O JPMorgan voltou a recomendar maior exposição ao mercado brasileiro após o primeiro turno das eleições, apenas dois meses depois de ter reduzido sua recomendação para o País. O banco vê espaço para o MSCI Brazil, índice que reúne ações brasileiras, subir 12% inicialmente e acumular valorização de até 20%.
O banco avalia que o potencial de valorização do Brasil é maior que o de outros mercados latino-americanos, o que levou à mudança de recomendação.
Entre os canais que podem sustentar o cenário, os analistas Emy Shayo Cherman, Diego Celedon, Adrian E Huerta e Cinthya M Mizuguchi apontam que a apreciação do real pode abrir espaço para mais cortes e mais rápidos da Selic, a taxa básica de juros.
O relatório diz que o corte de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom) veio antes do que a equipe esperava na época e que um movimento em novembro está no radar.
Além disso, o banco classifica como material uma reprecificação do mercado diante da possibilidade de uma política macroeconômica mais amigável do ponto de vista fiscal. Pelo framework do JPMorgan, o Brasil está sendo negociado a 8,9 vezes, muito próximo da média do segundo quartil dos últimos dez anos.
A leitura é que o mercado poderia migrar rapidamente para o terceiro quartil, com múltiplo de preço sobre lucro (P/L) projetado para 12 meses à frente de 10,9 vezes, caso haja redução de risco, com ao menos metade desse movimento sendo precificada no curto prazo imediato.
No horizonte mais longo, o relatório afirma que, se houver um movimento político e adesão a uma agenda de reformas estruturais, o Brasil poderia chegar ao quarto quartil, com P/L projetado para 12 meses à frente de 13 vezes, como ocorreu em 2016.
Para esse cenário, contudo, o JPMorgan diz que seria necessário um ambiente externo acomodativo, com um Federal Reserve (Fed), o banco central norte-ameriano, “dócil” e dólar estável medido pelo índice DXY, indicador que mede a força e o valor do dólar americano em relação a uma cesta de moedas.
Cenário externo ainda ameaça o rali dos emergentes
Nos riscos, o banco coloca o cenário externo como o primeiro fator, por reduzir o apetite por mercados emergentes de forma ampla. O relatório diz que os emergentes tiveram saídas de fluxo nas últimas três semanas e que uma reversão não está à vista no curto prazo.
A análise também aponta que o Brasil tem a vantagem – ou “desvantagem” – de ser o “Anti-AI market” (marketing anti-IA), funcionando como uma espécie de hedge, proteção financeira usada para reduzir o risco de perdas em um investimento, dentro de emergentes.
Além disso, o JPMorgan afirma que os lucros ainda devem sofrer adiante, que o crescimento segue desacelerando e que a inflação provavelmente passará por uma fase de maior pressão, ainda que o câmbio possa trazer algum alívio nesse ponto.
Ações ligadas aos juros são as favoritas do banco
Na parte de alocação, o JPMorgan afirma que, sem dúvida, as ações sensíveis a juros são as preferidas, enquanto as que se beneficiam de um real mais fraco devem sofrer.
No recorte hoje, o relatório diz que, em financeiros, Yuri Fernandes segue vendo bom desempenho para nomes preferidos de mercado de capitais, citando BTG Pactual (BPAC11) e XP (XPBR31) – e registra que XP já subia 15% no pré-mercado -, além de avaliar que bancos digitais podem ter boas semanas à frente, com Nubank (ROXO34) e Inter (INBR32), junto com pagamentos; as seguradoras aparecem como as retardatárias.
Em construção, Marcelo Motta, do time de homebuilders, reafirma a preferência pela Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3), descritas como de alta renda.
Em transportes, Guilherme Mendes diz preferir a Localiza (RENT3), a Movida (MOTV3), a Vamos (VAMO3), a Simpar (SIMH3), a Azul (AZUL3) e a Ecorodovias (ECOR3).
Em petróleo e combustíveis, o relatório aponta que a Petrobras (PETR4) segue como preferida de Milene Carvalho e cita ainda a Prio (PRIO3), a Vibra (VBBR3) e a Ultrapar (UGPA3), que, segundo o texto, já estão “significativamente em alta”.
Em varejo e saúde, Joseph Giordano recomenda exposição comprada via Assaí (ASAI3), Magazine Luiza (MGLU3), Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3) além de longa duração por meio de RD Saúde (RADL3) e Smartfit (SMFT3); do lado vendido, ele recomenda Fleury (FLRY3) (descrita como ação de baixo beta) e Bradsaúde (SAUD3).
Em utilities, Arthur Pereira recomenda posição comprada na Sabesp (SBSP3) (tem prazo médio para recuperar o investimento da compra), Energisa (ENGI11) (sensibilidade a juros) e Eneva (ENEV3) (possui gatilhos que podem gerar um crescimento futuro), e cita, no lado vendido, a Engie (EGIE3) e a Isa Energia (ISAE4), descritas como “low beta”.
Vale lembrar que, em agosto, o banco estrangeiro tinha rebaixado a recomendação do Brasil de overweight para neutro, mencionando que o ciclo de flexibilização monetária está chegando ao fim, ao mesmo tempo em que o crescimento econômico desacelera e o ciclo de crédito está se deteriorando.
Folha Vitoria