Baterias: Santa Maria acredita que leilão promovido pelo governo federal pode redefinir negócios ligados à energia no ES. Crédito: Divulgação
A Santa Maria Participações prepara um passo estratégico para ampliar sua presença no mercado de energia do Espírito Santo. A empresa pretende disputar o leilão federal de baterias previsto para este ano. Do mesmo modo, estuda instalar um sistema de armazenamento na região de Colatina. O movimento coloca a companhia em um segmento que deve ganhar importância com o crescimento da geração solar e a chegada de novos consumidores industriais ao Estado.
A decisão vai além da participação em um leilão. Hoje, o Brasil produz mais energia do que consegue consumir ou transmitir em determinados horários. Como consequência, o sistema corta parte da geração renovável. Ou seja, desperdiçamos energia. As baterias permitem guardar esse excedente e devolvê-lo à rede nos momentos de maior demanda. Assim, o que hoje representa perda pode se transformar em receita, estabilidade e segurança energética.
Aurélien Maudonnet, CEO da Santa Maria Participações, confirmou que a empresa acompanha o processo e avalia as duas modalidades previstas, uma com equipamentos nacionais e outra com conteúdo importado. O grupo pretende viabilizar o projeto dentro da área atendida pela Empresa de Luz e Força Santa Maria, em Colatina, onde já concentra estrutura, conhecimento técnico e relacionamento com consumidores.
O Espírito Santo oferece um mercado natural para esse tipo de investimento. O Estado amplia sua base industrial, recebe novos projetos nos setores automotivo, portuário, logístico e mineral e mantém forte expansão do agronegócio. Todas essas atividades exigem energia constante, competitiva e segura. Portanto, o armazenamento deixa de ser apenas uma inovação tecnológica e passa a integrar a infraestrutura necessária para sustentar o crescimento econômico.
Colatina também ocupa uma posição estratégica nesse desenho. A cidade funciona como polo de serviços e indústria no Noroeste capixaba, mantém ligação direta com o agronegócio e se aproxima dos corredores de desenvolvimento de Linhares, Aracruz e São Mateus. Um projeto de baterias na região pode reforçar a estabilidade do sistema, ampliar o aproveitamento da geração solar e criar condições para novos investimentos produtivos.
Além disso, a Santa Maria possui uma vantagem relevante. O grupo atua em geração hidrelétrica e solar, comercialização de energia, eficiência energética e importação de equipamentos. Mantém contato com fabricantes chineses de painéis, inversores e baterias. Essa estrutura permite oferecer uma solução verticalizada às empresas. Ou seja, envolve produção da energia, armazenamento, bem como gestão do consumo.
A aposta no leilão, portanto, antecipa uma necessidade que tende a crescer no Espírito Santo. Novas fábricas não procuram apenas terrenos, incentivos e logística. Elas também avaliam custo, origem e segurança da energia. Ao se preparar agora, a Santa Maria tenta ocupar o espaço entre a expansão da geração renovável e a demanda da nova indústria. E transforma um projeto previsto para Colatina em uma peça importante na disputa capixaba por investimentos nacionais e estrangeiros.
Fonte: Folha Vitoria