A ex-BBB e cantora Juliette revelou nas redes sociais que foi diagnosticada com endometriose. A descoberta aconteceu de forma inesperada: ela realizava um check-up para investigar um problema no fígado quando o exame apontou a doença.
“Quando passei mal por conta do fígado, um, dois meses atrás, fui fazer um check-up e, em um dos exames, deu endometriose. Pedi uma segunda opinião, falei com minha ginecologista e com uma médica especialista para fazer análise do laudo e realmente tem”, contou.
Juliette afirmou que o quadro está no início e que os sintomas são leves. “Segundo as médicas, está no início, pouquinho e não é em um lugar que tenha alguma grande questão. Eu não tenho tantos sintomas, não sinto tanta dor. O que eu sinto é inchaço e um pouco de dor”, acrescentou.
O que é a endometriose e quais são os sinais de alerta
A endometriose é uma doença inflamatória crônica. Em muitos casos, os sintomas aparecem ainda na adolescência, mas são confundidos com cólicas menstruais comuns, o que faz com que o diagnóstico só aconteça anos depois.
Entretanto, a condição nem sempre se manifesta de forma evidente. Em muitos casos, os sintomas começam ainda na adolescência, mas são interpretados como cólicas menstruais comuns, o que faz com que o diagnóstico só aconteça anos depois, já na vida adulta.
Por isso, manter o acompanhamento ginecológico de forma regular é essencial. As consultas periódicas permitem identificar sinais precoces da doença, iniciar o tratamento no momento adequado e reduzir o risco de complicações, preservando a qualidade de vida e, quando desejado, a fertilidade da mulher.
Anna Bimbato, ginecologista e obstetra da Bluzz Saúde
Apensar disso, a Thaissa Tinoco, ginecologista especializada no tratamento clínico e cirúrgico da endometriose, explica que alguns sinais merecem atenção. São eles:
Distensão abdominal recorrente;
Fadiga excessiva e sensação constante de exaustão;
Alterações intestinais cíclicas;
Desconforto urinário durante a menstruação;
Dor lombar e dor na ovulação;
Dor durante relações sexuais, especialmente em penetração mais profunda.
Cólicas que impedem a mulher de trabalhar, estudar ou praticar atividades físicas também não devem ser tratadas como normais. O mesmo vale para dores que pioram progressivamente ao longo dos anos.
Mitos que atrapalham o diagnóstico
Muitos mitos dificultam o diagnóstico precoce da endometriose. O maior deles é acreditar que cólica intensa é normal.
Muitas mulheres normalizam essa dor ou evitam falar sobre ela por vergonha. Quando a doença acomete estruturas atrás do útero, ligamentos uterossacros ou região próxima ao intestino, a relação pode se tornar dolorosa e impactar diretamente a qualidade de vida, a autoestima e os relacionamentos.
Thaissa Tinoco, ginecologista especializada no tratamento clínico e cirúrgico da endometriose
Outro erro frequente é achar que a endometriose só existe quando os exames mostram alterações evidentes. Muitas pacientes têm sintomas importantes mesmo com exames inicialmente normais.
Nem toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar, mas há relação da doença com a infertilidade.
“Há pacientes que só descobrem a endometriose durante a investigação da infertilidade. A doença pode causar inflamação pélvica, alterações anatômicas, aderências, comprometimento das trompas e ovários, e prejudicar a qualidade dos óvulos, dificultando a gestação. Além disso, o ambiente inflamatório pode interferir na implantação embrionária”, explica a especialista.
Quando procurar um médico
A orientação é clara: sempre que a dor interferir na qualidade de vida, é hora de buscar avaliação. Não é normal precisar faltar a compromissos, usar múltiplos analgésicos ou evitar relações sexuais por causa da menstruação.
O ‘normal’ não deve incapacitar. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores serão as chances de controlar os sintomas, preservar a fertilidade e evitar a progressão da doença.
Thaissa Tinoco, ginecologista especializada no tratamento clínico e cirúrgico da endometriose
Folha Vitória