Foto: Instagram/ @madonna
A cantora Madonna voltou a falar sobre os problemas que enfrenta no joelho e afirmou que “não tem mais cartilagem” na articulação, atribuindo o desgaste a décadas de uso de salto alto, da prática de corrida e da Ashtanga yoga.
“Eu estou com o joelho ruim. Não tenho mais cartilagem nele, graças a tantos anos dançando de salto alto, correndo no asfalto e praticando Ashtanga yoga”, disse ela em uma entrevista à Interview Magazine.
Essa não é a primeira vez que a diva do pop fala sobre os problemas no joelho. Em 2019, Madonna sofreu uma lesão e chegou a cancelar um show em Nova York para se recuperar. Três meses depois, ela cancelou outras três apresentações por orientação médica.
Mas será que alguém realmente pode ficar “sem cartilagem”? E o salto alto e as atividades físicas são capazes de provocar esse tipo de desgaste?
Segundo o ortopedista Guilherme Galto, a frase costuma ser uma forma de descrever um quadro bastante avançado de desgaste da articulação.
Na prática, quando alguém diz que está ‘sem cartilagem’, normalmente está falando de um desgaste muito avançado. A cartilagem reveste os ossos e permite que eles deslizem sem atrito. Quando ela se desgasta bastante, os ossos passam a encostar um no outro, causando dor, rigidez e dificuldade para caminhar.
Guilherme Galto, ortopedista
Salto alto é o grande vilão?
Embora o uso frequente de salto alto seja apontado como responsável pelo desgaste dos joelhos, a relação não é tão simples. De acordo com o especialista, o calçado pode aumentar a sobrecarga nas articulações e modificar a forma de caminhar, mas dificilmente é o único fator envolvido.
“O salto alto, sozinho, não é o grande vilão. O uso frequente durante muitos anos pode favorecer dores e contribuir para o desgaste em algumas pessoas, principalmente quando existem outros fatores, como excesso de peso, predisposição genética e fraqueza muscular.”
Além do salto, lesões antigas, obesidade, envelhecimento e algumas doenças também aumentam o risco de desenvolver artrose.
Exercícios prejudicam ou protegem os joelhos?
Ao contrário do que muita gente imagina, praticar atividade física não significa, necessariamente, acelerar o desgaste da cartilagem.
Segundo Galto, exercícios feitos com orientação costumam proteger as articulações.
“O problema aparece quando há excesso de treino, lesões repetidas ou falta de recuperação. Atletas de alto rendimento e pessoas que sofreram lesões importantes no joelho apresentam maior risco de desenvolver artrose.”
Quais são os primeiros sinais do desgaste da cartilagem?
O desgaste da cartilagem costuma acontecer de forma gradual e os sintomas podem surgir lentamente.
Os principais sinais de alerta incluem:
Dor ao subir ou descer escadas;
Desconforto ao levantar da cadeira;
Estalos acompanhados de dor;
Sensação de rigidez, principalmente pela manhã ou após longos períodos parado.
Se os sintomas persistirem por algumas semanas ou começarem a limitar as atividades do dia a dia, a recomendação é procurar um ortopedista.
É possível recuperar a cartilagem?
A cartilagem possui pouca capacidade de regeneração, mas isso não significa que o problema esteja sem solução.
Segundo o ortopedista, hoje existem tratamentos capazes de aliviar os sintomas e retardar a evolução da doença. “O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Conseguimos controlar a dor, fortalecer a musculatura, melhorar a função do joelho e retardar bastante a progressão do desgaste.”
O diagnóstico costuma começar pela avaliação clínica. Radiografias ajudam a identificar o grau de desgaste, enquanto a ressonância magnética permite analisar a cartilagem, os meniscos e os ligamentos.
Quem tem desgaste precisa parar de fazer exercícios?
Na maioria dos casos, não.
O especialista explica que a atividade física faz parte do tratamento e ajuda a proteger a articulação. Entre as modalidades mais indicadas estão:
Exercícios de fortalecimento muscular.
A escolha da atividade, porém, deve respeitar o estágio da doença e ser orientada por um profissional.
Como preservar a saúde dos joelhos
Alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de desgaste da cartilagem ao longo da vida:
Fortalecer a musculatura das pernas;
Praticar atividade física regularmente;
Alternar o uso de salto alto com calçados mais confortáveis;
Evitar sobrecargas repetitivas;
Tratar lesões no joelho o quanto antes.
Fonte: Folha Vitória