Os rins trabalham 24 horas por dia filtrando o sangue, eliminando toxinas, regulando a pressão arterial e equilibrando a quantidade de água e minerais no organismo. Entretanto, apesar da importância desses órgãos, muitas pessoas só se preocupam com a saúde renal quando algo não está bem.
O problema é que esperar o surgimento de sintomas pode ser muito prejudicial, já que a doença renal crônica costuma evoluir de forma silenciosa. Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca de 10 milhões de brasileiros convivem com algum grau da condição.
A boa notícia é que a alimentação pode fazer diferença tanto na prevenção quanto no controle da doença. Mais do que apostar em um alimento específico, especialistas explicam que o segredo está em manter um padrão alimentar saudável, capaz de controlar fatores de risco como hipertensão, diabetes, obesidade e inflamação crônica.
A alimentação atua nas duas frentes. Ela pode reduzir o risco de desenvolvimento da doença renal crônica e, em quem já apresenta o problema, ajudar a retardar sua progressão e reduzir complicações.
Kelly Toresani, nutricionista
Alimentos que fazem bem para os rins
Segundo a nutricionista, não existe um alimento capaz de “proteger” os rins sozinho. O benefício está no conjunto da alimentação aliado à prática de atividade física, ao controle da pressão arterial, da glicemia e do peso corporal.
Em vez de buscar um “superalimento”, a recomendação é seguir padrões alimentares bem estudados, como a dieta DASH e a dieta Mediterrânea, que priorizam alimentos naturais e reduzem o consumo de ultraprocessados.
Entre os principais aliados da saúde dos rins estão:
frutas variadas, especialmente as ricas em antioxidantes, como maçã, uva e frutas vermelhas;
verduras e legumes como abobrinha, couve-flor, repolho, cenoura e pepino,
peixes e outras proteínas magras.
De acordo com o nefrologista Thiago Croce, esses alimentos ajudam a controlar a pressão arterial, a glicemia e a inflamação, fatores diretamente relacionados à preservação da função renal.
“A base da alimentação deve ser composta por alimentos in natura ou minimamente processados. Além de proteger os rins, esse padrão alimentar também beneficia o coração”, afirma.
Nem todo alimento saudável serve para quem tem doença renal
Mas aqui vai um alerta: pessoas com doença renal crônica nem sempre podem seguir exatamente a mesma alimentação indicada para quem é saudável.
Dependendo do estágio da doença, pode ser necessário controlar o consumo de potássio, fósforo, proteínas e até líquidos.
“Alimentos considerados saudáveis, como banana, tomate, feijão, leite, abacate e castanhas, podem precisar ter suas quantidades ajustadas conforme a função dos rins. Por isso, a alimentação deve ser individualizada”, destaca Kelly.
Hidratação também é essencial
Além da alimentação, beber água adequadamente é outro cuidado importante. “A quantidade necessária varia conforme idade, peso, prática de atividade física, temperatura ambiente e presença de doenças”, explica Thiago Croce.
Como orientação geral, adultos saudáveis costumam necessitar entre dois e três litros de líquidos por dia, mas pessoas com insuficiência cardíaca ou doença renal avançada podem precisar restringir a ingestão de água sob orientação médica.
Uma dica prática é observar a cor da urina: quando está amarelo-claro, normalmente indica boa hidratação; já uma urina muito escura pode sugerir necessidade de aumentar a ingestão de líquidos, desde que não exista contraindicação médica.
Se existe um consenso entre os especialistas, ele está relacionado aos alimentos ultraprocessados. Produtos que costumam concentrar excesso de sódio, açúcares, gorduras de pior qualidade e aditivos, como fosfatos, devem ser evitados.
Refeições congeladas industrializadas;
“O maior problema não é apenas o sal. O consumo frequente de ultraprocessados favorece obesidade, diabetes e hipertensão, que hoje são as principais causas da doença renal crônica”, explica Kelly.
Segundo a nutricionista, quando o diabetes permanece descontrolado por muitos anos, o excesso de glicose danifica os pequenos vasos dos rins e reduz, gradualmente, sua capacidade de filtração.
Folha Vitória