São 940 colaboradores diretos, cerca de 1.400 cirurgias e uma média de 180 nascimentos por mês. Os números ajudam a dimensionar a atuação do Hospital Vitória Apart, mas não resumem sua trajetória. Ao longo de 25 anos, a instituição construiu sua história por meio das pessoas que passaram por seus corredores: pacientes que reencontraram a qualidade de vida, profissionais que desenvolveram soluções inovadoras e equipes que transformaram o cuidado em propósito.
Ao longo desse período, a instituição acompanhou a evolução da medicina no Espírito Santo, ampliou sua capacidade de atendimento, incorporou novas tecnologias e consolidou uma cultura voltada para a qualidade assistencial e a humanização. Em muitos casos, os resultados desse trabalho podem ser traduzidos por histórias que permanecem na memória de quem cuidou e de quem foi cuidado.
Quando a medicina devolve a vida
Para a infectologista Polyana Gitirana, integrante da equipe do Hospital Vitória Apart desde 2015, um dos casos mais marcantes da carreira foi o atendimento à paciente Desirée Lima de Almeida, diagnosticada com botulismo em 2023. Antes da identificação da doença, ela havia desenvolvido a síndrome do encarceramento, condição em que permanecia consciente, mas incapaz de falar ou movimentar o corpo.
“Foi um período de muita provação. Para ela, deitada numa cama, inerte. Para mim, correndo uma corrida de obstáculos para garantir o tratamento e a condução clínica que desse a chance de ela voltar a ser quem era. Quando ela perdeu a voz, precisei aprender a escutar o seu silêncio. Quando recuperou os primeiros movimentos, precisei ensiná-la a respirar. Mais do que um diagnóstico raro, ela se tornou a razão de acreditar, ainda mais, na força da Medicina que escuta, toca e acolhe sempre. Por fim, ela voltou a viver depois de meses paralisada. E eu aprendi, para sempre, o verdadeiro significado de cuidar”, define Polyana.
Após meses de tratamento e reabilitação, Desirée retomou sua rotina e hoje enxerga aquele período como um recomeço.
“Mais do que uma mudança de vida, vivi um renascimento. As dificuldades não ficaram como um trauma, mas como uma experiência que me ensinou o valor do cuidado, do carinho e da dedicação de cada profissional que esteve ao meu lado. A recuperação exigiu resiliência e me fez aprender a viver um dia de cada vez. Hoje sigo cuidando da minha saúde, superando desafios e encontrando na fé e na vontade de viver a motivação para seguir em frente”, avalia Desirée.
Cada paciente, uma história
Muito antes da recuperação de Desirée, outra história já havia marcado a equipe da instituição. Em 2005, Guilherme Batistella nasceu com apenas 25 semanas de gestação e permaneceu internado por 201 dias na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN).
Hoje universitário, ele reconhece o papel da equipe que acompanhou sua evolução desde os primeiros dias de vida.
“Tive duas paradas cardiorrespiratórias logo após o nascimento. Se não fosse a equipe que cuidou de mim, eu não estaria aqui hoje. É preciso acreditar e seguir um dia de cada vez. Conheço a minha história, sei de onde vim e sou muito feliz”, conta.
A trajetória também permanece viva para a enfermeira Cristiane Rosa, que iniciou sua atuação no hospital justamente no nascimento de Guilherme.
“Minha história no hospital começou junto com a do Guilherme. Ele nasceu no meu primeiro plantão e acompanhei cada conquista durante os seis meses em que permaneceu na UTI Neonatal. Hoje, ao olhar para trás, sinto uma profunda gratidão por ter feito parte dessa trajetória. Foi uma história que me marcou, transformou para sempre a minha forma de cuidar e reforçou a certeza de que cuidar vai muito além da assistência. São histórias como essa que dão sentido à nossa profissão e mostram que o cuidado permanece muito tempo depois da alta”, recorda Cristiane Rosa, Coordenadora de Enfermagem da UTI Neonatal e Pediátrica do hospital.
Inovação que ultrapassa os limites do hospital
A história da instituição também é marcada pelo desenvolvimento de soluções que ganharam espaço além do Espírito Santo.
Em 2007, o cirurgião da mão Leandro Figueiredo desenvolveu no Hospital Vitória Apart a chamada “Técnica de Figueiredo”, utilizada no tratamento de feridas complexas e perdas cutâneas. O procedimento substituiu, em muitos casos, a retirada de pele saudável de outra região do corpo pelo uso de uma prótese de polipropileno, favorecendo a regeneração do tecido.
“A técnica mudou a forma de tratar feridas porque passou a aproveitar o potencial de regeneração do próprio organismo. Em vez de retirar tecido saudável de outra região do corpo, utilizamos uma prótese de polipropileno que protege a lesão e permite que o exsudato — líquido produzido naturalmente pela ferida — ajude na cicatrização. Hoje conseguimos tratar desde feridas agudas e crônicas até casos de pé diabético, osteomielite e lesões vasculares, reduzindo significativamente a necessidade de amputações. Ver essa técnica sendo utilizada e ensinada por médicos de todo o Brasil e até do exterior é motivo de muito orgulho”, afirma o cirurgião.
De pai para filho
O legado construído ao longo dos anos também inspira novas gerações. Há dois anos, o ortopedista Pedro Figueiredo passou a atuar ao lado do pai, dando continuidade ao trabalho iniciado com o desenvolvimento da técnica.
“Sempre acompanhei a rotina do meu pai e foi ali que nasceu minha vontade de ser ortopedista. O maior ensinamento que recebi foi fazer a coisa certa, da maneira certa, sempre buscando o melhor resultado para o paciente. Hoje temos a oportunidade de devolver qualidade de vida e esperança a pessoas que, muitas vezes, chegavam com indicação de amputação”, afirma Pedro.
Um legado construído por pessoas
Ao completar 25 anos, o Hospital Vitória Apart reúne importantes reconhecimentos em qualidade assistencial e segurança do paciente, além de consolidar sua atuação em medicina de alta complexidade no Espírito Santo. No entanto, mais do que certificações e indicadores, a história da instituição é formada pelas pessoas que passaram por ela.
Pacientes que voltaram para casa, profissionais que encontraram propósito na assistência e equipes que ajudaram a transformar desafios em novas possibilidades mostram que o verdadeiro legado de um hospital é construído diariamente por meio do cuidado com a vida.
Folha Vitória