Reprodução/TV Vitória
O advogado Fábio Marçal, que representa um delegado do Espírito Santo que serve como testemunha na Operação Turquia, que investiga o possível envolvimento de policiais civis com o crime organizado e tráfico de drogas, afirmou que irá processar o Estado e o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda.
De acordo com o advogado, em entrevista à reportagem da TV Vitória/Record, essa ação é motivada por conta de Arruda ter divulgado o nome de seu cliente, sendo que a investigação está sob sigilo.
Além disso, Fábio Marçal explica que ao delegado teria sido atribuída a responsabilidade por acusar um policial civil de “ser o maior traficante do Estado do Espírito Santo”. No entanto, segundo ele, seu cliente nunca fez esta acusação. Por conta desta declaração, o delegado passou a ser alvo de uma apuração interna da Polícia Civil.
O advogado alega que o delegado apenas reproduziu uma frase dita por um traficante durante oitivas no período de investigação do caso e que seu cliente havia apenas relatado o que foi dito durante aquela reunião.
“Ele, durante o depoimento, se referiu à fala de um investigado em outra operação, que durante sua oitiva junto ao Gaeco, promotores e na sua presença, esse traficante falou: ‘vocês estão aqui, mas o maior traficante do Espírito Santo é um policial civil’. Ele apenas relatou o que aquela testemunha tinha dito”, argumentou o advogado.
De acordo com ele, por conta do que ele chama de distorção do caso, Arruda teria divulgado informações incorretas sobre seu cliente.
Até aquele momento, o delegado servia como testemunha de maneira sigilosa no caso, mas teria tido sua identidade revelada por Arruda. A operação foi deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Espírito Santo (Ficco/ES) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco/MPES).
“Isso gerou um inconformismo do chefe de polícia, que mandou imediatamente, divulgou em redes sociais na sexta-feira, no sábado. Na segunda-feira à noite ele fala que ia investigar, inclusive citando o nome do delegado, que anteriormente havia pedido sigilo por conta do risco pessoal”, disse Marçal.
Além disso, também de acordo com o advogado, foi sugerido, de forma implícita, que o seu cliente tinha conhecimento de quem seria o policial apontado como “o maior traficante” e que não teria agido para prendê-lo.
“O próprio chefe de polícia que praticou, ao meu ver, um assédio moral ao vivo contra esse delegado, citou o nome dele. Foi dentro desse parâmetro que nós assumimos a defesa do delegado para responsabilizar o chefe de polícia, o Estado, tendo em vista tudo que foi posto ao vivo”, afirmou.
Veja entrevista com o advogado:
A Polícia Civil foi procurada pela reportagem para comentar as declarações do advogado, assim como o delegado-geral, José Darcy Arruda. Não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço continua aberto e a reportagem será atualizada assim que houver resposta.
Policial civil foi preso suspeito de ligação com facção
Cinco mandados de prisão temporáriaforam cumpridos na segunda fase daOperação Turquia, deflagrada no dia 18 de março no Espírito Santo.
Um policial civil, que anteriormente havia sido afastado de suas funções, é um dos que teve a prisão temporária decretada. A suspeita é de que eles tenham envolvimento com umafacçãoligada aoPrimeiro Comando da Capital (PCC).
Ao todo, são quatro policiais civis investigados na operação. Todos estão afastados das suas funções e, agora, dois estão presos.
*Com informações da repórter Luciana Leicht, da TV Vitória/Record
Fonte: Folha Vitória