Uma salva de tiros, pétalas de rosas e aplausos marcaram a despedida ao soldado Paulo Henrique Carvalho Faccin, de 28 anos, durante o sepultamento realizado no domingo (17), em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo.
Paulo Henrique foi morto na tarde de sábado (15) durante uma abordagem a um foragido da Justiça. O suspeito, identificado como Luan de Oliveira Cleto, de 25 anos, reagiu, entrou em luta corporal e atirou no militar. O homem também morreu na ocorrência após ser baleado pelo companheiro de equipe do soldado.
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O velório de Paulo Henrique aconteceu no 9º Batalhão da Polícia Militar, em Cachoeiro. Familiares, amigos e colegas de farda acompanharam o cortejo pelas ruas da cidade até o cemitério do bairro Aeroporto, onde o jovem militar foi sepultado sob homenagens da corporação.
No cemitério, o soldado recebeu homenagens da tropa com pétalas de rosas espalhadas pelo chão, além de aplausos. O caixão com o corpo de Paulo Henrique foi conduzido pelos militares em marcha fúnebre e, antes de ser sepultado, uma bandeira do Espírito Santo foi colocada sobre a urna.
Os policiais militares ainda realizaram uma salva de tiros como última homenagem ao soldado morto durante a abordagem.
Paulo Henrique Carvalho Faccin foi aprovado no concurso da PMES para a turma do Curso de Formação de Soldados (CFSd) de 2024. O soldado concluiu a formação em novembro de 2025.
Soldado sonhava em se tornar oficial
Em entrevista a repórter Gabriela Valdetaro, da TV Vitória/ Record, um amigo de farda, que pediu para não ser identificado, contou que os dois mantinham uma relação próxima desde o curso de formação.
O Carvalho era mais do que um simples irmão de farda para mim. Ele era um amigo pessoal, amigo que frequentava a minha casa, era meu irmão e perder um irmão como aconteceu assim dói muito.
Segundo o colega, Paulo Henrique havia retomado os estudos recentemente e pretendia prestar a prova para o Curso de Formação de Oficiais (CFO) da Polícia Militar.
A gente sempre falava que nosso sonho não pararia por ali, que a gente buscaria coisas maiores, buscaria cursos maiores e essa sempre foi a vontade dele.
“Uma perda inestimável”, diz comandante
Durante a despedida, o comandante do 9º Batalhão, tenente-coronel Nério, destacou o impacto da perda para a família e para a corporação.
“Um profissional que vai deixar saudade, que deixa pai, mãe, namorada e que certamente vamos lamentar muito durante anos uma perda inestimável como essa”, afirmou.
Já o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ríodo Lopes Rubim, criticou o fato de o suspeito estar fora da prisão.
Ele não devia estar em via pública, deveria estar recolhido no xadrez, preso, mas essa frouxidão no nosso sistema penal permite que isso aconteça.
O secretário de Estado da Segurança Pública, Leonardo Damasceno, afirmou que o caso representa um dos desafios enfrentados pelas forças de segurança.
“É um criminoso que não deveria estar nas ruas, um evadido do sistema prisional com a ficha corrida muito grande e isso para nós é o desafio da segurança pública: cumprir, prender e eles ficarem presos”, disse o secretário.
A família de Paulo Henrique, abalada com a perda, não quis conceder entrevista. Autoridades também prestaram solidariedade aos familiares e amigos do policial.
Soldado morreu durante abordagem
Paulo Henrique foi acionado no último sábado (16) para atender uma ocorrência no bairro Luiz Gonzaga. A equipe dele havia recebido uma denúncia de que um homem com mandado de prisão estaria na região e estaria foragido do sistema prisional.
De acordo com o tenente-coronel Nério, comandante do 9º Batalhão da PMES, os policiais localizaram o suspeito durante as diligências.
Nós tínhamos uma denúncia de um indivíduo que teria um mandado de prisão, foragido do sistema prisional e, com base na denúncia, a equipe prosseguiu para a região. Durante a diligência, o indivíduo foi identificado e teve esse desfecho infeliz.
Durante a abordagem, houve uma reação do suspeito e uma luta corporal. Paulo Henrique foi atingido na cabeça, socorrido para um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos.
O suspeito foi identificado como Luan de Oliveira Cleto, de 25 anos. Ele também foi baleado e morreu.
Segundo a Polícia Militar, Luan estava foragido do sistema prisional e tinha pelo menos oito registros anteriores por crimes como tentativa de homicídio, porte ilegal de arma de fogo, tráfico de drogas e violência doméstica.
*Com informações da repórter Gabriela Valdetaro, da TV Vitória/Record.
Folha Vitória