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Saúde

Cílios longos com remédio para glaucoma? Conheça os riscos

O Latisse, medicamento que promete cílios longos e volumosos, nasceu de um efeito colateral inesperado de uma substância para tratar glaucoma. Entenda como funciona e os riscos para a saú


Ter cílios longos, volumosos e escuros sempre esteve no topo da lista de desejos de estética. A busca por esse padrão migrou das máscaras de rímel e dos alongamentos artificiais para as prateleiras das farmácias.

O grande protagonista dessa mudança é o Latisse, o primeiro medicamento aprovado para o tratamento da escassez de pelos na pálpebra. Mas o que muitos desconhecem é que o produto, na verdade, não nasceu na indústria cosmética. O segredo do seu sucesso é um efeito colateral inesperado de uma substância voltada para tratar uma doença grave dos olhos.

Da Oftalmologia para a Estética: A Descoberta Acidental

O princípio ativo do Latisse é a bimatoprosta. Originalmente, essa molécula era utilizada na fórmula de colírios para tratar o glaucoma, uma condição que aumenta a pressão intraocular e pode levar à cegueira.

Durante os tratamentos médicos, os pacientes começaram a notar uma reação curiosa: os cílios da área aplicada passavam a crescer de forma acelerada, tornando-se visivelmente mais grossos e escuros. Percebendo o potencial comercial da descoberta, o laboratório fabricante adaptou a solução para uma aplicação tópica e focada exclusivamente na estética.

De acordo com estudos clínicos, a bimatoprosta atua diretamente no ciclo de vida do pelo, prolongando a chamada fase anágena (a fase de crescimento ativo). Isso faz com que o fio cresça por mais tempo antes de cair. O medicamento também estimula os melanócitos, células responsáveis pela cor, deixando os cílios mais pretos.

Efeitos Visíveis, mas Temporários

Os resultados do Latisse costumam encher os olhos de quem busca um visual marcante. As mudanças começam a ser percebidas após seis semanas de uso diário, atingindo o ápice do alongamento e volume por volta do quarto mês (16 semanas).

Contudo, há um detalhe crucial: o efeito não é permanente. Como o medicamento altera o ciclo natural do fio artificialmente, assim que o uso é interrompido, os cílios velhos caem e os novos fios voltam a nascer no tamanho e na espessura originais em poucas semanas. Ou seja, para manter o efeito, o investimento financeiro e a rotina de aplicação precisam ser contínuos.

Os Riscos por Trás do Aplicador

Embora pareça um rímel milagroso, o Latisse é um medicamento e, como tal, carrega contraindicações e potenciais efeitos colaterais. O uso incorreto ou sem supervisão médica pode transformar o sonho estético em um pesadelo de saúde. Entre os efeitos colaterais mais comuns descritos por especialistas estão a hiperpigmentação da pálpebra, onde a pele rente aos cílios pode ganhar manchas escuras, gerando um aspecto de olheiras profundas.

Outro risco é a alteração na cor dos olhos. Em casos raros, se o produto escorrer para dentro do olho com frequência, ele pode aumentar a pigmentação castanha da íris, mudando de forma irreversível a cor de olhos claros (como verdes ou mel). Além disso, pode ocorrer a atrofia da gordura periorbitária: o uso prolongado causa a perda de gordura ao redor dos olhos, deixando as pálpebras com um aspecto fundo ou envelhecido. Irritações físicas como vermelhidão, coceira intensa, olho seco e hipersensibilidade são queixas frequentes.

A aplicação nos cílios inferiores é expressamente contraindicada pelos médicos, pois o contato aumenta o risco de o pelo crescer virado para dentro do olho ou manchar a pele.

Recomendação Médica Obrigatória

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige a apresentação de receita médica para a compra do Latisse. A automedicação, comprando o produto ou utilizando colírios genéricos de bimatoprosta por conta própria, é um risco desnecessário para a visão.

A orientação dos especialistas é clara: antes de iniciar o tratamento, é fundamental passar por uma avaliação com um dermatologista ou oftalmologista. O profissional avaliará a saúde dos olhos do paciente, checará se há histórico de pressão intraocular baixa ou infecções ativas e ensinará a técnica correta de aplicação diária — utilizando sempre os pincéis estéreis descartáveis que acompanham o produto para evitar contaminações. No universo da beleza, a saúde dos seus olhos deve sempre vir em primeiro lugar.

Folha Vitória

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