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Economia

Sem marca, sem margem: o custo invisível do agro do Espírito Santo

O café conilon colocou o Espírito Santo na segunda posição no ranking nacional do complexo cafeeiro, à frente de São Paulo


Foto: Magnific

*Artigo escrito por José Mauro Rocha de Barros, Escritor, Empreendedor, Conselheiro Consultivo, Diretor Regional – ABMEN/ES, Partner Brazil UPenn, Membro do Comitê IBEF Agro e do Comitê Qualificado de Conteúdo de Empreendedorismo e Gestão do IBEF-ES.

O Espírito Santo é o maior exportador nacional de pimenta-do-reino, de mamão e de gengibre, com participações de 58%, 44% e 62% do total exportado pelo Brasil em 2024. O café conilon está em 50 mil propriedades rurais capixabas e colocou o ES na segunda posição no ranking nacional do complexo cafeeiro, à frente de São Paulo.

O agro capixaba exportou US$ 3,6 bilhões em 2024, crescimento de 69,4% sobre 2023, para 125 países. O valor bruto da produção (VBP)chegou a R$ 31,2 bilhões no mesmo ano. A infraestrutura portuária está estruturada. O Incaper conduz pesquisa genética que poucos estados replicam. E ainda assim o Espírito Santo aceita o pior lado de toda negociação: o preço que o comprador impõe.

O problema não é o câmbio nem a logística. É a ausência de uma Marca Pública Regional (MPR) consolidada, o mecanismo que converte origem em valor. MPR não é selo decorativo: é um instrumento de política econômica. Certificação de origem reduz a assimetria de informação, constrói a confiança do consumidor e gera o preço-prêmio.

Os mercados europeu e americano que já recebem o agro capixaba pagam mais por produto com origem verificável e impacto ambiental controlado. O Espírito Santo ainda não cobra esse diferencial de forma estruturada.

A cafeicultura responde por 37% do PIB agropecuário estadual, com 73% de base familiar. É o candidato mais óbvio a liderar esse movimento, mas ainda não lidera.

Uma MPR funciona com quatro atores em sincronia: governo local, cooperativas, empresas da cadeia e instituições como o Incaper. Quando isso funciona junto, o resultado é um “cluster” agrícola com poder de mercado, não apenas uma safra bem-sucedida.

O consumidor global quer saber se o sombreamento está correto, se a pegada de carbono está sendo medida, se o biofertilizante substituiu o agroquímico. Não é uma exigência futura. É um filtro presente.

Para o executivo com mentalidade estratégica, a pergunta é objetiva: quanto da produção capixaba sai sem nome, ao preço de quem compra? A diferença entre commodity e produto com origem certificada é a margem que fica na cadeia, não nos bolsos do importador. Nenhum crédito estruturado resolve o que uma marca forte resolve sozinha.

Produtividade sem posicionamento é o esforço que não se acumula. O Espírito Santo tem os produtos, a pesquisa e os portos. O que falta construir é a identidade que faz o comprador procurar o produto capixaba pelo nome, e não aceitar o que vier primeiro.

Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, o posicionamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo, bem como da organização à qual esteja vinculado profissionalmente.

Folha Vitoria

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