O Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou nesta terça-feira (2) uma proposta de sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras para o mercado americano. A medida é vista com preocupação pelo setor de rochas naturais, que pode ter aproximadamente 45% do faturamento das exportações impactado pela decisão.
A proposta foi apresentada após investigação conduzida pelo governo americano sobre práticas consideradas restritivas ao comércio dos Estados Unidos.
A medida inclui uma lista de exceções para produtos estratégicos, contemplando o código HTSUS 6802.99.00, que abrange quartzitos brasileiros.
No entanto, produtos como granitos, mármores e ardósias não estão entre as exceções anunciadas pelo USTR. Esses materiais são enquadrados em códigos tarifários distintos e representam categorias relevantes da pauta exportadora brasileira de rochas naturais.
“A preocupação do setor permanece elevada. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de rochas naturais e a proposta anunciada pelo USTR volta a colocar sob risco aproximadamente 45% do faturamento exportado pelo setor”, afirma Tales Machado, presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas).
Impacto nas pequenas e médias empresas
Segundo Machado, o impacto é mais severo entre pequenas e médias empresas do setor.
“Em sua maioria, dependem quase exclusivamente da exportação desses materiais para manter suas operações. Em muitos casos, trata-se de 100% da receita dessas companhias, o que torna sua sustentabilidade econômica e a preservação dos postos de trabalho altamente ameaçadas”, explica.
A aplicação das medidas ainda não está definida e depende do cumprimento de etapas previstas na legislação americana. O processo inclui consultas públicas, manifestações de partes interessadas e audiência oficial antes da definição final sobre eventuais medidas corretivas.
Entre as próximas etapas estão a audiência pública marcada para 6 de julho e o prazo legal de 15 de julho para eventual definição e implementação das medidas propostas.
Diplomacia empresarial em andamento
Desde 2025, quando foram anunciadas as primeiras medidas tarifárias americanas, a Centrorochas mantém agenda permanente de diplomacia empresarial nos Estados Unidos. O trabalho inclui atuação em Washington e interlocução junto a entidades empresariais, representantes políticos, especialistas em comércio internacional e organizações da cadeia da construção civil.
A estratégia busca ampliar o entendimento sobre a relevância econômica das rochas naturais brasileiras para o mercado americano e fortalecer canais de diálogo entre os dois países.
A entidade informou que seguirá acompanhando os desdobramentos do processo e ampliando o diálogo com interlocutores estratégicos nos Estados Unidos durante as próximas etapas previstas no cronograma do USTR.
Folha Vitoria