O Espírito Santo chegou à Rio Oil and Gas (ROG.e) 2026 com uma cadeia de petróleo e gás formada por 652 empresas, 17,2 mil empregos formais e R$ 38,4 bilhões em investimentos previstos até 2031. E saiu da feira com um ativo importante para transformar esse volume de investimentos em negócios: relacionamento. Em quatro dias, o estande capixaba capitaneado pela Findes, Aderes, NOVA ES e Sebrae recebeu 270 visitantes de mais de 120 empresas, nove países e 12 Estados brasileiros. Mais relevante ainda, 43,7% desse público era formado por gerentes e diretores, profissionais que estão próximos das decisões de compra e contratação das empresas.
Na prática, esse é o principal resultado da presença capixaba na maior feira de petróleo e gás da América Latina. Dos 270 visitantes, 67 eram gerentes e 51 diretores. Portanto, o estande funcionou menos como uma vitrine institucional e mais como um ponto de encontro entre quem oferece e quem pode comprar equipamentos, engenharia, manutenção, tecnologia, logística e outros serviços. Ícaro Gomes, gerente executivo de Articulação e Competitividade da Findes, destacou justamente esse perfil: “Dos 270 visitantes, mais de 43% ali eram gerentes e diretores”.
Momento do óleo e gás no ES
Essa aproximação acontece em um momento favorável. Dos R$ 38,4 bilhões em projetos previstos para o setor no Estado até 2031, R$ 29 bilhões são investimentos da Petrobras até 2030. Do mesmo modo, desses, R$ 17 bilhões já estão em execução.
Isso significa encomendas potenciais para uma longa cadeia de fornecedores. Ou seja, quanto maior a presença das empresas capixabas nas mesas de negociação, maior a chance de parte desses investimentos virar dinheiro circulando no Estado. E ainda, mais empregos e novos projetos dentro do próprio Espírito Santo.
Da produção ao descomissionamento
No entanto, a oportunidade não termina nos novos campos de petróleo. O próximo ciclo também passa pelo descomissionamento, que envolve a retirada de plataformas, equipamentos e estruturas que chegam ao fim da vida útil. A Petrobras prevê US$ 9,7 bilhões em gastos com descomissionamento e abandono de poços entre 2026 e 2030 em sua carteira.
A Findes já incluiu o tema entre as frentes para preparar empresas capixabas. Do mesmo modo ao lado de gás, economia do mar, descarbonização, bem como o fortalecimento da cadeia de fornecedores. Para quem já presta serviços à indústria offshore, é um mercado que pode abrir uma segunda avenida de contratos.
A feira ROG.e também mostrou que essa cadeia não precisa limitar sua atuação ao território capixaba. Ao comentar exemplos de empresas que já avançam para outros mercados, Ícaro resumiu o potencial.
“Esse tipo de testemunho é importante porque nos faz perceber o quanto nós podemos, de fato, estar fora do Espírito Santo também, fazendo movimentos fora do Estado”. Esse talvez seja o passo seguinte. Depois de décadas atendendo operações de petróleo em águas profundas no litoral capixaba, fornecedores locais acumularam experiência que pode ser vendida para outros polos de produção do país.
A Margem Equatorial é o exemplo mais claro dessa possibilidade. A Petrobras prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos e a perfuração de 15 poços na região entre 2026 e 2030. No Pará, o próprio governo já negocia a qualificação de 30 mil trabalhadores para atender à nova cadeia. Ou seja, sinal de que um mercado de fornecedores ainda está em formação.
Folha Vitoria