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Economia

Operador volta a Viana e Trem das Montanhas dá passo concreto para sair do papel

Treze anos depois, fundador de empresa que já operou o trem voltou à estação para discutir condições técnicas para voltar aos trilhos. Movimento reduz distância entre a intenção op


Mais um passo para o Trem das Montanhas: antigo operador coloca equipe à disposição do projeto. Crédito: Divulgação/Prefeitura de Afonso Cláudio

A retomada do Trem das Montanhas Capixabas ganhou o componente que faltava ao projeto. O operador voltou ao trilho. O fundador da Serra Verde Express, Adonai Aires de Arruda, esteve na Estação Ferroviária de Viana para uma visita técnica ao complexo e à malha, ao lado do prefeito Wanderson Bueno.

Não foi apenas mais uma reunião institucional. Treze anos depois da antiga operação, quem conhece o negócio por dentro voltou à estação de partida para discutir dados, condições técnicas e alternativas para colocar o trem novamente em circulação. A Serra Verde colocou sua equipe à disposição para consultoria, intercâmbio de informações e suporte técnico. Esse movimento reduz um pouco mais a distância entre a intenção política e um projeto efetivamente operável.

O avanço não surgiu do nada. Municípios articularam a retomada do trecho entre Viana e a região de montanhas, houve interlocução com a VLI, ANTT e Ministério dos Transportes. Nesse sentido, em junho deste ano, um Acordo de Cooperação Técnica abriu caminho para a cessão de trechos da antiga Ferrovia Leopoldina ao Governo do Espírito Santo. O roteiro em discussão conecta Viana, Domingos Martins, Marechal Floriano e Alfredo Chaves, justamente um corredor com ativos naturais, históricos e gastronômicos já consolidados.

A presença da Serra Verde transforma parte da discussão institucional em discussão de negócio. Adonai afirma que, na operação anterior, o trem chegou a registrar taxas de ocupação próximas de 90%. A empresa também acumula experiência no trecho Curitiba–Morretes, uma das principais referências nacionais em turismo ferroviário.

O próprio empresário já havia dito que a retomada capixaba exige estudos da ferrovia, hotelaria, demanda, investimentos e modelo operacional. Chegou a citar a possibilidade de diferentes categorias de serviço. Inclusive vagões de maior padrão. No entanto, sempre condicionadas à viabilidade econômica e à infraestrutura disponível nos destinos.

Um trilho capaz de puxar todo o turismo capixaba

O ganho econômico potencial vai muito além de vender passagens. Um trem turístico funciona como produto-âncora. Ou seja, cria um motivo claro para a viagem. Do mesmo modo ao redor dele, agências montam pacotes, restaurantes recebem clientes, pousadas vendem diárias, produtores rurais entram nos roteiros e serviços de transfer, guias, comércio e experiências passam a capturar parte desse consumo.

Viana pode ganhar especialmente porque assume a função de porta de entrada das montanhas. O município já prepara essa cadeia: a primeira unidade do Senac prevista para a cidade terá cursos ligados a turismo, gastronomia, comércio e serviços. Do mesmo modo, enquanto outras iniciativas procuram organizar atrações históricas e naturais.

O efeito, entretanto, não precisa parar ali. Um visitante que compra o trem pode dormir na Grande Vitória, conhecer o litoral, seguir para as montanhas e prolongar a permanência no Estado. É aí que um projeto municipal passa a interessar ao trade turístico capixaba inteiro.

Ainda há etapas a cumprir

Ainda há uma distância relevante entre uma visita técnica e o primeiro apito na estação. O trem depende dos diagnósticos de engenharia da malha, estudo de fluxo de passageiros, articulações com os órgãos ferroviários, definição jurídica e operacional, investimentos e uma conta que precisa fechar.

O próprio Adonai já alertou que somente os trâmites técnicos e legais podem consumir mais de um ano e que não adianta criar um produto sofisticado sobre os trilhos sem hotéis, restaurantes e serviços compatíveis fora deles.

Portanto, a visita desta semana aproxima a retomada, mas não significa que ela esteja garantida. O desafio agora é evitar que o processo perca velocidade justamente quando as peças começam a se encaixar.

Os próximos indicadores dirão se o projeto entrou, de fato, na reta decisiva: conclusão dos estudos de engenharia e demanda, definição do arranjo com os órgãos reguladores, desenho econômico da operação e apresentação de um cronograma executável.

Se essas etapas avançarem, o Trem das Montanhas poderá fazer algo que o turismo capixaba ainda precisa ampliar. Ou seja, transformar vários bons destinos em um produto integrado, fácil de vender e reconhecível fora do Estado.

Viana vai ser a estação de partida, as montanhas serão o grande cenário, mas o passageiro – e principalmente o dinheiro que ele deixa pelo caminho – poderia circular por uma parcela muito maior da economia turística do Espírito Santo.

Folha Vitoria

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