Portal de Notícias Administrável desenvolvido por Hotfix

Saúde

Lavagem nasal feita da forma errada pode causar otite; veja os principais erros

A lavagem nasal ajuda a aliviar sintomas respiratórios, mas erros na técnica podem favorecer otite


Imagem de user18526052 no Magnific

A lavagem nasal com solução salina tornou-se uma prática bastante popular entre crianças e adultos. Quando realizada corretamente, pode ajudar na higiene das fossas nasais, na remoção de secreções e no controle dos sintomas de doenças como rinite, rinossinusite e infecções respiratórias.

Entretanto, a falsa impressão de que se trata de um procedimento totalmente inofensivo pode levar a erros. O uso de pressão excessiva, volumes inadequados ou técnicas incorretas pode favorecer a passagem de secreções da região nasal para a orelha média, através da tuba auditiva, aumentando o risco de problemas como otite média serosa e otite média aguda.

Por que crianças têm maior risco de complicações?

A tuba auditiva é um canal que estabelece comunicação entre a orelha média e a região posterior do nariz, chamada nasofaringe. Sua principal função é equilibrar a pressão dentro da orelha média, para manter a capacidde vibração da membrana timpânica e permitir a drenagem de secreções.

Nas crianças, essa estrutura é mais curta, mais horizontal e funcionalmente mais imatura. Por isso, secreções e microrganismos presentes na região nasal podem chegar mais facilmente à orelha média.

Quando a lavagem nasal é realizada com pressão excessiva, principalmente em uma criança com o nariz muito obstruído, a solução salina e as secreções podem ser direcionadas para a região de abertura da tuba auditiva. Isso pode contribuir para alterações na ventilação da orelha média e, em determinadas situações, favorecer processos inflamatórios e infecciosos.

Otite pode ser consequência da técnica inadequada

Um dos possíveis problemas é a otite média serosa, também chamada de otite média com efusão.

Nessa situação, ocorre o acúmulo de líquido atrás da membrana timpânica, sem necessariamente existir uma infecção bacteriana aguda. A pessoa pode apresentar sensação de orelha tampada, redução da audição, pressão ou desconforto.

Nas crianças pequenas, entretanto, o quadro pode passar despercebido. Uma criança com otite média serosa nem sempre reclama de dor. Muitas vezes, os primeiros sinais são comportamentais:

Aumenta o volume da televisão;

Pede para repetir as palavras;

Apresenta dificuldades escolares;

Começa a falar mais alto.

Quando a alteração persiste por períodos prolongados, a redução da audição pode interferir no desenvolvimento da linguagem, no aprendizado e na interação social. Por isso, a presença de líquido na orelha média durante a infância merece acompanhamento adequado.

Nos adultos, a otite média serosa costuma provocar sintomas mais facilmente percebidos. A sensação de orelha tampada, a autofonia, na qual a própria voz parece excessivamente alta ou diferente, e a redução auditiva são queixas frequentes.

Quando o problema ocorre apenas de um lado e persiste, especialmente em adultos, é fundamental realizar uma avaliação detalhada da nasofaringe e da tuba auditiva para investigar outras possíveis causas de obstrução.

Outro possível problema relacionado à chegada de secreções contaminadas à orelha média é a otite média aguda.

Nesse caso, existe um processo infeccioso, geralmente acompanhado de dor, irritabilidade nas crianças, febre e redução da audição. Em alguns pacientes, a pressão provocada pelo acúmulo de secreção pode causar perfuração da membrana timpânica e saída de secreção pela orelha.

Mas como realizar a lavagem nasal com segurança?

O primeiro cuidado é evitar pressão excessiva. Mais força não significa melhor limpeza. A solução deve circular pelas fossas nasais de maneira confortável, sem provocar dor ou pressão intensa na região da face ou das orelhas.

A posição também é importante. Durante a lavagem, a cabeça deve permanecer levemente inclinada para frente e para o lado, permitindo que a solução seja eliminada adequadamente. Em crianças pequenas, a técnica precisa ser adaptada à idade e à capacidade de colaboração.

Outro erro frequente é insistir na lavagem quando o nariz está completamente obstruído. Se a solução não encontra uma via adequada de saída, o aumento da pressão dentro das fossas nasais pode favorecer desconforto e direcionar secreções para regiões indesejadas.

A higiene dos dispositivos utilizados também é fundamental. Seringas, frascos e irrigadores devem ser adequadamente higienizados e utilizados individualmente. A solução empregada precisa ser apropriada para lavagem nasal, com atenção à qualidade da água utilizada no preparo quando a solução não for industrializada.

Após a lavagem, também não é recomendado assoar o nariz com força excessiva. Esse hábito pode produzir aumento importante da pressão na região nasal e contribuir para o deslocamento de secreções em direção à tuba auditiva.

Quando é preciso procurar um médico?

Quando surgirem sintomas após uma lavagem nasal, é necessário observar alguns sinais de alerta:

Sensação persistente de pressão;

Irritabilidade nas crianças;

O diagnóstico começa pelo exame da orelha, por meio da otoscopia ou otomicroscopia. A presença de retração da membrana timpânica, líquido atrás do tímpano, abaulamento ou sinais inflamatórios pode indicar comprometimento da orelha média.

Exames complementares podem ser realizados para identificar alterações na ventilação e presença de líquido na orelha média. Quando existe suspeita de perda auditiva, a audiometria pode determinar o grau e o tipo de comprometimento.

Nas crianças menores, podem ser necessários exames auditivos adaptados à idade.

A técnica faz toda a diferença

A lavagem nasal continua sendo uma importante ferramenta para os cuidados respiratórios. O problema não está no procedimento, mas na ideia de que qualquer técnica, pressão ou volume pode ser utilizado indiscriminadamente.

Principalmente em crianças, lavar o nariz não deve ser uma competição para descobrir quem consegue usar a maior seringa ou produzir o jato mais forte. A orientação é simples: técnica adequada, pressão controlada, posição correta e atenção aos sintomas.

Quando bem realizada, a lavagem nasal pode ser uma grande aliada da saúde respiratória. Quando realizada de maneira inadequada, especialmente com pressão excessiva, pode contribuir para problemas na orelha média.

E se, após uma lavagem nasal, surgir dor, redução da audição ou sensação persistente de orelha tampada, a melhor conduta não é simplesmente abandonar a lavagem ou esperar indefinidamente.

É buscar orientação médica para investigar a causa e diminuir os danos.

Folha Vitória

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!