O Espírito Santo vive uma corrida automotiva rara. Até o fim do primeiro semestre, Portocel terá desembarcado cerca de 54 mil veículos, sendo impressionantes 30% desse volume apenas em junho. O número já supera em 116% toda a movimentação registrada em 2025, quando passaram pelo terminal aproximadamente 25 mil veículos. Mais do que um crescimento, o dado sinaliza uma aceleração das montadoras e importadoras para antecipar estoques antes da mudança tributária.
Ou seja, o imposto de importação sobre veículos eletrificados sobe novamente em 1º de julho e atinge o teto do cronograma federal. Vai chegar a 35% para elétricos e híbridos. O efeito prático é previsível. Junho tende a se tornar um mês de desembarque recorde, numa corrida contra o relógio para nacionalizar veículos com tributação ainda menor. Quem está no topo da cadeia produtiva, ou seja, operadores logísticos, portos, concessionárias, distribuidores bem como varejo automotivo, sabe que poucas vezes houve uma janela tão clara de antecipação de mercado.
Os números de maio já deram o sinal do que está por vir. Dados do Sindiex mostram que o Espírito Santo importou, somente naquele mês, cerca de R$ 5 bilhões (US$ 911,9 milhões FOB) em veículos. Foram 51.773 unidades. O destaque absoluto ficou com os eletrificados: foram 21.948 híbridos plug-in, equivalentes a aproximadamente R$ 2,4 bilhões (US$ 443,4 milhões); 12.395 carros 100% elétricos, com cerca de R$ 1 bilhão (US$ 181,3 milhões); e 11.273 híbridos convencionais, que movimentaram perto de R$ 1 bilhão (US$ 184 milhões).
Na prática, maio consolidou o Estado como a principal porta de entrada da nova frota eletrificada brasileira.
Altos volumes de veículos no início do ano
No acumulado de janeiro a maio, os números impressionam ainda mais. O Espírito Santo importou 137.844 veículos, movimentando aproximadamente R$ 13,7 bilhões (US$ 2,51 bilhões). Desse total, cerca de 78% eram híbridos ou elétricos, evidenciando uma transformação estrutural do mercado automotivo nacional.
Os eletrificados já não são tendência: viraram a espinha dorsal da importação brasileira. E o Espírito Santo, graças à sua infraestrutura portuária e competitividade logística, assumiu protagonismo nessa transição.
A pergunta agora deixou de ser se junho baterá recorde. A questão real é outra: quanto dessa avalanche logística conseguirá ser absorvida pela cadeia local e quantos novos investimentos permanentes esse fluxo extraordinário será capaz de atrair para o Espírito Santo depois que a poeira tributária baixar?
Folha Vitoria