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Polícia

“Meu filho era um ser humano”, diz mãe de jovem morto por PM em Colatina

Pedro Henrique Novaes da Conceição, de 20 anos, foi baleado no peito em Colatina; família contesta versão de policial


Pedro Henrique Novaes da Conceição, morto por PM (Foto/reprodução: TV Vitória)

“Meu filho era um ser humano”. É assim que Gilcelia Novaes resume a dor de perder o filho, Pedro Henrique Novaes da Conceição, de 20 anos, morto a tiros na tarde de domingo (31), no bairro Bela Vista, em Colatina.

Em meio ao luto, a mãe pede justiça e contesta a versão apresentada pelo policial militar aposentado apontado como autor do disparo. Gilcelia estava em outra cidade quando recebeu a notícia de que Pedro Henrique havia sido baleado.

O crime aconteceu por volta de 13h e de acordo com a Polícia Civil, o suspeito se apresentou na delegacia após o ocorrido e entregou a arma utilizada no disparo.

Segundo o relato do policial militar aposentado na delegacia, Pedro teria passado de moto duas vezes em frente à sua casa enquanto ele estava com amigos. O militar afirmou que o jovem retornou a pé e começou a fotografá-lo.

Na versão do policial, ele questionou Pedro sobre as fotos e perguntou se o rapaz sabia que ele era militar. Segundo o depoimento, Pedro respondeu que não se importava e disse fazer parte da “facção Tropa do Urso”.

O policial alegou que a vítima colocou a mão nas costas como se fosse sacar uma arma, momento em que efetuou o disparo. Quando a perícia chegou ao local, encontrou Pedro caído usando tornozeleira eletrônica.

Em depoimento emocionado para a reportagem da TV Vitória/ Record, Gilcelia Novaes relatou o momento em que soube da morte do filho.

Estava na casa da minha comadre e o meu filho ligou dizendo que ele havia sido baleado. Mas achava que ele estivesse no hospital.

Família contesta versão e pede justiça

Gilcelia Novaes, afirma que a versão apresentada pelo policial aposentado não corresponde ao que foi relatado por moradores da região. Ela estava em outra cidade quando recebeu a notícia de que o filho havia sido baleado.

A gente ficou sabendo que o policial da minha rua, que não estava uniformizado nem a trabalho, estava em um bar bebendo. Ele chegou e falou que meu filho estava encarando ele. Meu filho respondeu que não estava encarando. O policial andou uns três metros, voltou e matou ele.

Gilcelia também afirmou que havia um histórico de desentendimentos entre o filho e o policial. Segundo ela, durante uma confraternização de Dia das Mães realizada neste ano, o militar teria exibido uma arma para Pedro Henrique.

O que sei é que, em uma festinha de Dia das Mães que teve lá, ele mostrou a arma para o meu filho. Meu filho entrou no bar para comprar alguma coisa e ele mostrou a arma.

De acordo com a família, vítima e suspeito eram vizinhos e já haviam se desentendido em outras ocasiões.

Apesar de reconhecer que o filho tinha envolvimento com atividades ilícitas, Gilcelia afirma que isso não justifica a morte dele e pede que o caso seja investigado. “Meu filho fazia as coisas erradas, fazia. Eu sei disso, não adianta negar. Mas nunca fez mal para ninguém, pelo menos nunca fiquei sabendo”.

Gilcelia afirmou que, apesar dos erros cometidos pelo filho, ele tinha o direito de responder por seus atos perante a Justiça e não de ser morto. Segundo ela, a família espera que o caso seja apurado de forma rigorosa pelas autoridades.

Meu filho fazia as coisas erradas, fazia. Eu sei disso, não adianta negar. Mas ele era um ser humano. Se fosse um bandido matando outro bandido, teria justiça. Será que, por ser um policial que matou ele, não vai ter justiça? Eu sei que não é a hora, mas preciso de ajuda.

*Com informações da repórter Eduarda Neves, da TV Vitória/Record

Folha Vitória

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