O fim da escala de trabalho 6 x 1 e a adoção da escala de trabalho 5×2 tem gerado preocupação entre empresários e gestores de municípios do Litoral Sul do Espírito Santo. Um levantamento realizado com 30 empresários de Marataízes e cidades vizinhas indica que o aumento dos custos operacionais, a dificuldade para reorganizar equipes e a escassez de mão de obra qualificada estão entre os principais desafios apontados pelo setor.
O estudo foi realizado em abril deste ano pelo administrador Allan Junio da Silva Vieira, representante institucional do Conselho Regional de Administração do Espírito Santo (CRA-ES) na Região Litoral Sul.
A escala 5×2 não pode ser analisada apenas como uma questão trabalhista. Ela acaba expondo gargalos históricos de gestão, tecnologia e qualificação profissional que já existiam nas empresas do interior.
Allan Junio da Silva Vieira, representante institucional do CRA-ES na Região Litoral Sul
Segundo a pesquisa, os impactos tendem a ser mais sentidos por empresas dos setores de comércio, serviços e turismo. Além de atividades que dependem de atendimento presencial e funcionamento contínuo ao longo da semana.
A pesquisa tomou Marataízes como referência para a análise. A cidade tem parte significativa de sua economia baseada no comércio, no turismo e em atividades ligadas ao setor de serviços.
Diferenças entre empresas
O levantamento identificou diferenças entre empresas com maior nível de digitalização e aquelas que ainda dependem de processos predominantemente manuais. Negócios que já utilizam ferramentas tecnológicas e automação demonstraram maior confiança na adaptação às mudanças.
Já entre empresas menores e mais tradicionais, prevalece a preocupação com o aumento dos custos e a manutenção do atendimento ao público.
De acordo com os dados coletados, parte dos empresários estima que os custos operacionais possam crescer cerca de 20% em segmentos que dependem diretamente da presença de funcionários, caso não haja investimentos em tecnologia ou reorganização dos processos internos.
O principal medo não é apenas a folha salarial. Muitos gestores relatam preocupação em conseguir manter o atendimento funcionando em cidades onde ainda existe forte dependência do trabalho operacional e pouca oferta de mão de obra qualificada.
Allan Junio da Silva Vieira, representante institucional do CRA-ES na Região Litoral Sul
A pesquisa também aponta diferenças na percepção dos impactos conforme o porte das empresas. Enquanto negócios maiores destacam possíveis reflexos sobre produtividade e competitividade, pequenos empreendedores demonstram preocupação com a capacidade financeira para absorver mudanças na jornada de trabalho.
Nesse sentido, para Allan, a capacidade de investir em tecnologia, automação e qualificação profissional será um dos fatores determinantes para a adaptação das empresas a eventuais mudanças nas relações de trabalho.
“Tecnologia e gestão deixaram de ser diferenciais e passaram a ser fatores de sobrevivência. Empresas que já utilizam automação e ferramentas digitais conseguem absorver melhor mudanças na jornada de trabalho”, diz.
Apesar dos desafios, o estudo também identifica oportunidades. Entre elas, a possibilidade de atração de profissionais de grandes centros urbanos em busca de qualidade de vida e a melhoria do ambiente organizacional nas empresas que conseguirem investir em inovação e produtividade.
A escala 5×2 pode se transformar em uma vantagem competitiva para o interior do Espírito Santo, mas isso depende diretamente da capacidade das empresas de modernizar processos e investir em produtividade
Allan Junio da Silva Vieira, representante institucional do CRA-ES na Região Litoral Sul
Folha Vitoria