dos impostos. Mesmo essas empresas operando em déficit, são as tributações que continuam sustentando sua existência, com o governo aplicando os recursos da população onde bem entender. Como consequência negativa desse tipo de regime, Mises destaca o aumento da corrupção e a serviços públicos ineficientes.
Inflação e investimentos estrangeiros
A inflação é abordada na quarta lição. O autor destaca que a inflação é mais do que um simples aumento dos preços, sendo, na verdade, o aumento da quantidade de dinheiro circulando na economia. Quando o governo aumenta a emissão da moeda, o poder de compra da população diminui consideravelmente, já que o resultado é a elevação de preços. Trata-se de um método que desorganiza o sistema econômico e tem como resultado o colapso da economia de um país e a desvalorização da moeda. O autor enfatiza que não é possível criar prosperidade ou aumentar o número de empregos por meio da emissão de moeda.
A quinta lição aborda os investimentos externos. O autor destaca que esses investimentos são muito importantes para o desenvolvimento de um país, pois trazem capital contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população. Mises destaca que a principal diferença entre os países desenvolvidos para aqueles em desenvolvimentos é o salário médio da população. Segundo o autor, isso se deve ao nível de tecnologia e ferramentas disponíveis. Quanto maior for o desenvolvimento tecnológico, maior produção e, consequentemente, mais elevados tendem a ser os salários. O investimento estrangeiro contribui para o investimento em tecnologia, fomentando a produção e, consequentemente, gerando mais capital.
A importância das ideias na política
Em sua última palestra, o autor trata da política e ideias. Para Mises, são as ideias que têm o poder de iluminar a escuridão, destacando a importância da disseminação de ideias corretas e do combate àquelas consideradas equivocadas tendo como objetivo o bem na nação. No capítulo, o autor evidencia os problemas causados por ideias erradas como o socialismo, o protecionismo e o intervencionismo.
Embora escrita em 1959, a obra aborda conceitos relevantes na sociedade atual. O texto serve como uma boa introdução às ideias do liberalismo, ressaltando a importância do capitalismo, da propriedade privada e da liberdade de iniciativa para o crescimento. Se essas ideias fossem mais conhecidas e difundidas, provavelmente haveria menos espaço para políticas socialistas e intervencionistas em diferentes países.
Folha Vitoria