Na hora de procurar emprego, cada detalhe do currículo pode influenciar a primeira impressão do recrutador. Mas será que colocar uma foto no documento aumenta as chances de contratação ou pode acabar prejudicando o candidato?
Para especialistas em Recursos Humanos, a resposta depende do contexto — mas, para a maioria das vagas, a foto é dispensável. A especialista e CEO da Center RH Eliana Machado explica que a imagem não deve ser considerada um item obrigatório no currículo e que existem situações específicas em que sua utilização pode fazer sentido.
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“Para a grande maioria das vagas, a foto não é necessária e eu não considero que deva ser uma informação padrão no currículo“, afirmou.
Segundo ela, quando a própria natureza da função ou do processo seletivo justificar a utilização da imagem, o candidato deve ter alguns cuidados. A foto precisa ser profissional, atual, bem iluminada e com um fundo adequado.
O problema é que, quando a imagem não é necessária, uma foto inadequada pode acrescentar um elemento negativo ao currículo. Selfies, fotos de festas, imagens com outras pessoas, filtros excessivos ou fotografias de baixa qualidade podem transmitir falta de cuidado.
“Se a foto não acrescenta nada relevante ao processo, muitas vezes é melhor simplesmente não utilizá-la“, explicou.
Currículo também precisa proteger o candidato
Além da foto, Eliana recomenda atenção às informações pessoais incluídas no documento. Nome, telefone, e-mail profissional e cidade onde mora costumam ser suficientes para identificação e contato inicial. LinkedIn e portfólio podem ser acrescentados quando forem relevantes para a vaga.
Já idade, estado civil, número de filhos, CPF, RG e endereço residencial completo são desnecessários na maioria dos processos seletivos. Segundo a especialista, dados que não têm relação com a capacidade profissional podem aumentar a exposição do candidato a vieses conscientes ou inconscientes.
“Quanto mais informações pessoais que não possuem relação com a capacidade de exercer aquela função forem incluídas, maior pode ser a exposição a vieses conscientes ou inconscientes“, disse.
WhatsApp também faz parte da primeira impressão
A especialista também chama atenção para a forma como o currículo é enviado. O WhatsApp se tornou uma ferramenta bastante utilizada em recrutamentos, mas isso não significa que o candidato possa abandonar a formalidade.
A recomendação é se identificar, mencionar a vaga de interesse, escrever uma mensagem curta e educada e enviar o currículo preferencialmente em PDF, com um nome de arquivo profissional.
Áudios não solicitados, abreviações excessivas, linguagem informal, várias mensagens consecutivas e contatos em horários inadequados devem ser evitados.
O processo seletivo começa antes da entrevista. A forma como o candidato se comunica já transmite informações sobre organização, bom senso e postura profissional.
Eliana Machado, CEO da Center RH
Currículo não pode ser genérico
Na avaliação de Elcio Paulo Teixeira, CEO do Heach RH, um dos principais problemas é dificultar para o recrutador a identificação rápida de quem é o profissional e o que ele pode oferecer.
Currículos muito longos, confusos, genéricos ou com experiências que não têm relação com a vaga tendem a perder força. Inconsistências nas informações, como datas divergentes ou qualificações apresentadas de maneira pouco clara, também podem comprometer a candidatura. Informações falsas ou exageradas, por sua vez, podem eliminar o candidato imediatamente.
“O currículo não deve contar toda a história profissional da pessoa, mas também não pode ser tão genérico que poderia pertencer a qualquer candidato“, disse.
Segundo Elcio, o documento deve funcionar como um posicionamento profissional, priorizando formação, experiências relevantes, principais responsabilidades, resultados alcançados, conhecimentos técnicos e competências relacionadas à vaga.
Erros de português, problemas de formatação e informações desatualizadas também podem passar uma imagem ruim. Excesso de cores, fontes diferentes, informações desalinhadas e falta de organização dificultam a leitura. Telefone, e-mail, cidade, formação e emprego atual também precisam estar atualizados.
O currículo é, muitas vezes, o primeiro contato profissional entre candidato e empresa. Se ele demonstra pouco cuidado, inevitavelmente isso interfere na primeira impressão.
Elcio Teixeira, CEO do Heach RH
Primeiro emprego: o que colocar no currículo?
Para quem busca a primeira oportunidade, a ausência de experiência profissional não significa que o currículo precise estar vazio.
Cursos complementares, idiomas, conhecimentos em informática, projetos acadêmicos, atividades extracurriculares, trabalhos voluntários, monitorias e participação em eventos podem ajudar a demonstrar iniciativa e responsabilidade.
O cuidado é não transformar o currículo em uma lista extensa de cursos. O ideal é selecionar aqueles que tenham relação com a oportunidade e mostrar, ainda que brevemente, qual foi a participação do candidato e o que ele desenvolveu ou entregou.
Entre as competências valorizadas em jovens estão capacidade de aprendizagem, responsabilidade, iniciativa, organização, comunicação e colaboração. Mas apenas escrever que é “proativo” ou “comunicativo” não é suficiente.
Sempre que possível, essas características devem ser demonstradas por experiências concretas.
“Não adianta escrever apenas ‘sou proativo, comunicativo e trabalho bem em equipe’. Isso virou praticamente um clichê nos currículos“, alerta.
Mudança de carreira não exige apagar o passado
Quem pretende mudar de área também não precisa descartar a trajetória profissional anterior.
Segundo Elcio, o histórico pode ser um diferencial, desde que o currículo seja reconstruído para a nova área e destaque competências transferíveis.
Gestão de pessoas, negociação, relacionamento com clientes, análise de dados, liderança, gestão de projetos, organização e solução de problemas são exemplos de habilidades que podem ser aproveitadas em diferentes profissões.
“O candidato precisa fazer uma espécie de tradução da própria experiência“, orienta.
A explicação detalhada sobre o motivo da mudança pode ficar para a entrevista. No currículo, o mais importante é apresentar uma direção profissional clara e alinhada à nova área.
No fim, a orientação dos especialistas é que o currículo facilite — e não dificulte — o trabalho do recrutador. Mais do que reunir o máximo possível de informações, o documento precisa apresentar, de forma clara e organizada, aquilo que torna o candidato adequado para a oportunidade.
Folha Vitória