Dolphin Mini puxou as vendas de concessionária capixaba. Carro elétrico ficou entre os 10 mais vendidos do país em março. Foto: Reprodução/ BYD
O avanço dos veículos eletrificados no Espírito Santo ganhou tração a partir de números difíceis de ignorar. A BYD Vitória Motors, operação do Grupo Águia Branca no Estado, registrou crescimento de 168% nas vendas em março de 2026, com 2.697 veículos. É o maior volume mensal de sua história. A capixaba alcançou ainda a liderança nacional entre concessionárias da marca.
Ao mesmo tempo, a concorrente direta GWM emplacou 6.598 veículos no Brasil no mesmo mês, com alta de 215% na comparação anual e crescimento acumulado de 137,7% no trimestre. E pela primeira vez na história, o campeão de vendas Toyota SW4 perdeu o posto para o Haval H9. Enquanto o japonês vendeu 1.116 unidades em março, o chinês bateu a marca de 1.170 unidades. Em outras palavras, os chineses estão acelerando.
O consumidor capixaba, historicamente conhecido por ser mais cauteloso, começou a olhar os chineses com outros olhos. De repente, o motorista que torcia o nariz para carro elétrico passou a fazer conta de autonomia, comparar tempo de recarga e até discutir quilowatt-hora na mesa do almoço. A tecnologia deixou de ser novidade distante e virou escolha prática.
Parte dessa virada passa pela combinação de fatores que, juntos, ficaram difíceis de resistir. De um lado, modelos como o Dolphin Mini, da BYD, já aparecem entre os mais vendidos do país. O veículo é o primeiro carro elétrico a aparecer entre os 10 mais vendidos do país. Ocupa a sétima posição no ranking mensal, com 7.053 emplacamentos em março no Brasil.
E ainda tem os híbridos, como o Haval H6 da GWM, que funcionam como porta de entrada confortável para quem ainda não quer abandonar completamente o posto de gasolina.
Esse movimento local acompanha o que mostram os números da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, que indicam crescimento consistente de dois dígitos no segmento ao longo dos últimos 12 meses. No Espírito Santo, porém, o fenômeno ganha contornos próprios. O Estado virou porta de entrada de veículos eletrificados no Brasil. É pelos portos capixabas que eles chegam. Ou seja, aumenta a oferta e reduz a distância entre desejo e compra. Quando o carro chega mais rápido e o preço começa a fazer sentido, até o mais desconfiado reconsidera.
Fonte: Folha Vitoria