O Espírito Santo vai ganhar mais do que um museu. Vai ganhar uma porta de entrada simbólica para explicar a si mesmo a quem chega. E, talvez com ainda mais força, a quem vive aqui e ainda não conhece a profundidade da própria história. O Museu da Identidade Capixaba (MIC), no entorno do Aeroporto de Vitória, nasce com esse papel. Transformar memória, cultura, tecnologia e pertencimento em um equipamento turístico capaz de dialogar com o visitante desde o primeiro contato com o Estado.
A localização é estratégica. O turismo moderno depende de experiência, conveniência e narrativa. Nesse sentido, instalar um museu ao lado do aeroporto muda a lógica do passeio tradicional e amplia o tempo de contato do turista com a cultura capixaba. Mariana Buaiz, vice-presidente da Escola Americana de Vitória, resume bem essa virada: “A gente está vivendo um momento diferente para o turismo no Estado”. E esse momento exige equipamentos que organizem a identidade capixaba em linguagem contemporânea.
O MIC será em uma área de três mil metros quadrados. O investimento previsto é de R$ 17 milhões, viabilizado por recursos próprios e pela Lei Rouanet. Até agora, 70% do aporte já foi captado. A entrega está prevista para 2029. O projeto tem apoio do Governo do Estado e patrocínio de empresas como ArcelorMittal Tubarão, Zurich Airport Brasil, Banestes, Estel, Brametal, EDP, Grupo Águia Branca, Grupo Buaiz, Apex e Grupo Coutinho. O Grupo Buaiz também cedeu a área onde será o museu.
Turismo: memória, tecnologia e permanência
O ponto mais relevante está no conceito. O museu não será apenas um espaço de acervo. A proposta inclui arena imersiva de 360 graus, com capacidade para 240 pessoas, exposições permanentes e temporárias. Do mesmo modo o espaço terá cafeteria, loja, espaços educativos, sala multissensorial para pessoas neuro divergentes, projeções, hologramas, realidade aumentada e experiências digitais interativas. A ideia é dar valor à experiência, porque o turista de hoje não quer apenas olhar. Ele quer entender, interagir, registrar e levar uma história.
Mariana reforça exatamente esse caminho ao dizer que o MIC foi pensado para o visitante que chega ao Espírito Santo e também para o capixaba que ainda não reconhece tudo o que forma sua identidade.
O visitante vem, faz o check-in mais cedo, vai lá no museu. Isso não é para a Escola Americana, para o Grupo Buaiz. É um legado para o Estado.
Mariana Buaiz, vice-presidente da Escola Americana de Vitória
Espaço para museu na realidade capixaba
Essa é a chave. O Espírito Santo vive um ciclo de investimentos em turismo, cultura, eventos, mobilidade e ocupação de espaços urbanos. O Cais das Artes, a ampliação de eventos de negócios, a busca por novos voos, a melhora da infraestrutura bem como a tentativa de criar produtos turísticos mais consistentes. Tudo isso mostra que o Estado tenta sair da condição de destino de passagem para se afirmar como destino de permanência. Um museu de identidade no aeroporto conversa diretamente com essa ambição.
O MIC tem projeção de 200 mil visitantes por ano e prevê contrapartida social por meio de visitas gratuitas, ações pedagógicas bem como integração. Com escolas, universidades e comunidades. Desenvolvimento turístico não se mede apenas por fluxo. Do mesmo modo, mede-se pela capacidade de formar pertencimento, criar novos roteiros, movimentar serviços e dar densidade cultural ao destino.
O museu terá “experiências imersivas, muita tecnologia, muito som, muita interação”. É exatamente disso que o Espírito Santo precisa: menos improviso na apresentação de si mesmo e mais estruturas capazes de transformar identidade em valor econômico, cultural e turístico.
Folha Vitoria