Daniel Vitor Gomes de Sousa é professor do curso de Psicologia da FAESA, doutor em Psicologia Social, mestre em Psicologia, especialista em Psicologia do Esporte e autor do livro “Estudos em Psicologia do Esporte”.
Hoje em dia, ao abrirmos as redes sociais, vemos várias postagens de pessoas que participam de esportes em geral como corridas de rua, crossfit, musculação, ciclismo, vôlei de praia, futevôlei e futebol. Esse não é um fato raro, visto que, ao longo dos anos, quem mora na Grande Vitória percebe que a prática da atividade física é parte do cotidiano.
O fato que chama a atenção é o perfil desses praticantes de esportes em geral, que varia desde jovens até adultos na terceira idade. Muitas vezes, vemos pessoas que postam em redes sociais sobre sua prática esportiva de lazer e pensamos: “mas essa pessoa não odeia atividade física?” Qual seria a explicação para isso?
Praticar um esporte tem sido destacado como uma forma de promoção de saúde mental e desenvolvimento de habilidades psicológicas para lidar com estresse e ansiedade. A prática de atividade física em tempo livre, iniciação esportiva fora de competições e reabilitação de pessoas enfermas e pessoas com deficiência têm sido cada vez mais exploradas por quem entende a necessidade de buscar regulação emocional.
No livro “Estudos em Psicologia do Esporte” (Sousa, 2026, p.46) são apresentados resultados de uma pesquisa sobre dois motivos pelos quais as pessoas escolhem praticar um esporte, que são a saúde e a diversão. Para visualizar isso, basta você dar uma caminhada em qualquer praia da região da Grande Vitória para nos depararmos com pessoas, que, evidentemente, estão se divertindo através do esporte.
É evidente que muitas pessoas possuem dificuldade em escolher, praticar e manter a constância na prática de um esporte. Por muito tempo, associamos isso a somente pessoas que queriam fazer isso por buscar uma estética corporal ou para competir (o que não está errado, de acordo com outros estudos em psicologia do esporte, quanto aos benefícios para a saúde mental.
No entanto, para a Psicologia, o esporte não se resume somente a isso. Estudos desenvolvidos no curso de Psicologia, por alunos de estágios de observação e mensuração, com pessoas que praticam dança, vôlei, futebol, corrida, musculação e natação são unânimes nos resultados preliminares: essas pessoas apresentam mais “força” mental que outras.
Um estudo especificamente com atletas paralímpicos de natação demonstrou que esses indivíduos possuem mais qualidade de vida comparados a outras pessoas. Histórias que inspiram e mostram o tanto que praticar um esporte pode ajudar na superação dos desafios dessa vida.
Poderia escrever somente como professor universitário, pesquisador em psicologia do esporte, mas vou falar como pessoa. Recentemente, terminei um tratamento de um tumor cerebral do qual incluiu uma cirurgia, 30 sessões de radioterapia e 12 de quimioterapia e digo: é algo que não desejo a ninguém.
Sabe qual foi uma das coisas que me ajudaram na minha recuperação? O esporte. Atesto isso com as palavras do fisioterapeuta que foi ao meu quarto três dias depois da minha cirurgia cerebral, ao me levar para andar no corredor do hospital e pedir que eu fizesse 15 repetições de flexão da panturrilha, um exercício “simples” de levantar o corpo pelas pontas dos pés: “a rapidez e a mobilidade que você executou esse exercício ‘simples’ não é comum nas pessoas após esse tipo de cirurgia, pois elas demoram três semanas para fazer isso”. Sabe quantos dias tinha da minha cirurgia? Três dias!
Acredite, eu sei teoricamente e na prática: o esporte salva vidas!
Folha Vitória