Imagens extraídas de celulares e divulgadas pela Polícia Civil mostram como agia o homem apontado como o maior distribuidor de canetas emagrecedoras ilegais no Espírito Santo. O suspeito, de 36 anos, foi preso nesta quinta-feira (28), no bairro Central Carapina, na Serra.
Segundo as investigações, ele se apresentava nas redes sociais e em aplicativos de mensagem como o principal fornecedor dos medicamentos no Estado. Nas conversas obtidas pela polícia, o homem anunciava os produtos como “o segredo dos famosos” e prometia “resultado garantido”.
Em uma das mensagens, o suspeito afirma contar com uma “equipe” responsável pela logística das doses. Em conversas com clientes, ele explicava como os medicamentos agiam no organismo e dizia que doses maiores poderiam trazer resultados mais rápidos.
Os investigadores também encontraram mensagens em que o homem afirma que a procura pelos produtos aumentou e, por isso, teria fechado a compra de uma grande quantidade de medicamentos. Segundo ele, os pagamentos eram feitos em dólar e parte dos emagrecedores vinha do exterior.
Ainda de acordo com a polícia, o suspeito dizia enviar os produtos para todo o Brasil. Em uma das conversas, ele afirma já ter comercializado medicamentos vindos do Paraguai e alegava, sem comprovação, que os produtos eram “credenciados pela Anvisa, com selo e tudo”.
As mensagens também mostram que os medicamentos eram vendidos para clientes finais, farmácias e clínicas. Em uma das conversas, o investigado chega a oferecer aplicação domiciliar das doses.
“Tenho uma colaboradora que a gente faz parceria. Ela vai em casa e aplica as doses”, escreveu para uma cliente.
Seis pessoas presas
Além do principal investigado, outras cinco pessoas foram presas durante a operação realizada nesta quinta-feira (28). Ao todo, sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
Mais de 100 ampolas de medicamentos emagrecedores ilegais foram apreendidas.
Entre os presos estão dois servidores públicos que atuavam em unidades de saúde e três pequenos empresários. Segundo a polícia, todos foram encontrados com medicamentos irregulares e acabaram autuados em flagrante.
Caso sejam condenados, os investigados podem responder por crimes com penas que variam de 10 a 15 anos de prisão.
Medicamento apreendido não é aprovado em nenhum país
Entre as substâncias apreendidas está a retatrutida, medicamento que ainda está em fase experimental e não possui aprovação sanitária em nenhum lugar do mundo.
Especialistas alertam que, por ainda estar em fase de testes laboratoriais, a substância não possui perfil completo de segurança definido. Os possíveis efeitos colaterais, riscos à saúde e a eficácia a longo prazo ainda estão sendo estudados.
A polícia informou ainda que há indícios de que parte dos produtos apreendidos era produzida no Paraguai, sem qualquer controle sanitário ou de fabricação.
Os investigadores também apuram como os medicamentos entravam no Brasil. A suspeita é de que atravessadores trouxessem as substâncias pela região do Mato Grosso antes da distribuição no Espírito Santo.
As investigações continuam.
ES HOJE