Em meio à repercussão, uma dúvida passou a ser comum entre investidores e a população: afinal, o que é a Apex? Ela é um banco? Uma corretora? Quem fiscaliza a empresa?Para responder essas perguntas, o professor de Finanças da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), André Almeida, explica que a melhor forma de entender a Apex é começar pelo que ela não é.
Segundo o especialista, a Apex não integra o Sistema Financeiro Nacional como uma instituição financeira tradicional.“O Sistema Financeiro Nacional é formado por entidades normativas, supervisoras e operadoras. Entre as operadoras estão bancos comerciais, bancos de investimento e instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Santander e BTG Pactual. A Apex não faz parte desse grupo”, explicou.
Por isso, a empresa também não é fiscalizada da mesma forma que bancos e instituições financeiras reguladas pelo Banco Central.De acordo com André Almeida, a Apex é uma sociedade anônima de capital fechado, regida pelo Código Civil e pela Lei das Sociedades Anônimas. Ou seja, de forma bem clara, é um grupo que se reuniu para fazer com que o dinheiro de outras pessoas (investidores) tenha lucros com aplicações financeiras.
“É um grupo de investidores com interesses em comum que se organiza por meio de uma sociedade anônima. Como é uma empresa de capital fechado, suas ações não são negociadas publicamente. As negociações acontecem de forma privada para um grupo restrito de investidores.”
Segundo ele, a proposta da empresa era captar recursos de investidores com maior patrimônio para aplicá-los em projetos capazes de gerar retornos superiores aos encontrados no mercado tradicional.“A tese era oferecer oportunidades de investimento com potencial de retorno extraordinário, acima das aplicações convencionais.”
Investimento envolve risco
O especialista ressalta, porém, que esse tipo de operação envolve riscos elevados.“Não existe garantia de que o investimento vá gerar o retorno esperado. É um investimento privado de risco.”
Ele explica que, diferentemente de aplicações bancárias protegidas por mecanismos específicos, investidores da Apex estavam expostos ao desempenho dos próprios negócios da companhia.Em alguns casos, a empresa teria emitido títulos de dívida de empresas privadas que tinham como garantia ações da própria Apex.
“Hoje essa situação se torna ainda mais delicada porque a garantia desses títulos é justamente o capital social de uma empresa que enfrenta uma grave crise.”
Para André Almeida, esse tipo de investimento costuma fazer sentido para investidores que possuem patrimônio elevado e desejam diversificar parte da carteira em busca de ganhos maiores.
“Se uma pessoa possui um patrimônio muito grande e destina apenas uma parcela para investimentos de maior risco em troca de uma possibilidade de retorno elevado, isso faz parte da estratégia de diversificação.”
O problema, segundo ele, ocorre quando investidores concentram boa parte do patrimônio nesse tipo de aplicação.“Quem colocou recursos construídos ao longo de toda uma vida, acreditando que teria um investimento seguro, pode enfrentar dificuldades muito grandes caso a empresa não consiga honrar seus compromissos.”
Na avaliação do professor, o caso da Apex também serve para chamar atenção para a importância de compreender o perfil de risco antes de realizar qualquer investimento.
Embora investimentos privados possam oferecer perspectivas de rentabilidade superiores às aplicações tradicionais, eles também podem apresentar riscos significativamente maiores, especialmente quando não contam com mecanismos de proteção típicos das instituições financeiras reguladas.
A crise envolvendo a Apex, segundo ele, evidencia justamente essa diferença e reforça a necessidade de que investidores conheçam a estrutura jurídica, os riscos e as garantias de cada aplicação antes de decidir onde investir.
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