A participação em pesquisas clínicas internacionais permite que centros brasileiros contribuam para o desenvolvimento de novos tratamentos e que pacientes tenham a possibilidade de acesso a terapias ainda em investigação. No Espírito Santo, estudos sobre duas importantes causas de cegueira irreversível em adultos, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e a retinopatia diabética, estão em andamento com a participação do Hospital de Olhos do Espírito Santo (HOES).
Os ensaios são conduzidos em parceria com centros de pesquisa internacionais e incluem estudos de fase 3, etapa que avalia a eficácia e a segurança de tratamentos em investigação. O trabalho exige protocolos científicos rigorosos, acompanhamento dos participantes e exames capazes de identificar mudanças na retina ao longo do tempo.
A participação em ensaios clínicos internacionais exige infraestrutura especializada, protocolos rigorosos e capacidade de acompanhar os resultados dos tratamentos ao longo do tempo.
Para o oftalmologista, especialista em retina e vítreo e investigador principal de ensaios de fase 3, Laurentino Biccas Neto, que integra o corpo médico do HOES, essa atuação também representa uma oportunidade de aproximar a pesquisa realizada no Espírito Santo dos principais centros científicos do mundo. “Os estudos nos colocam em pé de igualdade com os melhores centros mundiais” , destaca Dr. Laurentino Biccas Neto.
Tecnologia para acompanhar a retina
A condução desses estudos depende de equipamentos que permitam observar estruturas oculares com precisão e acompanhar sua evolução durante o período de pesquisa.
Entre os recursos utilizados pelo HOES está o Heidelberg Spectralis, plataforma que reúne diferentes modalidades de imagem, como tomografia de coerência óptica de alta resolução, angiografia por OCT sem contraste, angiofluoresceinografia, indocianina verde e autofluorescência. O equipamento possui rastreamento ocular em tempo real, que permite repetir exames no mesmo ponto da retina ao longo dos anos, recurso importante para avaliar a resposta aos tratamentos investigados.
Outro equipamento utilizado é o Optos California, capaz de registrar, em uma única imagem, cerca de 200 graus da retina, incluindo áreas periféricas que podem não ser captadas pelos equipamentos convencionais.
As imagens são armazenadas e transmitidas por uma rede digital que atende aos padrões dos centros internacionais responsáveis pela análise dos exames. A padronização é importante para que os resultados sejam avaliados de acordo com os critérios estabelecidos em cada protocolo de pesquisa.
Ética e acompanhamento dos participantes
Além da estrutura diagnóstica, os estudos exigem ambientes adequados para a aplicação dos produtos em investigação e equipes capacitadas em boas práticas clínicas.
Os protocolos passam por avaliação de comitês de ética e estão sujeitos à regulamentação e à fiscalização sanitária aplicáveis, incluindo a atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O acompanhamento também envolve monitores independentes e a comunidade científica internacional.
Para os pacientes elegíveis, a participação pode oferecer acesso gratuito a terapias experimentais antes de uma eventual disponibilização no mercado, além de acompanhamento clínico e exames durante o estudo. A inclusão depende dos critérios específicos de cada protocolo, e os tratamentos investigados ainda precisam demonstrar os resultados necessários para sua aprovação.
A participação de centros capixabas nesse tipo de pesquisa amplia a presença do Espírito Santo em estudos internacionais e contribui para aproximar a região das investigações científicas voltadas ao tratamento de doenças da retina.
Folha Vitória