Portal de Notícias Administrável desenvolvido por Hotfix

Saúde

Fitas clareadoras: a proibição é para proteger o paciente, não o mercado

Decisão sobre produtos vendidos diretamente ao consumidor não impede o clareamento


Imagem de wavebreakmedia_micro no Magnific

A decisão recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de restringir a comercialização das fitas clareadoras provocou uma enxurrada de comentários nas redes sociais. Muitos consumidores interpretaram a medida como uma tentativa de dificultar o acesso ao clareamento dental e favorecer procedimentos realizados nos consultórios odontológicos.

É compreensível que essa seja a primeira impressão. Mas, na realidade, a discussão é outra.

Não se trata de impedir que as pessoas clareiem os dentes. Trata-se de garantir que um tratamento químico seja realizado com diagnóstico, orientação profissional e acompanhamento adequado.

O problema não é o clareamento dental

O clareamento dental é um dos procedimentos estéticos mais estudados da Odontologia. Quando corretamente indicado e acompanhado por um cirurgião-dentista, pode ser seguro, previsível e proporcionar excelentes resultados.

O problema nunca foi o clareamento em si.

A questão é transformar um tratamento que envolve substâncias químicas biologicamente ativas em um simples produto de prateleira. Existe uma diferença importante entre comprar um produto e receber um tratamento.

Quando uma pessoa adquire fitas clareadoras pela internet ou em uma loja, ninguém pergunta se ela tem uma cárie, uma restauração infiltrada, retração gengival, trincas no esmalte, erosão dentária ou histórico importante de sensibilidade.

Ninguém investiga por que os dentes escureceram, se o clareamento é realmente a melhor opção ou qual técnica e concentração são mais adequadas para aquele caso.

O produto chega à casa do consumidor. Mas o diagnóstico, não.

E talvez essa seja a parte mais importante de toda a discussão.

Fitas clareadoras não são apenas um cosmético

As fitas clareadoras utilizam substâncias como peróxido de hidrogênio ou peróxido de carbamida, capazes de promover reações químicas que alteram os pigmentos responsáveis pelo escurecimento dos dentes.

É justamente essa ação que torna o clareamento eficaz.

Mas também significa que esses produtos não devem ser encarados simplesmente como cosméticos comuns. Eles interagem com os tecidos dentários e podem provocar efeitos diferentes dependendo das condições da boca de cada paciente.

Antes de indicar um clareamento, o cirurgião-dentista faz algo que nenhuma embalagem consegue fazer: realiza um exame clínico.

O diagnóstico pode evitar problemas durante o tratamento

É durante a avaliação odontológica que podem ser identificadas condições que aumentam o risco de sensibilidade, dor ou outras complicações.

restaurações infiltradas;

alterações na formação do esmalte;

Em pacientes com alterações congênitas ou adquiridas do esmalte, como hipoplasias, fluorose ou manchas causadas por lesões iniciais de cárie, o clareamento pode produzir resultados diferentes e exigir um planejamento ainda mais cuidadoso.

Por isso, o tratamento não deve começar apenas com a pergunta: “Qual produto eu compro?”

A pergunta correta é: “Meu caso realmente é indicado para clareamento?”

Clareamento não muda a cor de restaurações e próteses

Outro ponto pouco conhecido pelo público é que o clareamento dental não altera a cor de restaurações, coroas, facetas ou lentes de contato dental.

Isso significa que uma pessoa pode clarear os dentes naturais e, depois, perceber diferenças importantes entre a nova tonalidade dos dentes e os materiais restauradores já existentes.

Em alguns casos, pode ser necessário substituir restaurações após o clareamento para harmonizar as cores.

Esse é mais um motivo pelo qual o planejamento é tão importante. O objetivo não é apenas deixar os dentes mais brancos, mas alcançar um resultado estético equilibrado sem comprometer a saúde bucal.

Cada paciente pode reagir de uma forma

O mesmo produto pode provocar respostas completamente diferentes em pessoas diferentes.

Enquanto alguns pacientes apresentam apenas uma sensibilidade leve e temporária, outros podem desenvolver dor mais intensa, irritação ou queimaduras químicas na gengiva e lesões na mucosa bucal.

Também podem ocorrer alterações indesejadas na coloração ou o agravamento de problemas que já existiam, mas ainda não haviam sido diagnosticados.

Por isso, existe uma pergunta que poucas pessoas fazem antes de clicar em “comprar”:

Quem cuida de você se alguma coisa der errado?

O acompanhamento profissional faz parte do tratamento

Quando o clareamento é realizado com acompanhamento odontológico, qualquer desconforto pode ser avaliado rapidamente.

O profissional pode, dependendo da situação:

modificar a técnica utilizada;

ajustar a concentração do agente clareador;

reduzir o tempo ou a frequência de uso;

adotar medidas para controlar a sensibilidade;

avaliar manchas ou alterações na coloração;

tratar problemas bucais identificados durante o processo;

interromper o tratamento quando necessário.

Quando o produto é comprado diretamente no mercado, essa relação de acompanhamento simplesmente não existe.

A empresa vende o produto, mas não conhece o paciente. Não examinou seus dentes, não avaliou sua gengiva e não sabe se existe uma cárie escondida ou outro problema que possa interferir no tratamento.

A restrição não significa proibir o clareamento

A decisão da Anvisa, apoiada pelo Conselho Federal de Odontologia, não significa que os brasileiros estão proibidos de clarear os dentes.

A discussão está relacionada à necessidade de que produtos e procedimentos capazes de provocar alterações químicas nos tecidos dentários sejam utilizados dentro de um contexto de diagnóstico e acompanhamento profissional.

O princípio é semelhante ao que já entendemos em outras áreas da saúde: não basta ter acesso a uma substância. É preciso saber se ela é indicada, para quem, em qual concentração, de que forma e por quanto tempo deve ser utilizada.

O dentista oferece mais do que um gel clareador

O cirurgião-dentista não entrega apenas um produto.

Ele oferece algo que nenhuma embalagem consegue vender: diagnóstico, planejamento, acompanhamento e responsabilidade pela condução do tratamento.

Dentes mais brancos são desejáveis e o clareamento dental pode ser uma excelente alternativa quando bem indicado.

Mas o resultado estético não deve ser separado da saúde. No fim das contas, um sorriso mais branco só vale a pena quando o caminho para alcançá-lo também é seguro.

Folha Vitória

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!