*Artigo escrito por João Marcos Assunção, jornalista e cientista político, especialista em comunicação estratégica e branding digital.
Vivemos a era da hiperconectividade, mas também da hiperdistração. Nunca houve tanto conteúdo circulando ao mesmo tempo — e, paradoxalmente, nunca foi tão difícil ser percebido. Na prática, o maior desafio do marketing digital contemporâneo deixou de ser apenas vender produtos ou serviços. A disputa real agora acontece no território mais valioso da internet: a atenção humana.
O Espírito Santo vive uma transformação silenciosa no ambiente da comunicação. Empresas, profissionais liberais, políticos e marcas locais passaram a entender que presença digital deixou de ser diferencial para se tornar necessidade estratégica.
Ainda assim, em meio ao excesso de informação nas redes sociais, surge um novo desafio: como chamar atenção — e, principalmente, permanecer relevante — em um ambiente cada vez mais saturado.
A chamada Economia da Atenção transformou plataformas digitais em arenas de competição permanente. Marcas, influenciadores, empresas e profissionais disputam segundos de retenção em timelines cada vez mais saturadas.
Neste cenário, visibilidade deixou de ser consequência automática de presença online. Hoje, quem não constrói relevância estratégica simplesmente se torna ruído no feed.
O problema é que muitas marcas ainda insistem em operar com uma lógica ultrapassada: produzir conteúdo em volume, sem profundidade, narrativa ou posicionamento.
O excesso de informação fez o público se tornar mais seletivo, mais cansado e menos tolerante ao que parece artificial.
A estética bonita sozinha já não sustenta autoridade. O algoritmo até pode entregar alcance momentâneo, mas percepção de valor exige consistência, identidade e inteligência comunicacional.
Outro desafio importante é a crise de autenticidade provocada pela padronização das redes sociais. Em busca de viralização, muitos perfis passaram a reproduzir fórmulas genéricas, perdendo personalidade no processo.
O resultado é uma internet visualmente repetitiva, onde poucas marcas conseguem construir diferenciação real. Na Economia da Atenção, relevância não nasce de copiar tendências, mas de criar presença reconhecível.
Além disso, o consumo acelerado de conteúdo reduziu drasticamente o tempo de retenção das pessoas. Isso exige uma comunicação mais estratégica, capaz de gerar impacto imediato sem abrir mão de profundidade.
Marcas fortes entendem que comunicação eficiente não é apenas captar atenção, mas sustentar percepção. E percepção é construída por narrativa, posicionamento e reputação digital.
No fim, a grande questão do marketing atual não é apenas “como alcançar mais pessoas”, mas “como ser lembrado em meio ao excesso”.
Na Era da Economia da Atenção, sobreviver digitalmente exige mais do que presença online: exige identidade, clareza estratégica e capacidade de transformar comunicação em valor percebido.
Folha Vitoria