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Saúde

Hérnia de disco: o maior vilão não é o peso, e sim o que fazemos todos os dias

Sedentarismo, excesso de peso, má postura e tabagismo estão entre os principais fatores de risco para hérnia de disco


Imagem de stefamerpik no Magnifica

Como ortopedista e cirurgião da coluna, uma das perguntas que mais escuto no consultório é: “Doutor, o que causa uma hérnia de disco?”. Muita gente acredita que ela aparece apenas porque a pessoa carregou um peso ou fez um movimento errado. Na prática, isso raramente acontece.

Na minha experiência, o maior vilão da hérnia de disco é a soma de pequenos erros repetidos diariamente. Passar muitas horas sentado, manter uma postura inadequada, levar uma vida sedentária, estar acima do peso, fumar e não fortalecer a musculatura da coluna criam um ambiente propício para o desgaste dos discos vertebrais.

Os discos funcionam como amortecedores entre as vértebras. Com o passar dos anos, eles naturalmente perdem água e elasticidade. Quando esse processo é acelerado por maus hábitos, aumentam as chances de ocorrer uma fissura e parte do disco se deslocar, comprimindo uma raiz nervosa. É nesse momento que surgem sintomas como dor intensa, formigamento, perda de força e a conhecida dor irradiada para o braço ou para a perna, dependendo da região da coluna afetada.

Hábitos que aumentam o risco de hérnia de disco

Muitas pessoas chegam ao consultório dizendo que a hérnia apareceu depois de pegar uma caixa pesada ou abaixar para calçar um sapato. Eu explico que, na maioria das vezes, esse movimento foi apenas o gatilho final. O problema já vinha sendo construído ao longo de meses ou até anos.

Outro fator que considero muito importante é o sedentarismo. Existe a falsa ideia de que proteger a coluna significa evitar qualquer atividade física. Na realidade, acontece justamente o contrário. Uma musculatura forte no abdômen, na lombar e na região pélvica ajuda a estabilizar a coluna e reduz significativamente a sobrecarga sobre os discos.

Também costumo alertar sobre o impacto da obesidade. Cada quilo a mais representa um aumento da carga suportada pela coluna durante todo o dia. Quando associamos excesso de peso à falta de exercícios, o risco de desenvolver dores crônicas e hérnias discais cresce de forma importante.

O tabagismo é outro inimigo silencioso. Pouca gente sabe, mas o cigarro diminui a irrigação sanguínea dos discos intervertebrais, acelerando seu envelhecimento e dificultando sua recuperação. É um dos fatores modificáveis mais importantes para quem deseja preservar a saúde da coluna.

Nem toda hérnia de disco precisa de cirurgia

A boa notícia é que nem toda hérnia de disco precisa de cirurgia. Hoje contamos com tratamentos modernos que incluem fisioterapia direcionada, medicamentos, infiltrações guiadas por imagem, bloqueios para controle da dor e técnicas minimamente invasivas, incluindo procedimentos endoscópicos quando bem indicados. A grande maioria dos pacientes melhora sem necessidade de uma cirurgia convencional.

Na prevenção, sempre reforço medidas simples que fazem diferença:

Praticar atividade física regularmente;

Fortalecer a musculatura do tronco;

Evitar permanecer muito tempo na mesma posição;

Levantar objetos utilizando a força das pernas e não apenas da coluna;

Meu conselho é que ninguém normalize a dor nas costas. Uma dor persistente, especialmente quando se irradia para o braço ou para a perna, merece avaliação médica. Quanto mais cedo identificamos o problema, maiores são as chances de controlar a doença sem procedimentos mais complexos.

A hérnia de disco não surge de um único movimento. Ela é, na maioria das vezes, consequência das escolhas que fazemos diariamente. Cuidar da coluna é investir em qualidade de vida, autonomia e bem-estar para o futuro

Folha Vitória

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