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Economia

Por que executivos e empresários estão voltando à sala de aula?

Escolas daqui e de fora disputam o mesmo executivo


Imagem gerada por IA

Se há algo do qual os italianos modernos têm tanto orgulho quanto da Ferrari e Lamborghini, é da LUISS, em Roma, e da Bocconi, em Milão, as duas melhores escolas de negócios nacionais, com a segunda sendo tipo exportação. Já bastante presente na Ásia, os olhos agora voltam-se para a América Latina, talvez movidos pela assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, que aumentará o fluxo e intercâmbio de profissionais.

A SDA Bocconi, fundada em Milão, tem promovido reuniões de orientação em São Paulo para candidatos aos seus MBAs e masters. Há registro de edições desde 2023, cada uma com conversas individuais de 30 minutos, e a agenda de 2026 previa nova rodada em 30 de janeiro, num circuito que incluía Lima, Santiago, Bogotá e Cidade do México. Não se sabe quantos brasileiros acabam por se matricular efetivamente. A iniciativa indica, ainda assim, que o executivo brasileiro tem sido procurado por escolas de negócios estrangeiras e vice-versa.

O que é um MBA, afinal?

Entender tal interesse passa também pelo vocabulário, porque a sigla MBA muda de sentido conforme a fronteira. No Brasil, o Master of Business Administration, meste em administração de negócios, é uma especialização lato sensu com carga horária mínima de 360 horas. A Resolução CNE/CES nº 1, de 2018, não cita o termo, mas a orientação do Ministério da Educação, mencionada em parecer do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, inclui-os nessa modalidade. Mestrados e doutorados, por sua vez, integram a pós-graduação stricto sensu.

O nosso país tem ainda o mestrado profissional, que também integra a pós-graduação stricto sensu, passa pela avaliação da Capes e visa a capacitação profissional em diversas áreas, mas sem fins acadêmicos. Nos Estados Unidos, o MBA é um grau de mestrado em administração, voltado à formação de gestores, tradicionalmente concluído em 2 anos, segundo o EducationUSA, serviço do Departamento de Estado americano.

O IESE, internacionalmente renomada escola espanhola com campus representativo na ISE Business School e Faculdade Bela Vista em São Paulo, afirma que seu Executive MBA é um mestrado universitário reconhecido na Espanha. A diferença vem do enquadramento legal de cada país e nada revela, por si só, sobre a qualidade do curso.

Internacionalização

Como o nome do curso não define sozinho o que ele entrega, outros critérios ajudam o candidato a comparar. O paulistano Insper informa ter mais de 130 acordos internacionais e a Triple Crown, conjunto de 3 acreditações que, segundo a própria escola, menos de 1% das instituições de negócios do mundo possuem. Mantém, desde 2004, dupla titulação em mestrado profissional com a Nova SBE, de Lisboa. O IESE atua em São Paulo desde 2000, na sede do ISE, e oferece aqui o Executive MBA a partir de 2012.

A Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais, merece registro à parte. Ocupa a 4ª posição entre 90 escolas no ranking de Programas Abertos do Financial Times de 2026 e é a única instituição latino-americana entre as 10 primeiras. IESE/ISE, FGV EAESP e Insper também aparecem entre as 20 primeiras nessa lista. Participante do levantamento desde 2005, a FDC figura ainda em 11º lugar na classificação de Programas Customizados.

Algumas escolas brasileiras seguem o caminho oposto ao da Bocconi e IESE. A Link School of Business, de São Paulo, inaugurou em 2026 um campus em Miami, apresentado como o primeiro de uma instituição brasileira de ensino de empreendedorismo nos Estados Unidos, com mensalidade de US$ 8 mil e 25 alunos americanos na primeira turma. Na Europa, mantém em Madrid um espaço para programas de imersão de 2 meses com universidades parceiras, e o fundador, Álvaro Schocair, fala em abrir um campus na Espanha até 2029.

Mídia, bancos e iniciativas regionais

Em dezembro de 2024, a Exame, grupo de mídia controlado pelo BTG Pactual, comprou 100% da Saint Paul Escola de Negócios, de São Paulo, e o fundador da escola, José Cláudio Securato, assumiu o comando da Exame Educação, que inclui a Faculdade Exame e a Exame Corporate Education, entre outras marcas.

A Saint Paul figurou 5 vezes no ranking de educação executiva do Financial Times, segundo a própria revista Exame. Em junho de 2025, o negócio de ensino do grupo somava 35 mil alunos ativos em cursos de graduação, extensão e MBAs, segundo o Metro Quadrado. O caso ilustra o interesse de grupos de mídia e de finanças pela educação executiva.

E para quem não acredite que haja excelência e competitividade fora de São Paulo, há exemplos que provam o equívoco.

A Fucape, criada em 2000 em Vitória, oferece MBAs, mestrados e doutorados, acadêmicos e profissionais. A Lumino, escola de negócios de Salvador liderada pelo ex-presidente do time Bahia, inagurou a primeira turma de Gestão de Empresas e inclui a pós-graduação lato sensu em Administração entre os seus cursos. No Rio de Janeiro, o estabelecido Ibmec, fundado em 1970, passou à Yduqs com a compra da Adtalem, anunciada em 2019, e a compradora previu administrá-lo numa divisão separada. Os seus MBAs aparecem na lista de programas acreditados pela Association of MBAs (AMBA), entidade sediada em Londres que avalia cursos de MBA.

É extremamente louvável que o empresariado e executivos brasileiros busquem mais conhecimento, qualificação e novos interlocutores fora das fronteiras do próprio escritório e indústria. Se resolveram estudar, a presença de tantas escolas de negócios nacionais e internacionais no país sugere que haja mesmo um volume significativo de quem possa atendê-los. O valor real desses programas está na formação e maior capacitação, o que vai além de mais um título ou certificado, e isso não tem preço.

Folha Vitoria

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