A saúde capixaba começa a avançar para além da Grande Vitória. Em junho, três cidades do interior apareceram entre os cinco municípios que mais geraram empregos formais no setor no Espírito Santo: Linhares, Cachoeiro de Itapemirim e Colatina. O resultado, apontado pelo levantamento do Caged Saúde, elaborado pelo Connect Fecomércio-ES, a partir de dados do Ministério do Trabalho e Emprego, sugere o fortalecimento dos polos regionais de saúde e reforça um movimento de descentralização da assistência no Estado.
O movimento chama atenção para uma transformação na distribuição da assistência no Estado. O relatório aponta que o desempenho de Linhares, Cachoeiro e Colatina reflete o fortalecimento de polos regionais, com ampliação da capacidade instalada e maior oferta de serviços especializados, o que pode reduzir a dependência da população em relação à Grande Vitória.
Em junho, a saúde gerou 206 empregos formais no Espírito Santo e chegou a 63.474 vínculos ativos. O número representa crescimento de 4,6% em relação a junho de 2025, acima da expansão de 2,5% registrada pelo conjunto do setor de Serviços.
No primeiro semestre, foram 1.855 novos postos formais na área. O resultado correspondeu a 20,2% de todas as vagas criadas pelo setor de Serviços no Estado entre janeiro e junho.
O destaque dos municípios do interior ajuda a observar uma mudança que vai além dos números de contratação. Segundo o estudo, a presença de Linhares, Cachoeiro de Itapemirim e Colatina entre os municípios com maior saldo de empregos está relacionada à consolidação desses locais como polos regionais de saúde.
A análise aponta que a ampliação da capacidade instalada e da oferta de serviços especializados pode contribuir para que moradores do interior tenham acesso a uma rede mais próxima de suas cidades, reduzindo a necessidade de deslocamento para a Região Metropolitana.
Para a professora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e pesquisadora em Saúde, Karina Tonini, esse movimento precisa ser analisado também pela perspectiva do acesso.
“A expansão da rede de saúde para além da Região Metropolitana é importante porque a regionalização permite aproximar os serviços das necessidades da população. Quando um município se consolida como polo regional, ele pode ampliar a oferta de atendimentos e serviços especializados e, consequentemente, reduzir a necessidade de deslocamentos para a Grande Vitória.”
O desafio da regionalização
Os números mostram, portanto, dois movimentos simultâneos: a saúde continua crescendo na Grande Vitória, onde permanece concentrada uma parcela importante da estrutura assistencial, e o interior começa a ganhar participação na expansão do setor.
A consolidação desse processo dependerá da capacidade de transformar crescimento econômico e geração de empregos em acesso efetivo à assistência. Para o paciente, a mudança mais importante não está apenas no número de vagas criadas, mas na possibilidade de encontrar atendimento especializado mais próximo de onde vive.
O mapa do emprego pode ser, nesse sentido, um dos sinais de uma transformação maior: a construção de uma rede de saúde cada vez mais distribuída pelo território capixaba.
Folha Vitória