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Economia

Pesquisa revela que 93% das empresas do país ainda não sabem aproveitar a inteligência artificial

A inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina de 80% das empresas brasileiras, mas 93% ainda não conseguiram incluir a tecnologia de forma organizada em seus negócios. É o que r


Dennis Herszkowicz acredita que a IA pode ser melhor aproveitada para gerar mais economia e produtividade a empresas. Crédito: Edu Kopernick

A inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina de 80% das empresas brasileiras, mas 93% ainda não conseguiram incluir a tecnologia de forma organizada em seus negócios. É o que revela uma pesquisa apresentada pela TOTVS, durante o Universo TOTVS 2026, em São Paulo. O levantamento, feito em parceria com a MIT Sloan Management Review Brasil, ouviu 583 participantes ligados a empresas de diferentes tamanhos e setores. Os resultados mostram que, apesar do avanço da tecnologia, a maioria das empresas ainda não sabe aproveitar todo o seu potencial para aumentar as vendas, reduzir despesas e melhorar os resultados.

Outro dado chama a atenção: apenas 8% das empresas conseguiram integrar amplamente a inteligência artificial aos programas que usam para administrar seus negócios. Isso significa que a tecnologia ainda funciona de forma separada das principais atividades da maioria dos estabelecimentos.

“Eu prefiro dizer que 92 por cento não integraram”, afirmou Dennis Herszkowicz, presidente da TOTVS, ao comentar o resultado. Segundo ele, o uso da IA ainda está muito ligado às tarefas individuais dos funcionários, como escrever textos e resumir documentos, e pouco presente nas decisões e atividades que determinam os resultados financeiros das empresas.

Empresas usam IA, mas não sabem se economizam

A pesquisa também mostra que 88% das empresas não medem quanto dinheiro ganham ou economizam com o uso da inteligência artificial. Além disso, 86% não acompanham os custos dessa tecnologia. Na prática, muitos empresários investem em ferramentas sem saber se o dinheiro gasto está trazendo algum benefício.

Para Herszkowicz, o problema está na falta de planejamento. “O impacto só acontece quando está dentro da estratégia”, afirmou. Isso significa que a IA precisa fazer parte do funcionamento da empresa e não apenas ajudar um funcionário a realizar uma tarefa mais rapidamente.

Outro problema está na falta de organização. Segundo o estudo, 40% das empresas não possuem um controle central sobre as atividades que utilizam inteligência artificial. Isso pode provocar gastos desnecessários, repetição de tarefas e até riscos para informações importantes.

Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS, explicou que as oportunidades crescem com a tecnologia, mas os desafios também aumentam. Por isso, as empresas precisam organizar suas informações, rever a forma de trabalhar e acompanhar os resultados das novas ferramentas.

Falta de treinamento preocupa empresários

A preparação dos funcionários é outro ponto crítico. A pesquisa revela que 37% dos profissionais dizem não saber usar corretamente as ferramentas de inteligência artificial. Outros 43% têm medo de cometer erros por confiar demais nas respostas da tecnologia. Apesar disso, apenas 7% das empresas oferecem treinamento organizado para todos os funcionários.

Para Herszkowicz, o conhecimento das pessoas continua essencial. “O ser humano vai ter que participar da decisão”, afirmou. Segundo ele, mesmo com sistemas capazes de realizar tarefas sozinhos, as empresas precisam de profissionais para conferir informações e evitar erros.

Segurança da informação

A segurança das informações também preocupa. Apenas 14% das empresas pesquisadas possuem regras claras para o uso da inteligência artificial em todas as suas áreas. Além disso, 46% apontam o vazamento ou uso indevido de dados como o principal risco da tecnologia. Bastos destacou que o crescimento da IA exige atenção constante.

“É importante capacitar as pessoas, questionar os dados, bem como ter cuidado com esses dados”, afirmou. A orientação vale principalmente para empresas que utilizam informações de clientes, fornecedores e funcionários em seus sistemas.

Apesar das dificuldades, a pesquisa aponta caminhos para melhorar os resultados. As empresas que possuem parcerias com fornecedores de tecnologia apresentam um nível de preparo para usar IA 41% maior que aquelas que tentam fazer tudo sozinhas. No Espírito Santo, os resultados servem de alerta para empresários do comércio, da indústria, dos serviços e da logística.

Embora o levantamento não apresente números específicos do Estado, ele mostra que o principal desafio dos próximos anos não será apenas começar a usar inteligência artificial, mas fazer com que ela ajude os negócios a crescer, gastar menos e competir melhor. Para isso, as empresas terão de investir em treinamento, planejamento e ferramentas que realmente atendam às suas necessidades.

* Edu Kopernick viajou a convite da Totvs

Folha Vitoria

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