Pacientes diagnosticados com a doença de Sjögren poderão participar de um mutirão gratuito de consultas especializadas no Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) campus de Maruípe, neste sábado (30).
O atendimento é dirigido exclusivamente a pessoas com laudo médico que comprove o diagnóstico da doença e que apresentem resultado positivo para o exame anti-RO/SSA, principal marcador utilizado para diagnóstico.
A doença de Sjögren é caracterizada por um desequilíbrio imunológico que causa inflamação nas glândulas produtoras de lágrimas e saliva, provocando secura. Os sintomas típicos incluem ressecamento dos olhos e da boca, mas pode acometer articulações, pele, pulmões, rins e sistema nervoso.
Os atendimentos ocorrerão no Complexo Ambulatorial Multirreferenciado (CAM – ambulatório novo) do Hucam, das 7 às 12 horas. As vagas são limitadas e, após a inscrição, a equipe do hospital entrará em contato para confirmar o atendimento.
As pessoas interessadas em participar devem realizar o agendamento por meio do formulário disponível no link divulgado pelo hospital.
Esta iniciativa integra o HU Brasil em Ação, mobilização nacional que envolve os 45 hospitais universitários federais do país para a realização de diversos exames, consultas e cirurgias.
Responsável pelo mutirão voltado à doença de Sjögren, a reumatologista e professora do Departamento de Clínica Médica Valéria Valim destaca que atualmente, o Hucam acompanha cerca de 250 pacientes e atua como um polo de formação e treinamento para o diagnóstico da enfermidade no Brasil.
“Temos vários projetos de pesquisa para compreender a patogênese desta doença, além de diversas linhas de tratamento, medicamentosas e não medicamentosas”, explica Valim.
Acesso a novos medicamentos
O mutirão também funcionará como porta de entrada para pacientes elegíveis terem acesso a tratamentos de última geração, por meio de protocolos de pesquisa clínica desenvolvidos na unidade de pesquisa do Hucam.
Os estudos em andamento envolvem medicamentos imunobiológicos modernos, conhecidos como terapias-alvo. Segundo Valim, diferentemente dos tratamentos convencionais, eles atuam bloqueando proteínas específicas do organismo relacionadas à doença, o que proporciona maior eficácia terapêutica e redução significativa dos efeitos colaterais.
Entre as novidades científicas acompanhadas pela equipe, está o ianalumabe, medicamento que já se encontra em estágio avançado de aprovação pela Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora dos Estados Unidos, e que pode chegar ao mercado brasileiro nos próximos meses ou anos.
Já existem evidências científicas robustas sobre a eficácia dessas novas drogas para as manifestações sistêmicas da doença. Agora, os novos desenhos de estudo da nossa unidade de pesquisa buscam comprovar e consolidar o benefício direto desses medicamentos nas manifestações glandulares, combatendo de forma mais assertiva o principal sintoma relatado pelos pacientes: a secura extrema.
Folha Vitória