A morte do jornalista Caíque Verli, de 33 anos, cujo corpo foi encontrado no apartamento onde morava, em Vitória, nesta quinta-feira (23), reacendeu dúvidas sobre as crises convulsivas. Colegas relataram que o repórter fazia tratamento para episódios de convulsão. As causas da morte, porém, ainda são investigadas, e não há confirmação de que o óbito esteja relacionado à condição.
O neurologista e especialista em epilepsia Jasson José Moscon Neto explica que uma crise convulsiva não significa, necessariamente, que a pessoa tenha epilepsia. Além disso, reconhecer os sinais e saber como agir durante uma crise pode evitar complicações e até salvar vidas.
“Uma crise convulsiva é um evento que pode acontecer isoladamente e consiste em uma alteração temporária da atividade elétrica do cérebro, geralmente acompanhada por movimentos involuntários, perda de consciência ou outros sintomas neurológicos. Já a epilepsia é uma doença caracterizada pela predisposição do cérebro a apresentar crises epilépticas recorrentes e não provocadas”, explica o neurologista especialista em epilepsia Jasson José Moscon Neto.
Segundo o médico, diversas situações podem desencadear uma convulsão isolada, como febre alta em crianças, alterações metabólicas, intoxicações, abstinência alcoólica e lesões cerebrais agudas. Por isso, nem toda pessoa que apresenta uma convulsão recebe o diagnóstico de epilepsia.
As crises também podem estar relacionadas a fatores como predisposição genética, acidente vascular cerebral (AVC), traumatismo craniano, tumores cerebrais, infecções do sistema nervoso central e uso ou abstinência de álcool e outras drogas. A recomendação é que toda primeira crise seja investigada por um médico.
Toda pessoa que apresenta uma primeira crise convulsiva deve ser avaliada por um médico para investigação da causa. Além disso, é importante procurar atendimento imediato quando a crise dura mais de cinco minutos, quando há crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas ou quando ocorre lesão durante o episódio.
Jasson José Moscon Neto, neurologista especialista em epilepsia
O que fazer durante uma convulsão?
Ao presenciar uma convulsão, a principal recomendação é manter a calma e proteger a pessoa contra possíveis ferimentos. O ideal é afastar objetos que possam causar lesões, afrouxar roupas apertadas e, se possível, apoiar a cabeça para evitar impactos contra o chão.
Depois que a crise termina, a pessoa deve ser colocada de lado, posição que facilita a respiração e reduz o risco de broncoaspiração. Também é importante observar o horário de início da convulsão, informação que pode ajudar a equipe médica no atendimento.
“Não se deve segurar os braços ou as pernas durante a crise. Os movimentos devem ocorrer livremente, sem tentativa de imobilização. Também não se deve colocar objetos na boca da pessoa, tentar puxar a língua, oferecer água, alimentos ou medicamentos durante a convulsão. Essas medidas não interrompem a crise e podem causar lesões”, ressalta o neurologista.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da epilepsia é feito principalmente a partir da história clínica e da descrição detalhada das crises pelo paciente ou por quem presenciou os episódios. Em geral, duas crises epilépticas não provocadas já permitem o diagnóstico da doença. Em alguns casos, uma única crise, associada a exames que indiquem alto risco de recorrência, também pode ser suficiente.
“Exames como o eletroencefalograma e a ressonância magnética do cérebro frequentemente auxiliam na investigação e na definição da causa. O tratamento geralmente é realizado com medicamentos anticrise, escolhidos de acordo com o tipo de epilepsia e as características de cada paciente”, afirma.
Segundo o especialista, a maioria dos pacientes consegue controlar adequadamente as crises com o tratamento medicamentoso e levar uma vida normal, estudando, trabalhando, praticando atividades físicas e desenvolvendo suas atividades cotidianas.
Há como reduzir o risco de novas crises?
Alguns fatores aumentam a probabilidade de novas convulsões em pessoas predispostas, como privação de sono, consumo excessivo de álcool, interrupção dos medicamentos, uso de drogas ilícitas, estresse intenso e infecções.
Para reduzir esse risco, o neurologista recomenda seguir corretamente o tratamento prescrito, não interromper os medicamentos por conta própria, manter uma rotina regular de sono, evitar o consumo excessivo de álcool e realizar acompanhamento periódico com um neurologista.
“Para reduzir o risco de novas crises, é fundamental seguir corretamente o tratamento prescrito, não interromper medicamentos por conta própria, manter uma rotina regular de sono, evitar o consumo excessivo de álcool e realizar acompanhamento periódico com o neurologista”, conclui.
Folha Vitória