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Arquidiocese de Vitória desmente Lucas Polese, que falou em ‘arcebispo do Psol’

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Redes Sociais / Lucas S.Costa – Ales

Deputado afirmou que Dom Ângelo havia participado de evento de pré-candidato

O Conselho Presbiteral da Arquidiocese de Vitória divulgou nesta sexta-feira (10) uma nota de apoio ao seu arcebispo, Dom Ângelo Ademir Mezzari, diante do que classificou como “ataques odiosos e mentirosos desferidos contra ele nas redes sociais”. Sem citar nomes, o texto faz referência a uma postagem do deputado estadual Lucas Polese (PL), que acusou Dom Ângelo de participar de uma atividade da pré-campanha eleitoral do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) – informação desmentida pela Arquidiocese.

Na última quinta-feira (9), Lucas Polese fez postagem reproduzindo um vídeo que tinha sido postado por Professor Fabian (Psol), pré-candidato a senador, em que aparece ao lado de padre Kelder Brandão, do arcebispo e de outros fiéis da Igreja Católica. “Primeiro dia de pré-campanha, e olha aqui o meu ato, com quem eu tô”, disse Fabian.

Polese, então, acusou o arcebispo de fazer “campanha aberta para o Psol” e militar por um partido que, segundo ele, defende pautas como “aborto”, “liberação indiscriminada de drogas”, “ideologia de gênero”, “roubo de propriedade privada” e “marxismo materialista ateu”, além de supostamente se posicionar contra projetos que combateriam “estupradores e pedófilos”. “Que papelão, hein Dom Ângelo? (…) É com isso que o nosso arcebispo está comprometido?”, questionou.

Entretanto, a Arquidiocese de Vitória afirmou que Polese “falta com a verdade” e faz “uso inadequado das palavras”, “incitando ódio contra um sucessor dos Apóstolos, além de gerar confusão eclesial e se autopromover politicamente”. Na verdade, o vídeo divulgado foi de uma atividade realizada no último sábado (4) no Centro de Treinamento Dom João Batista, localizado na Praia do Canto, em Vitória. Na ocasião, a Arquidiocese reinstituiu a sua Comissão de Justiça e Paz.

A nota ressalta, ainda, que a Igreja “não é partidária e qualquer associação partidária das imagens dos pastores e, no caso, do Arcebispo, é inadequada e desautorizada. (…) Ao nosso Arcebispo, toda a nossa solidariedade cristã. E que o escândalo da cruz seja o único que estejamos dispostos a amar”, fecha a nota.

A Regional Leste 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também divulgou uma nota de apoio, “reafirmando a confiança no ministério pastoral de Dom Ângelo e o compromisso da Igreja com a verdade, a justiça, o diálogo e a comunhão eclesial”.

Professor Fabian também divulgou, nesta sexta-feira, uma “carta aberta” a Dom Ângelo, pedindo desculpas pela confusão gerada e reafirmando que a ação não teve nenhuma relação com a sua pré-campanha. Ele também se disse “pronto” a receber eventuais sanções, se fosse o caso. No dia anterior, Fabian havia feito outra postagem ironizando Polese, lembrando do caso em que o deputado foi parado em uma blitz com carro oficial da Assembleia Legislativa do Estado (Ales) e recusou o teste do bafômetro.

O arcebispo de Vitória também recebeu notas de solidariedade dos deputados estaduais Camila Valadão (Psol), Iriny Lopes (PT), e João Coser (PT), além do deputado federal Helder Salomão (PT), pré-candidato a governador. Entretanto, alguns políticos que não são do campo progressista, como os deputados estaduais Alexandre Xambinho (Podemos) e Mazinho dos Anjos (MDB), também manifestaram apoio público.

Não é de hoje que Lucas Polese se envolve em embates com figuras da Arquidiocese de Vitória. Em outubro do ano passado, ele mobilizou um abaixo-assinado contra o padre Kelder Brandão, acusando-o de ter “se utilizado do altar da Igreja e da Santa Missa, o Sacrifício Supremo de Cristo, para exercer militância política-partidária”.

Em novembro, Dom Ângelo assinou uma nota oficial em apoio a padre Kelder, e mencionou o fato de que “a tradição canônica prevê sanções para aqueles que ultrajam a Igreja e seus ministros, sem prejuízo das responsabilidades civis e penais cabíveis”. Polese interpretou a nota como uma ameça de “excomunhão”.

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