Cães domésticos de médio e grande porte poderão participar de uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) que busca treinar animais para identificar sinais de câncer, tuberculose e esquistossomose por meio do olfato.
O projeto está cadastrando voluntários e procura cães ativos, brincalhões e motivados por comida. A participação é gratuita. Os interessados podem entrar em contato pelo WhatsApp (51) 99981-8599, pelo e-mail caes.cancer@gmail.com ou pelo perfil @caes.cancer no Instagram.
As atividades serão realizadas no Centro de Ciências da Saúde (CCS/Ufes), em Maruípe, Vitória. As sessões devem durar entre uma e duas horas, uma ou duas vezes por semana. O estudo terá duração de quatro anos.
Segundo os pesquisadores, o treinamento será baseado em reforço positivo. Os cães receberão recompensas quando identificarem corretamente amostras associadas às doenças estudadas. As amostras ficarão armazenadas em recipientes fechados e passarão por processos de segurança antes dos testes, sem contato direto com os animais.
A iniciativa reúne pesquisadores de diferentes áreas e conta com a participação de instituições brasileiras e estrangeiras. Nos testes, os cães analisarão amostras organizadas em um equipamento automatizado que reduz a interferência humana durante o processo.
De acordo com os responsáveis pelo estudo, a proposta é avaliar a capacidade dos cães de reconhecer padrões químicos associados às doenças. Em uma etapa futura, também poderá ser estudada a identificação de casos suspeitos de melanoma, um tipo de câncer de pele.
A pesquisa combina o treinamento dos cães com técnicas de análise química de amostras biológicas, como urina e ar expirado. A intenção é desenvolver uma ferramenta de triagem que possa auxiliar na identificação inicial de doenças e complementar os métodos diagnósticos já utilizados.
O estudo também pretende investigar a detecção da esquistossomose por meio do olfato dos cães, uma abordagem ainda pouco explorada em pesquisas científicas.
O projeto foi aprovado pelos comitês de ética responsáveis e é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Folha Vitória