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Economia

Exportação de rochas do ES cai 10% e fatura US$544mi

A exportação de rochas ornamentais no Espírito Santo registrou uma retração de 10,0% no faturamento acumulado, totalizando US$ 544 milhões no período atual. Os dados oficiais do setor


A exportação de rochas ornamentais no Espírito Santo registrou uma retração de 10,0% no faturamento acumulado, totalizando US$ 544 milhões no período atual. Os dados oficiais do setor acendem o alerta para a economia capixaba, evidenciando uma perda nominal de US$ 60,3 milhões em comparação com o ano anterior, quando as vendas externas somaram US$ 604,3 milhões. O desempenho local reflete diretamente o cenário nacional divulgado pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), que apontou queda de 4,2% no primeiro semestre do país (faturamento de US$ 711,1 milhões), mitigado apenas por um mês de junho histórico que registrou recorde de vendas de US$ 165,2 milhões em todo o Brasil.

Preço médio e volume puxam retração na exportação de rochas ornamentais no ES

O balanço indica que o resultado negativo no território capixaba foi impulsionado por um efeito duplo no mercado internacional: a diminuição do volume físico embarcado e a desvalorização do preço da tonelada do produto.

O peso total das exportações capixabas recuou 7,0%, caindo de 754,7 mil toneladas no ano anterior para 702 mil toneladas no atual período. Paralelamente, o preço médio por tonelada sofreu uma desvalorização de 3,2%, passando de US$ 801 para US$ 775.

Essa queda em solo capixaba dialoga com a mudança na demanda por materiais tradicionais em todo o Brasil, com retrações expressivas em variedades amplamente produzidas no estado:

Granito: queda severa de 18,4% no país;

Mármore: retração de 26,7% no mercado nacional;

Ardósia: declínio de 7,0% nas vendas externas.

Em contrapartida, o quartzito tem atuado como um importante amortecedor da crise nas indústrias de beneficiamento do Espírito Santo. O material de alto padrão bateu recorde e cresceu 6,7% no cenário nacional, atingindo US$ 428,5 milhões e passando a responder por 60,3% de toda a receita de rochas do país.

“O Brasil possui mais de 1.200 variedades de rochas naturais e essa diversidade tem permitido ao setor responder rapidamente às mudanças da demanda internacional. O crescimento dos quartzitos demonstra nossa capacidade de desenvolver mercados para produtos de maior valor agregado, sem deixar de investir na ampliação das oportunidades para outros minerais, como a ardósia”, avalia o presidente da Centrorochas, Tales Machado.

Desaceleração nos Estados Unidos afeta embarques; China acelera compras

A análise geográfica das exportações ajuda a compreender a pressão sobre o mercado capixaba. Os Estados Unidos, principal destino comercial do segmento e responsáveis por 51,2% do market share do país, reduziram suas compras em 14,4%, totalizando US$ 364,3 milhões. Sendo o Espírito Santo o maior fornecedor para o mercado norte-americano, essa desaceleração impactou diretamente os números do estado.

Por outro lado, a China desponta como o principal vetor de recuperação. O mercado chinês aumentou suas importações em 32,8%, alcançando US$ 147,7 milhões. No segmento específico de blocos brutos, o avanço da China foi de 34,6%, acompanhado por marcas históricas de compras na Índia (+23,3%) e na Polônia (+33,7%).

Cachoeiro Stone Fair 2026 é aposta para reverter queda do setor capixaba

Para reverter o saldo negativo de 10% no faturamento, o setor intensifica ações de inteligência comercial fora do eixo tradicional. Por meio do projeto It’s Natural – Brazilian Natural Stone, uma parceria entre a Centrorochas e a ApexBrasil, as entidades mapearam o mercado francês de ardósias para coberturas — a França é o maior consumidor mundial dessa tipologia e o Brasil ocupa atualmente apenas a sexta posição entre os fornecedores.

A grande cartada para reaquecer os negócios locais ocorre em agosto no sul do estado. A Cachoeiro Stone Fair 2026 promoverá rodadas internacionais de negócios focadas em aproximar indústrias e mineradoras brasileiras de compradores estratégicos da Índia, México, Polônia e Emirados Árabes Unidos, visando acelerar a inserção das rochas capixabas em novos mercados e reverter os índices de retração no segundo semestre.

ES HOJE

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