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Economia

Bolsa dispara mais de 8% após primeiro turno e ações sobem mais de 20%

Euforia de mercado: ações de gigantes do varejo e de grandes empresas aparecem com o melhor desempenho pós eleições. Crédito: Divulgação B3Em poucas horas, empresas como Magazine Lu


Na prática, os investidores passaram a cobrar menos para emprestar dinheiro por prazos maiores porque enxergaram menor risco para as contas públicas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

A Bolsa brasileira abriu a semana em clima de euforia após o resultado do primeiro turno da eleição presidencial. Na manhã desta segunda-feira (5), o Ibovespa, principal índice da B3, chegou a subir mais de 8% e superou pela primeira vez os 208 mil pontos. Às 10h35, o índice avançava 8,39%, aos 208.226 pontos. O movimento começou depois que Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, à frente do presidente Lula(PT), que recebeu 45,16%. O resultado ficou acima do que grande parte do mercado esperava para o candidato do PL.

Algumas ações tiveram altas ainda maiores. O Magazine Luiza (MGLU3) liderava os ganhos por volta das 10h35, com avanço de 24,18%. Logo depois apareciam Cosan (CSAN3), com alta de 22,82%; Cyrela (CYRE3), com 21,33%; B3 (B3SA3), com 20,79%; e BTG Pactual (BPAC11), com 19,21%. Ou seja, em poucas horas, algumas dessas empresas ganharam cerca de um quinto de seu valor na Bolsa.

Entre as maiores empresas brasileiras, os bancos aparecem entre os principais destaques da euforia desta manhã. Por volta das 10h52, as ações do Banco do Brasil (BBAS3) subiam 12,89%, Bradesco (BBDC4) avançava 12,17% e Itaú Unibanco (ITUB4) ganhava cerca de 12%. A Petrobras (PETR4), uma das empresas de maior peso na Bolsa, registrava alta próxima de 6%.

A Vale (VALE3), por outro lado, destoava do movimento e chegou a cair 1,30% durante a manhã. Os números mostram que a reação ao resultado eleitoral foi especialmente forte entre bancos e empresas mais sensíveis às expectativas sobre juros, contas públicas e crescimento da economia.

Expectativa de mercado explica movimento

A explicação está na expectativa dos investidores sobre o que poderá acontecer com a economia depois das eleições. Parte do mercado entende que o desempenho de Flávio Bolsonaro aumentou a possibilidade de mudança de governo e de uma política de maior controle dos gastos públicos.

Empresas ligadas ao consumo, à construção civil, ao crédito e ao próprio mercado financeiro ficaram entre as mais beneficiadas porque esses setores costumam ganhar força quando os investidores esperam juros menores e mais dinheiro circulando na economia. Essa reação, porém, mostra uma expectativa dos investidores e não significa que esse cenário já esteja garantido.

A queda dos juros futuros reforçou esse movimento. Esses contratos mostram quanto o mercado acredita que os juros poderão estar nos próximos anos. Pela manhã, a taxa projetada para janeiro de 2028 caiu de 13,509% para 12,735% ao ano. Já a taxa para janeiro de 2035 caiu de 14,131% para 13,16%. Essa redução, próxima de um ponto percentual nos contratos mais longos, é muito forte para apenas um dia.

Apesar da euforia desta segunda-feira, a eleição ainda não terminou. Flávio Bolsonaro e Lula disputarão o segundo turno em 25 de outubro. Por isso, os preços das ações e as taxas de juros ainda podem mudar bastante nas próximas semanas.

Folha Vitoria

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