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Economia

Tesouro IPCA+ 2026 vence e devolve R$ 258 bi ao mercado hoje; onde reinvestir o dinheiro?

Vencimento do Tesouro IPCA+ 2026 corresponde a cerca de 11% de todo o volume de NTN-Bs em circulação; especialistas veem boa janela para reinvestir os recursos


Vencimento de quase R$ 260 bilhões de NTN-Bs pode injetar liquidez no mercado de títulos. Foto: Pexels

OTesouro Diretoestá prestes a fazer um pagamento de quase R$ 260 bilhões referentes a duas séries deTesouro IPCA+, que deve criar uma nova janela de reinvestimentos e um evento de liquidez que pode mexer com as taxas dos títulos públicos na próxima semana.

Venceram no último sábado (15) R$ 258 bilhões em dois títulos:Tesouro IPCA+ 2026eTesouro IPCA+ 2026com juros semestrais. O governo pagará os valores nesta segunda-feira (17), data em que os bilhões que estavam investidos desde 2016 podem retornar ao mercado de investimentos.

Para se ter uma ideia do tamanho do vencimento, o montante corresponde a cerca de11% de todo o volume de NTN-Bs em circulação.

Apenas R$ 13 bilhões estão na mão do investidor pessoa física, mas quem tem valores a receber vai encontrar um mercado igualmente oportuno para reinvestir os valores, com taxas prefixadas acima dos 14% ao ano e mais de 8% de retorno real nos IPCA+. A tarefa é escolher a melhor opção.

Onde reinvestir os recursos

Quem investiu no Tesouro IPCA+ 2026 e carregou as posições até o final viu o patrimônio se multiplicar. O retorno acumulado pelo cupom sem juros semestrais foi de255,9%, enquanto o título com juros semestrais rendeu234,34%. O CDI do período foi de 164,2%, calcula o Inter.

Rafael Winalda, analista do banco, lembra que a espera pode ser sensível para muitos investidores, que tiveram de enfrentar nesse período oscilações bruscas na marcação a mercado graças a mudanças na percepção de risco fiscal e na trajetória dejurosreais. Mas, para quem teve paciência de carregar o título até o vencimento, a espera compensou.

Isso dá uma noção dotamanho da atratividade do momento atual, que voltou a oferecer taxas tão elevadas quanto àquelas que só foram vistas entre 2015 e 2016.

O momento atual de reinvestimento chega em um contexto de juros reais particularmente favorável. O patamar atual está muito descolado da média histórica da série e é justamenteesse tipo de janela que justifica reforçar a posição em IPCA+ no momento do reinvestimento, em vez de simplesmente rolar os recursos para pós-fixado.

Rafael Winalda, analista do Banco Inter

Na visão do especialista, para quem tem horizonte curto ou prioriza liquidez o Tesouro Selic continua sendo uma opção atrativa. Mas, para os que tiverem horizonte maior,reinvestir os recursos no IPCA+ intermediário e longo, com vencimentos entre 2032 e 2050, é uma boa oportunidade.

Esses títulos oferecem a oportunidade de travar um prêmio de juro real acima da média histórica por muitos anos, algo especialmente valioso para objetivos como aposentadoria ou educação dos filhos, dado o efeito dos juros compostos sobre um retorno real elevado.

Rafael Winalda, analista do Banco Inter

Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, também vê com bons olhos a alocação em pós e prefixados. Os juros reais implícitos estão acima das NTN-Bs e devem seguir em patamar elevado já que, ainda que oBanco Centralvenha cortando ataxa Selic, o mercado não espera que o ajuste vá muito além dos atuais 14,00% ao ano.

“Prefixados em vencimentos intermediários, como 2-3 anos, e indexados à inflação em vértices entre 5-7 anos, nos parecem atrativos”, diz.

O vencimento dos quase R$ 260 bilhões deve movimentar a liquidez domercado de títulos públicos, especialmente por causa dos investidores institucionais, como fundos de pensão e ETFs.

Já há algum tempo, o Tesouro vem enfrentando dificuldade para dar saída às NTN-Bs, que mesmo com as taxas altas não encontram comprador marginal.Parte disso tem a ver com o baixo apetite dos institucionais. Que nos últimos anos encheram as carteiras com títulos indexados à inflação e vem carregando as posições.

Para esse público, as NTN-Bs são ótimas opções porque protegem o patrimônio da inflação no longo prazo e, no atual nível de rentabilidade, superam com facilidade as metas atuariais, a rentabilidade mínima que os planos precisam entregar para cumprir suas obrigações.

Boa parte dos bilhões de reais que o Tesouro pagará a esse público deve ser reinvestido.Se a demanda pelas NTN-Bs realmente subir, o preço dos títulos também sobe; fazendo as taxas oferecidas caírem.

“Muita demanda noTesouropoderia fazer preço na taxa de emissão, com uma oferta de liquidez expressiva no mercado.” Explica Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio-fundador da AW Capital.

Folha Vitoria

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